Disse-me, disse!

Um assunto tão complexo quanto a geração e distribuição de energia, num país de dimensões continentais como o nosso, que abandonou as variadas alternativas de produção que hoje estão disponíveis e em franca utilização no mundo, em favor das grandes hidrelétricas com seus milhares de quilômetros de linhas de transmissão, só pode gerar, quando apresenta problemas, intermináveis discussões. Inclusive com explicações por vezes desconexas das autoridades responsáveis. Caso da resposta dada pelo presidente da ONS, Operador Nacional do Sistema  Elétrico, imaginando poder  ter sido um raio a possível causa de mais um apagão geral. A resposta deixou a presidente Dilma em maus lençóis, na medida em que, já surgiram as imagens levadas ao ar pelas TVs com uma explicação dada por ela, quando de situação semelhante ocorrida em 2010. Quando disserem que foi um raio, a causa de um apagão, gargalhem! É falha humana, dizia ela na ocasião, garantindo a infalibilidade do sistema em relação à ação de tal fenômeno da natureza, numa estrutura bloqueada por eficientes sistemas de pára-raios. Obrigando depois a nova explicação, exigindo que se examine os sistemas de pára-raios cuja manutenção pode não estar sendo adequada, coisa que no Brasil é comum. Manutenção, planejamento, são palavras pouco usuais no dicionário dos burocratas brasileiros. No caso do sistema elétrico, o abandono a que foi relegado o programa para implantação de pequenas usinas hidrelétricas obriga agora, numa seca absurda que atinge o sul e sudeste, grandes consumidores, ao transporte de energia gerada a milhares de quilômetros, com perdas consideráveis no transporte.

Imprevisão

Enquanto isso acontece, a usina de Belo Monte, igualmente sendo construída no norte do país, com atrasos consideráveis graças a inúmeros problemas na área de meio ambiente, greves, confusões com índios da região, só ontem realizou o leilão para escolha da empresa responsável pela construção do linhão que transportará sua energia para o sudeste, numa extensão de 2,1 mil quilômetros. Obra que consumirá R$ 5 bilhões.

Liberdade negada

A medida adotada pela Justiça italiana, impedindo Henrique Pizzolato de responder em liberdade ao processo por utilização de documentos falsificados para sua permanência naquele país, dá tempo a que o governo brasileiro tome as medidas necessárias para requerer a sua extradição ao Brasil, medida que a muito juristas, parece pouco provável o governo italiano venha a acatar.

Viés ideológico

A tentativa de recuperação de Pizzolato para cumprir sua pena de mais de 12 anos, no episódio mensalão, no Brasil, esbarra na Constituição italiana que prevê a imunidade de cidadãos natos. Diferente da negativa brasileira de extradição de Cesare Battisti, condenado por quatro crimes de morte, que teve seu envio à Itália, aprovado pela Suprema Corte e negado em decisão pessoal do presidente Lula, colocando em dúvida a legitimidade da sentença da Justiça italiana. Mesmo que proferida em plena vigência de regime democrático naquele país.

Zeca absolvido

O episódio ocorrido em Campo Mourão, que redundou na prisão do deputado Zeca Dirceu, por autoridades eleitorais da cidade, na eleição de 2010, redundou num processo por crime eleitoral contra o parlamentar petista, filho de José Dirceu. Por unanimidade os ministros do Supremo entenderam não haverem provas suficientes para iniciar um processo contra o parlamentar. A preocupação de petistas era pelo fato de o processo entrar em pauta logo após o gesto de André Vargas, ofensivo ao presidente do STF.

Absolvição lamentada

A absolvição do senador Lindbergh Farias (PT-RJ), acusado pelo Ministério Público de supostas negativas de informações, era tudo que o governador carioca Sérgio Cabral não desejava. O caso chegara à Corte em 2012. Condenado, o senador petista não poderia disputar a eleição ao governo do estado fluminense, um problema que está afastando o PMDB do Rio da campanha à reeleição da presidente Dilma.