Atenção, há tensão

“Mesmo os mais perfeitos espíritos terão necessidade
de dispor de muito tempo e atenção”.
Renê Descartes

Quanto menor for o ser humano, mais atenção a criança necessita. Quando não são atendidas imediatamente, elas gesticulam, tocam nos pais, avós para que eles olhem, escutem o que elas têm a dizer.

Muitas são as situações de relacionamentos fragilizados, tensos e rompidos que em tal situação nevrálgica devido a falta de atenção, absoluta, geral ou especificamente.

Parecem – e muitas vezes são mesmo – estarem em extremos opostos, a atenção ou a ausência dela.

Sem que saibamos ou refletirmos suficientemente, existe uma disputa entre conseguir chamar, ter e manter a atenção, seja uma pessoa para a outra; de um indivíduo para com um grupo social, ao mesmo tempo em que, sem desejar ou propositadamente, existem aqueles que simplesmente ignoram o apelo, não dão atenção mesmo. Disfarçam ou abertamente demonstram que não estão nem aí.

Durante a semana passada fui um fracasso total em sala de aula, não consegui despertar a atenção de nenhum estudante. Foi uma noite para a entrega de trabalhos e, conforme o combinado anteriormente, eles poderiam apresentar o que o pesquisaram, comentar, enfim se manifestarem, sem perder pontos e sim conquistá-los.

A indiferença, mais do que continuar, aumentou. E foi assim durante a aula toda. Tentei conciliar o conteúdo que explicava, com estratégias que pudessem despertar algum interesse. Nada. Saí da sala, dei boa noite e praticamente não ouvi resposta.

Poderia enumerar uma série de fatores e colocar a culpa nos próprios estudantes, em todo mundo. Entretanto, assumo sozinho, fui eu que não consegui.

Todo o aprendizado, por mais simples que ele se dê, carece de atenção, acompanhar o raciocínio, esse negócio de que “se aprende só brincando” é uma inverdade, tudo exige esforço, seriedade, atenção, até quando se conta uma boa história ou humor para ilustrar.

Sem culpar os estudantes, tanto adolescentes quanto adultos, não é só na sala de aula, não é apenas nas escolas que falta atenção.

O cotidiano dá mostras em abundância, acidentes de trânsito devido ao motorista ou pedestre que “não viu nada”; os meios de comunicação, apesar das boas e criativas manchetes, tem tantas vezes que estão falando com as paredes. Até encontros religiosos como missas e cultos ocorrem conversas, por vezes não são meros cochicho,

Como é paradoxal, não damos mas queremos toda a atenção quando assim for conveniente, necessário. Prestar atenção tem a ver com boa memória.

A única atenção que predomina ininterruptamente é para com o celular. Um médico amigo meu, comentou comigo, ele explicava o diagnóstico para o pacientemente, situação delicada, mas o paciente sequer olhava para o médico, os olhos estavam “grudados” na telinha do celular. O médico, com ênfase, exclamou, “entendeu?” E aí veio a resposta do paciente ao médico: “entender o quê, doutor?

Poderia ser relevante a tensão resultado da sensibilidade do paciente a temer não estar bem, mas, ainda assim, segundo o médico, a atenção era para o celular.

Uma refeição, se tivermos com fome, mais ainda, desperdiçamos saborear como deveríamos um delicioso prato, mas tem gente que não larga do celular um instante sequer.

“Não temos tempo pra nada!” expressão muito ouvida com a qual analisamos e principalmente nos desculpamos.

O individualismo é confundido com individualidade, ler o horóscopo, o resumo das novelas, o jogo de futebol são desculpas que atribuímos como “descansar a cabeça”.

Volto aquela noite da minha “aula”, e sem querer me vingar, os estudantes vão prestar atenção no dia de uma avaliação, querem que eu vá até a carteira deles e explique alguma das questões. Então eu rememoro: “faz parte da prova saber interpretá-la corretamente”.

Fase de Fazer Frases (I)
Texto leve? Não use palavras pesadas.

Fases de Fazer Frases (II)
Nem toda intimidade é segredo.
Mas todo segredo é íntimo.

Fases de Fazer Frases (III)
Não se atrase, pois tudo passa da hora, quando ela existe.

Olhos, Vistos do Cotidiano (I)
O debate é tão antigo quanto polêmico: a “fiuzeira” ao chão ou pendurada nos postes. Algo que deveria ser corriqueiro e técnico para solucionar, e não no centro do debate, por exemplo, na Câmara dos Vereadores de Campo Mourão.

É a Câmara ou é a prefeitura por um fio. Vários e muitos, na verdade.

Olhos, Vistos do Cotidiano (II)
Tecnicamente pode ter outro nome, mas não pagar precatórios, como quer o governo federal, é calote evidente e indefensável, até o STF – Supremo Tribunal Federal, quando provocado, devolveu a matéria à Câmara e ao Senado.

Precatório é dívida, quando as pessoas físicas ou jurídicas ganham uma causa que não cabe mais recurso.

E aí o precatório deve constar no orçamento do ano seguinte e pago segundo a ordem cronológica.

Farpas e Ferpas (I)
Agradar a todos não é o mesmo que ser respeitado por todos.

Farpas e Ferpas (II)
Quem muito e sempre esconde verdades acaba só achando mentiras.

Reminiscências em Preto e Branco
Tudo nalgum lugar ficou mudo, se de repente ou aos poucos, não sei. Sei que ficou mudo. Então me mudo para ouvir vozes, não a minha, sim de todos aqueles que fazem falta, da ausência que não me “acostumo”.

José Eugênio Maciel | pro[email protected]