Nicomedos e o burro Arcide

“Nunca quis conversar com animal algum pelo medo que
ele saiba mais do que eu. Oque não é nada difícil”.
Estive Nólocal (b.d.C.)

O vilarejo Espinheira-santa tem poucas casas e moradores. Uma parte é plana onde estão as casas e a única bodega, ruas de chão batido. A outra é íngreme, onde subsiste a lavoura. O rio Calhau serve para a lavação de roupas, pescaria e lazer, o leito d’água circunda o povoado, cenário pitoresco.

Nicodemos é o morador mais antigo e conclamado fundador de Espinheira-santa, chamado de Nico, o véio. Tem um sítio onde mora com a mulher Tercilha e as duas filhas solteironas Tertulina e Tertuliana.

O Nico tem implicância com elas: “A mulher não me deu um filho homem, e as filhas não são casadas, e por causa disso não tenho um neto, pra me ajudar na lida. Vocês não vão saber se virar quando eu morrer”.

Elas tinham que aturar aquele sermão diário, mas o que não admitiam é a pecha de inúteis, discordando sobretudo que valessem menos “que o meu burro Arcide, este sim me ajuda em tudo”.

No sábado o véio deixava tudo por conta das meninas. Montava no burro Arcide, atravessavam o rio Calhau chegando a bodega. Permitia ao burro pastar a vontade no derredor. Nico nem precisava chamar, o animal voltava na hora certa.

O véio jogava dominó, sabia das novidades, proseava sobre qualquer assunto e, enquanto isso, tomava muita cerveja.

O burro Arcide sabia voltar para casa direitinho, tanto assim que Nico, de tão embriagado, deitava no lombo do burro e vinha sossegado. Quando chegavam no sítio o animal se sacudia para acordar o dono.

Assim é todo o final de semana.

Numa noite dessas de luar e clima ameno, mãe e filhas são acordadas pelo forte zurro do Arcide e o bater das patas na soleira da casa. Elas indagam assustadas e ansiosas em saber do Nico. O animal meche muito a cabeça agita as pernas e elas entendem, o burro sabia onde estava o véio. A mãe montou e saiu em disparada.

Ela ficou mais assustada ao encontrar o marido com metade no corpo no rio e a outra em cima de uma pedra. Parecia morto, mas estava em sono profundo alcoólico.

Com muito custo conseguiu colocá-lo no lombo do Arcide, o burro correu galopando o mais rapidamente que pôde em direção ao sítio.

A cama quentinha era melhor que a água fria e a pedra dura do rio.

Nico acordou com o sol alto. Bebeu café bem quente e amargo.  E o burro ficou rondando, queria ter notícias do velho amigo.

O véio primeiro agradeceu a mulher e filhas por terem compreendido o pedido de socorro do burro Arcide. Disse que não mais implicaria com elas, “vocês todas sempre cuidaram bem de mim”.

Nico diminuiu o tempo na bodega e o tanto de beber. Arcide, depois de pastar, voltava logo e a fazer sinal para o véio, era hora de irem para a casa.

Fases de Fazer Frases (I)

Quem mais aprende é quem menos precisa.

Fases de Fazer Frases (II)

Quem mais precisa saber acha que não precisa.

Fases de Fazer Frases (III)

É dono de si quem sabe o destino.

Fases de Fazer Frases (IV)

Não confundamos: O salto do sapato com o salto do pato.

Nem o salto do sapo no papo do pato.

Fases de Fazer Frases (V)

Não confundamos: O alojamento com alô jumento.

Fases de Fazer Frases (VI)

Não confundamos: Mimeógrafo com mamógrafo.

Olhos, Vistos do Cotidiano (I)

“Tadinhos” dos vereadores de Barbosa Ferraz, eles não receberão o vale-alimentação de mil reais por mês para custearem tais despesas com o dinheiro do contribuinte. A decisão liminar da justiça atende a ação popular. O povo se mexendo e a vereança a recorrer, na surdina.

Em Mamborê tentaram criar o mesmo benefício. Lá a população começou a colocar na entrada da Câmara cestas básicas, além de outros protestos. Deu certo. Como o povo não engoliria o aumento, o “benefício” não vingou.

Na ocasião, esta Coluna comentou tais fatos, tamanho disparate contra o povo.

Olhos, Vistos do Cotidiano (II)

A temporada da colheita do pinhão iniciou mais cedo este ano no Paraná, quarta anterior. A proibição visa garantir o correto ciclo reprodutivo da araucária. É preciso ação mais enérgica de preservar e reflorestar da árvore nativa, nosso símbolo.

Olhos, Vistos do Cotidiano (III)

O deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ) está prestes ser deportado para o Brasil, preso nos Estados Unidos, fugitivo após condenado pela tentativa golpista. Não quer ir para a cadeia. Como a condenada e cassada pela Câmara Carla Zambeli,(PL-SP). Eram valentes para fugirem.

Caixa Pós Tal

O jornalista Sid Sauer agradeceu o registro feito nesta Coluna pelos 25 anos do Boca Santa. Agora cabe também destacar, Boca Santa atingiu a marca admirável de 9 mil publicações. Parabéns!

Farpas e Ferpas (I)

Estejamos preparados para tentarmos novamente.

Farpas e Ferpas (II)

Palavras podem ser poucas, mas com muitos sinônimos.

Sinal Amarelo (I)

Nem sempre o pensamento muda uma ideia, mas pode dar sentido.

Sinal Amarelo (II)

Antes a falta de espaço nesta Coluna do que a carência de palavras.

Trecho e Trechos

“Saber como se faz uma coisa é fácil; fazê-la é que é difícil”. [Terêncio].

“O plano que não tem lugar para mudanças é um plano ruim”. [Syrus].

Reminiscências em Preto e Branco

O espelho de moldura e o jarro de abacaxi tem em comum é a cor laranja.

José Eugênio Maciel | [email protected]

* As opiniões contidas nesta coluna não refletem necessariamente a opinião do jornal