Um elogio, enfim!

Nem só de notícias ruins vive o dia-a-dia da política, muito embora a prevalência daquelas motivada especialmente pela incompetência administrativa reinante na área pública ou pela excessiva burocracia que pesa sobre os administradores. Na semana que passou um número positivo veio à tona, fruto de uma realidade curitibana de há muito destacada. Em 2013, embora o número ainda não seja divulgado oficialmente, os óbitos em cada 1.000 nascidos vivos, de crianças com menos de um ano, diminuiu. Foram 216 mortes contra 239 em 2012. Supera inclusive o melhor índice histórico dos últimos 34 anos, de 221 mortes, em 2011. Prova de que o atendimento  pré-natal curitibano tem dado bons resultados, inclusive zerando em 2013 os exames prematuros de gravidez de risco, condição necessária para um atendimento especial. Essa referência a um setor em que normalmente a administração pública brasileira é fiscalizada pela própria população, remete a outras áreas, como as ligadas à infraestrutura que poucos louvores merecem, especialmente pelos atrasos, custos e fiscalização ineficiente. Raramente se tem notícia de obra bem realizada, com prazos e orçamentos  respeitados. Aí está  a inauguração do importante Contorno Norte de Maringá, ocorrida na semana que passou, obra que durante algum tempo esteve interditada por exigência do TCU, sob a suspeita de superfaturamento. Com a necessidade de mostrar serviço o governo federal vem criando normas que se sobrepõe às ações desse Tribunal fiscalizador. Recentemente ao inaugurar obra em Porto Alegre, a presidente Dilma fez a infeliz afirmação de que obra interrompida (mesmo que suspeita) é prejuízo certo. Uma ode à corrupção! Deveria agora vir a público fazer um elogio ao pré-natal curitibano, o qual  comprova que bons resultados são produtos de projetos e programas sérios e bem administrados.

Fatos…

A decisão da Prefeitura curitibana de notificar judicialmente a autora de uma denúncia postada no Facebook, sobre suposta falta de alimentos no Zoológico de Curitiba, acirrou ainda mais os ânimos. Gente de todo nível questiona o fato, justificado pela Prefeitura como se nós deixarmos que esse tipo de irresponsabilidade continue, vai virar um caos.

…novos

Esse fantástico instrumento de comunicação interpessoal, que já prestou bom trabalho na convocação das manifestações de junho passado, pressionando os poderes públicos por reformas, agora presta um desserviço: convocação da galera para fazer confusão nos shoppings. Um absurdo que vai acabar gerando muita encrenca e muito prejuízo.

Mais incompetência

Esta nota confirma o comentário inicial sobre incompetência: com R$ 2,3 bilhões em sua dotação orçamentária para obras de trânsito e mobilidade, cada vez mais complicados desde que o governo optou por estimular a venda  maior de veículos automotores, congestionando as já precárias vias das cidades maiores, só R$ 1,5 bilhão teve gasto autorizado e somente R$ 839 milhões constam no Ministério das Cidades como empenhados.

Imposto  indevido

O que todo mundo intuia acaba de ser comprovado pelo próprio Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal: a defasagem na tabela de alíquotas do Imposto de Renda, que não acompanham a inflação crescente, faz com que brasileiros paguem cerca de R$ 35 bilhões – veja bem meu caro leitor – 35 bilhões a mais por ano. Por sua vez,  o governo aumenta o salário mínimo mais diminui as faixas de tributação. Cada vez gente que ganha menos entra na faixa de contribuição. O governo dá com uma mão e tira com as duas.

Em choque

A insistência da equipe econômica em manipular dados, situação que engana a leigos mas não passa desapercebida a economistas atentos, inclusive merecendo artigo do Finantial Times afirmando que a era Brasil passou, lembra a história daquela mãe que assistindo ao desfile militar aplaudia seu filho o único com passo certo – os demais soldados todos com o passo errado.