Corte no seguro rural preocupa e amplia insegurança no campo, alerta Gallassini

O novo corte promovido pelo Governo Federal nos recursos destinados ao Programa de Subvenção do Prêmio do Seguro Rural (PSR) acendeu um alerta no setor agropecuário. Para o presidente do Conselho de Administração da Coamo Agroindustrial Cooperativa, José Aroldo Gallassini, a redução compromete uma das principais ferramentas de proteção financeira do produtor diante das perdas provocadas por eventos climáticos.

Na última semana, o governo anunciou o remanejamento de mais R$ 56,2 milhões do orçamento do programa para outras ações do Ministério da Agricultura e Pecuária. O setor também acompanha com preocupação a possibilidade de bloqueio de outros R$ 461,7 milhões, o equivalente a 45,7% do orçamento previsto para o PSR em 2026.

Segundo Gallassini, o problema vai além da redução dos recursos. Para ele, o governo tem lançado programas de incentivo ao seguro rural, mas não tem mantido os valores previstos para subsidiar parte do custo das apólices. “O governo subsidia parte do seguro, mas ultimamente não tem cumprido com o plano. Faz o anúncio e depois corta as verbas. Isso é muito ruim”, afirmou em entrevista à TRIBUNA.

O presidente da Coamo explicou que a cooperativa trabalha para estimular os cooperados a contratarem o seguro rural juntamente com o financiamento da safra, por meio da Credicoamo. Quando ocorre o corte da subvenção, porém, o produtor passa a arcar com um custo maior, o que acaba gerando insatisfação. “Nós preparamos o cooperado para fazer o seguro. Quando o governo corta a subvenção, temos que cobrar a taxa real e o cooperado acaba ficando ‘contra’ nós, quando, na verdade, não somos nós que estamos cortando o benefício”, disse.

Para Gallassini, o seguro rural deixou de ser apenas uma alternativa e passou a ser uma necessidade diante do clima cada vez mais instável. Segundo ele, a contratação da cobertura garante que o produtor consiga enfrentar perdas sem comprometer sua atividade. “O seguro não é para ganhar dinheiro. Ele evita que o produtor fique endividado. É uma segurança para a atividade agrícola”, ressaltou.

O presidente também defende que o seguro seja encarado como um ‘insumo indispensável’ para a produção rural, assim como sementes, fertilizantes e defensivos agrícolas. “Quando o produtor financia a lavoura, o seguro já deveria fazer parte desse processo. É um insumo agrícola e precisamos de uma política séria para garantir essa segurança ao cooperado”, afirmou.

Gallassini citou a segunda safra de milho em curso como exemplo da importância do seguro rural. “É uma lavoura que substitui o trigo, então é de risco, vamos dizer assim”, comentou. De acordo com ele, já houve safras em que o clima vinha contribuindo. Porém, devido a ‘viradas bruscas no tempo’, foram registrados vários acionamentos de seguro em razão de intempéries como seca, granizo ou excesso de chuvas, situações que comprometeram a produtividade em diversas propriedades. “Quem contratou o seguro terá parte significativa dos custos coberta pela indenização, evitando o endividamento provocado pelas perdas climáticas”, ressaltou.

Paraná lidera contratação

O Paraná permanece como o estado que mais contrata seguro rural no Brasil. Apesar disso, o setor aponta uma redução na adesão ao programa, cenário atribuído ao corte de recursos destinados à subvenção federal.

Pela Lei Orçamentária Anual (LOA), o Programa de Subvenção do Prêmio do Seguro Rural conta com orçamento de R$ 1,01 bilhão para 2026. No entanto, considerando os cortes já anunciados e o bloqueio que ainda poderá ser efetivado, os recursos disponíveis para o programa devem ficar bem abaixo da metade do valor inicialmente previsto.

Na última semana, o Governo Federal anunciou mais um corte no orçamento do Programa de Subvenção do Prêmio do Seguro Rural (PSR) de 2026. Agora, são R$56,2 milhões tirados do PSR para serem realocados em outras áreas e ações do Ministério da Agricultura e Pecuária. O setor já estava apreensivo com o bloqueio dos R$ 461,7 milhões, que segue na eminência de acontecer e comprometer 45,7% do valor orçado para o PSR. Somando o valor bloqueado aos montantes já cortados, o valor que sobra ao PSR é bem menos da metade do total orçado para o ano – R$1,01 bilhão, pela Lei Orçamentária Anual (LOA).