Lenha na fogueira

Comentarista de política internacional na Globo, o sociólogo Demétrio Magnoli traz sua contribuição à discussão do tema Mais Médicos, hoje em cartaz no Brasil. Anunciando em artigo vigoroso e recheado de informações a que a maioria não tem acesso, que novos 4 mil estão chegando, integrando-se aos 7,4 mil médicos cubanos que já se encontram atuando no país. Especialista em política internacional, acrescenta informações que remetem à origem desse programa desenvolvido na ilha dos irmãos Castro, ao tempo em que ali ainda atuava um revolucionário que posteriormente desertou, Che Guevara. É dele a expressão cunhada em 1960 (início da revolução cubana que abateu a tirania anterior, sem no entanto implantar uma democracia), em pronunciamento feito às Milícias Cubanas, revelando o surgimento de uma medicina revolucionária. Segundo Demétrio, com os 58  médicos enviados à Argélia que à época implantava seu primeiro governo independente, iniciava-se a política de missões internacionalistas. Revela ainda que esse objetivo foi substituído pela necessidade de sobrevivência do regime castrista. Só para a Venezuela foram encaminhados 15 mil médicos (pagamento em petróleo); outro tanto à Bolívia, Equador e Nicarágua. Com a Escola Latinoamericana de Medicina (Elam), um programa que atrai bolsistas integrais, fundado em Havana em 1998, rompia o país o isolamento internacional, que o governo americano impusera a Cuba e que era seguido por muitos países. Os médicos enviados aos países amigos recebem pagamento parcial, sendo a maior parte do contrato revertido ao governo cubano, através a Comercializadora de Serviços Médicos Cubanos S/A. O artigo de Magnoli é extenso e a serem verdadeiras as informações, algumas das quais comprovadas aqui, como a omissão do Congresso, do Ministério Público do Trabalho, este só acionado depois da deserção de Ramona Rodriguez, a solidariedade política entre uma democracia (a nossa) e uma ditadura, destila um ácido que corrói os valores da primeira. Com a palavra, por oportuno (está hoje no Paraná) o ex-presidente Lula que, acusa Demétrio, articulou sigilosamente o Mais Médicos com o regime castrista, durante a longa agonia de Hugo Chávez em Havana (Cuba). 

Toque de reunir

O PT faz hoje uma movimentação especial em São José dos Pinhais, praticamente iniciando a campanha da pré-candidata Gleisi Hoffmann. O faz em alto estilo com a presença de sua maior figura, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Gente de todos os quadrantes  deve marcar presença nessa reunião que ocorrerá no restaurante ao lado do portal de São Jose, à partir das 17 horas.

Mais do mesmo

Quando esta coluna estava sendo redigida, o STF iniciava o julgamento dos novos embargos infringentes, em sessão presidida pelo vice-presidente Ricardo Lewandowski. No caso, embargo oferecido pelo advogado do ex-deputado João Paulo Cunha. O primeiro a votar, após a sinopse da sessão anterior feita pelo relator Luiz Fux, foi o novo ministro Luis Roberto Barroso, cujo voto todos imaginavam pela absolvição do crime de lavagem de dinheiro. Pela lógica do julgamento anterior, igualmente Cunha e os outros dois acusados do mesmo crime, foram absolvidos. Rapidinho!

Homenagem póstuma

Poucos sabem que o festejado ator Paulo Goulart, falecido ontem, antes de se consagrar em novelas da Globo e no cinema nacional, ao lado de Nicete Bruno, companheira de toda a sua vida, atuou como radio-ator em novelas no rádio curitibano. Rádio que à época, revelou atores como o Ari Fontoura, ainda em cena, Odelair Rodrigues, Sinval Martins, Lala Schneider, e uma infinidade de grandes talentos do rádio que certamente também fariam sucesso no cenário artístico nacional. Paulo, por sinal, Miessa de batismo, incorporou o pseudônimo artístico de seu tio, Evaristo Miessa (Airton Goulart) que cursou medicina na UFPR e garantiu sua faculdade fazendo sucesso no rádio curitibano como locutor e rádio-ator.