Amor eterno

À medida que se aproximam as datas em que a reforma eleitoral será colocada em discussão e votação, crescem as manifestações de cientistas e entidades políticas, comprovando que nem entre eles há consenso. Enquanto organizações como o Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE), por sua dirigente Jovita Rosa, defende o financiamento público, o professor de Ciência Política da UFPR, Emerson Cervi garante que o financiamento público exclusivo não é uma opção para a democracia brasileira. No fundo ambos têm razão, na medida em que se permitiu que o descalabro atingisse de tal forma a legislação eleitoral, que hoje está difícil optar por qualquer fórmula pura entre as existentes no mundo democrático. A começar pela facilidade com que se funda partido político por aqui, sem compromisso com o ideário, apenas tendo em vista a participação no Fundo Partidário e no tempo destinado aos partidos em rádios e tevês. Daí a denominação de legendas aluguel, desobrigadas que estão de apresentarem candidaturas próprias nas eleições majoritárias, optando pelas coligações que mais se assemelham a negócios. De preferência em espécie. De concessão em concessão chegamos a 30 partidos, todos agora devidamente engajados aos diferentes  governos: federal, estaduais e municipais. Sempre a troco de cargos e benesses, jamais por afinidades ideológicas. Bem procurado no cenário nacional, vai-se encontrar as mais absurdas coligações, onde comunistas e reacionários se abraçam e juram amor eterno que, a exemplo dos casamentos (normais) modernos duram até a próxima eleição. Lamentavelmente no Brasil a cada dois anos. Daí a tese defendida pela coluna de eleições gerais a cada cinco ou seis anos. O Brasil tem eleições demais!

Prejuízo somado

A afirmação acima sobre eleição livre que seria o grande apanágio da democracia, considerada pela coluna como excessivas, refere-se ao fato de terminada a municipal, com escolha de prefeitos e vereadores, com apoios de presidente, governadores, senadores e deputados, começar-se a esboçar a eleição seguinte. Como pela legislação os seis meses que antecedem eleições são limitantes das ações administrativas, a cada quatro anos, perde-se um de administração pública. Como essa é muito cara, o prejuízo para o país é imenso.  

Tom acima

Aumenta o tom das discussões entre governo e oposição, no Paraná. Embora esta praticamente reduzida ao PT, entre os partidos que fazem parte da coligação que dá sustentação ao governo da presidente Dilma. Uma inteligente tentativa de manter o PSDB do governador Beto Richa  e seus correligionários iniciais, na defensiva. O PMDB, estrategicamente, participa e vota com o governo mas não entra nos debates. Nem a favor, nem contra. Muito pelo contrário! 

Tom abaixo

Enquanto se vêem pressionados por aqui, os governistas não partem para o ataque no nível regional contra as inúmeras situações em que o governo federal se vê acossado. Problemas de toda ordem a afligí-lo, incluindo-se aí a visível incapacidade de lidar com a inflação que começa a tomar contornos perigosos como os que acometeram os últimos anos revolucionários, deixando para o governo de Tancredo, exercido por Sarney, uma herança maldita.  

Em choque

Nenhum discurso se ouve na Asssembleia sobre temas como a precaríssima infra-estrutura nacional, que se repete no Paraná, prejudicando a safra de grãos que cresce em quantidade e qualidade, e nos problemas logísticos de transporte a serem enfrentados. A impressão que passa é a de que, o Paraná é uma terra estranha, não atingida pelos equívocos nas opções administrativas do país. A numericamente  inexpressiva oposição, Enio Verri e Tadeu Veneri à frente, incomoda mais, ante a inércia da  suculenta e silenciosa bancada dita governista, com o heróico Ademar Traiano na defensiva.