E-sports devem atingir US$ 1 bilhão em rendimentos neste ano
Os e-sports vieram mesmo para ficar e seu “boom” deve atingir patamares jamais alcançados neste ano que se inicia. De acordo com um estudo norte-americano conduzido pela Futuresource Consulting, empresa de consultoria especializada em análise de mercados digitais e novas tecnologias, o setor dos jogos on-line deve ultrapassar a marca de US$ 1 bilhão (cerca de R$ 4,2 bilhões) em rendimentos ligados a transmissões, patrocínios, premiações, merchandising e licenciamento de produtos.
Os números superam os US$ 900 milhões (cerca de R$ 3,7 bilhões) estimados para 2019, o que foi um valor considerado recorde. As expectativas são ainda maiores para os anos que virão, já que a estimativa para até 2023 é chegar à marca de US$ 1,8 bilhão (aproximadamente R$ 7,5 bilhões na cotação atual do dólar), com um crescimento anual composto de 18% no período compreendido entre os anos de 2019 e 2023, que marcam a transição da década. Números inimagináveis na passagem da última década, por exemplo, quando os e-sports ainda davam os primeiros passos em escala global e não tinham o mesmo apelo de público e mídia.
Essa expectativa de rendimento recorde é alavancada por jogos como Fortnite, League of Legends, Counter Strike, entre outros que são verdadeiras febre entre jogadores do mundo todo. Embora ainda haja discussão sobre a classificação de jogos da mente como e-sports, o poker online também é um dos propulsores deste crescimento, tendo sido um dos pioneiros no “boom” de modalidades digitais no mundo há mais de quinze anos. Para se ter uma ideia, o Campeonato Mundial de Poker Online (WCOOP) movimentou em 2019 mais de US$ 75 milhões (cerca de R$ 314 milhões) em 2019.

Brasil no olho do furacão
Quando o assunto é e-sports, o Brasil é um dos destaques. Afinal, de acordo a pesquisa Game Brasil 2019, conduzida pelo Sioux Group, Blend News Research e Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), cerca de 66,3% dos brasileiros tem o hábito de jogar, sendo que 48% se dizem praticante de e-sports, e boa parte já ganhou dinheiro com isso. O número de espectadores gira em torno de 20%.
O faturamento total do mercado (que, além do rendimento, engloba outras diversas métricas como desenvolvimento de jogos, por exemplo) no Brasil deve crescer em torno 5,3% até 2022, segundo a 19ª Pesquisa Global de Entretenimento e Mídia, da PwC, o que faz do país o líder de mercado na América Latina. A expectativa é atingir um faturamento bruto de aproximadamente US$ 1,7 bilhão (R$ 7,1 bilhões).
Embora o mercado de e-sports ainda tenha muito a crescer quando comparado aos grandes mercados, a realidade é animadora para os próximos anos. Não é à toa que as equipes especializadas em e-sports surgem diariamente no país, e o investimento tem retorno em resultados. O Brasil já fez campeões mundiais em jogos como CS:GO, Point Blank e Rainbow Six: Siege e CrossFire S. No WCOOP 2018, o Brasil conquistou 23 troféus, liderando o ranking mundial do principal torneio online de poker do mundo. No ano passado, foram as mesmas 23 conquistas, embora o país tenha ficado atrás de Rússia e Reino Unido.
Oportunidades para TI e audiovisual

Ainda segundo o estudo da Futuresource Consulting, o crescimento dos e-sports tem entres os principais beneficiados os mercados da Tecnologia da Informação e Audiovisual, uma vez que a exigência de computadores,componentes gráficos de alto rendimento e equipamentos especiais de comunicação e transmissão, como fones de ouvido, microfones e webcams, é cada vez maior. Com o crescimento exponencial das transmissões, as emissoras de TV dedicam horas e horas de sua programação às competições internacionais em todo o mundo. No Brasil, por exemplo, ESPN e SporTV contam inclusive com narradores e comentaristas especializados.
Outra área que deve crescer ainda mais é a educação a nível global em e-sports, ou seja, a capacitação de profissionais para o setor. A base de computadores instalados para esse fim em universidades e escolas deve atingir a marca de 117 mil em 2020. Com mercados como Estados Unidos, Canadá e Coreia do Sul já consolidados, países da Europa Ocidental e a China devem impulsionar esse crescimento nos próximos anos.
Espera-se também um vertiginoso aumento no número de desenvolvedores de games para computadores e mobile. No Brasil, esse número vem crescendo ano a ano, com um média de 9% entre 2007 e 2014, além de outros avanços como empresas especializadas em desenvolvimento e número de jogos produzidos. Já existem no país centro educacionais especializados em games.
Não é à toa que o setor é apontado como uma das tendências de 2020 – e das próximas décadas – por diversas consultorias especializadas em análise de mercados. São dados e indicativos suficientes para constatar que a era dos e-sports está apenas começando – e parece não ter limites para onde pode chegar…

