A espera que desespera?
“Ansiedade é como sentir a dor dos espinhos, ainda que inexistente a rosa”.
Paulo Bruno Rubinho
E se o médico não contiver a ansiedade quando realiza uma intervenção cirúrgica? O motorista diante do perigo iminente soltasse as mãos do volante e fechasse os olhos? O professor gaguejasse, ficasse sem falar, sem conseguir lecionar? O policial sem determinação para revidar os tiros dos criminosos, preso pelo medo? Bombeiros ficassem sem ação ante as chamas do fogo?
Do artista travar na hora de se apresentar no palco? Do advogado no júri se perdesse nos artigos da lei, comprometendo a defesa (ou ataque) quanto ao réu? Do trapezista com pavor de se esborrachar no chão?
Situações hipotéticas acima listadas podem acontecer e já ocorreram. Um dos fatores próprios diz respeito a ansiedade, e, no âmbito sociológico, se enquadram também na chamada fobia social.
A ansiedade é o desejo veemente, incerteza aflitiva, impaciência, de preocupação, angústia antes de acontecer determinado fato, que atinge uma única pessoa ou é influenciado por outras pessoas, desencadeando a fobia social.
Procurando uma justificativa plausível, não foram poucos os narradores dos jogos do Brasil na Copa que trataram o tema com o quase e mesmo argumento, jogadores (nem todos) que estariam ansiosos para e durante a estreia.
Identificar e compreender a fobia individual ou social, é necessário no mundo de hoje, no contexto do individualismo, culto à personalidade, competição incensante, questões que não podemos fugir.
Apenas este ano no Paraná, mais de quatro vezes teve motorista não respeitando o som estrondoso do sinal e do barulho do trem, da cancela e arriscaram achando que daria tempo, mas o trem pegou em cheio ou quase.
A ansiedade desembestada fez com que eles arriscassem a própria vida.
Não se trata de eliminar simplesmente a ansiedade, pois ela faz parte das nossas vidas, queiramos ou não. Mas contê-la, enfrentá-la, controlá-la, reduzir ao máximo o tamanho, é possível.
Afinal, quem morre na véspera é o peru para a ceia de natal.
Não é só bônus que faz parte de toda a profissão ou da vida de um modo em geral, existem também o ônus.
Os jogadores têm as melhores condições de preparação, a seleção dispõe em abundância de toda uma estrutura e logística para treinarem e jogarem.
O tremer por conta dessa ansiedade não se justifica, não pode ser aceitável principalmente para encobrir erros capitais sem assumir qualquer relação de culpa.
O erro mais evidente desta ansiedade é a cobrança da penalidade máxima. Quando não é mérito do goleiro, se o cobrador chutar a bola fora do gol, irá pôr a culpa na ansiedade? Na verdade essa “culpa” é de quem errou.
É, o frio na barriga não pode virar dor de barriga, que não dá só uma vez.
Fases de Fazer Frases (I)
Se o pensamento não for inteiramente livre, nada mais será.
Fases de Fazer Frases (II)
Caso não seja fácil abolir o perdão, é melhor tentar abolir o pecado.
Fases de Fazer Frases (III)
Existem miseráveis bilionários, como também pobres afortunados.
Fases de Fazer Frases (IV)
Não confundamos: Trato feito com prato feito. Nem ouvir com ou vir.
Fases de Fazer Frases (V)
Enquanto estiver subindo, evite olhar para baixo, só lá de cima.
Olhos, Vistos do Cotidiano (I)
Próximo dia 10 de julho esta Coluna completa 38 anos. Quanto tempo… (?).
Olhos, Vistos do Cotidiano (II)
O prefeito Leonardo Romero (PSD) vetou o projeto de lei aprovado pela Câmara de Vereadores de Quinta do Sol, que institui auxílio-alimentação para os nobres edis, estendido aos servidores públicos. Cinco vereadores votaram a favor e três foram contra.
O projeto de lei é legal (legal para os vereadores) mas moralmente injustificável.
Quinta do Sol até aqui segue o péssimo exemplo dos vereadores de Barbosa Ferraz, que só não estão recebendo o auxílio porque a Justiça concedeu liminar barrando o “penduricalho”. Mamborê recuou depois da pressão da sociedade, inclusive ela protestou pondo cestas básicas à entrada da Câmara.
Existem integrantes do Legislativo que sequer são autores de algum projeto de lei de efetivo interesse de todos os cidadãos.
Olhos, Vistos do Cotidiano (III)
O jogo vitorioso do Brasil contra o Japão rendeu manifestações político-partidárias sobre números da camisa dos jogadores. Calma, a Copa ainda não acabou.
Farpas e Ferpas (I)
Não cabe só o ponto de vista do prego e do martelo. Convém lembrar da tábua.
Farpas e Ferpas (II)
A covardia engole o medo, mas tem medo sem covardia.
Farpas e Ferpas (III)
Começo do fracasso, o início do fim.
Sinal Amarelo (I)
Nem sempre o estado de espírito tem estado com espírito.
Sinal Amarelo (II)
Independe do minuto de paciência, “explodir” pode levar segundos.
Sinal Amarelo (III)
Quem só se vinga, não vinga.
Trecho e Trecho
“Ninguém pratica o mal só pelo mal”. [Imre Madách].
“O que eu temo não é a estratégia do inimigo, mas nossos erros”. [Péricles].
Reminiscências em Preto e Branco
Gazear aula era uma expressão muito falada pela minha querida e saudosa mãe Elza, quando nos advertia para não faltarmos as aulas. Se não comparecêssemos era chinelada e castigo na certa!
A palavra está no dicionário, que também aceita como correta Gazetear, ambas significam faltar intencionalmente as aulas, ou a alguma tarefa e compromisso.
José Eugênio Maciel | [email protected]
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