Economia

Bolsas da Europa fecham em baixa, sem fôlego e com Renault pressionada

As bolsas europeias fecharam em queda nesta segunda-feira, 19, perdendo força ao longo de uma sessão volátil. A cautela com a separação do Reino Unido da União Europeia, o Brexit, influiu no humor, bem como as dificuldades no diálogo sobre comércio entre Estados Unidos e China. Além disso, a ação da Renault esteve sob forte pressão, após a notícia divulgada pela mídia japonesa da prisão do executivo Carlos Ghosn.

O índice pan-europeu Stoxx 600 fechou em baixa de 0,73%, em 355,11 pontos.

As notícias do Brexit continuaram a ser monitoradas pelos investidores. Segundo o jornal Financial Times, a França lidera um esforço para deixar mais claras as consequências da saída do país da UE, porém o negociador-chefe da UE, Michel Barnier, teria advertido Paris que isso pode dificultar um acordo entre as partes. Hoje, a premiê britânica, Theresa May, voltou a defender o esboço de pacto entre Londres e Bruxelas e buscou apoio de empresários para sua estratégia. Barnier, por sua vez, disse que o período de transição pode ser estendido, sem dar detalhes.

No setor corporativo, a notícia da prisão do brasileiro Ghosn penalizou duramente a ação da Renault. Ghosn, de 64 anos, é apontado como o responsável por salvar a Nissan de uma quase falência, a partir de 1999. Além disso, é executivo-chefe da Renault e preside o conselho da Mitsubishi Motors. Uma investigação interna da Nissan, porém, mostrou que Ghosn teria reportado salários menores por vários anos a autoridades para pagar menos impostos. Além disso, a empresa disse em comunicado que o executivo infringiu normas de conduta, como o uso pessoal de ativos da Nissan. Diante do aumento das incertezas sobre seu futuro, a ação da Renault fechou em queda de 8,43% em Paris. Em breve, o conselho da Renault deve se reunir para decidir o que fazer no caso.

Na bolsa de Londres, o índice FTSE-100 fechou em baixa de 0,19%, em 7.000,89 pontos. Ashtead teve o pior desempenho, em baixa de 4,6%, mas papéis do setor de mineração subiram. Entre os bancos, Lloyds subiu 2,44%.

Em Frankfurt, o índice DAX recuou 0,85%, a 11.244,54 pontos. Deutsche Bank caiu 0,44% e Infineon Technologies teve baixa de 0,18%, entre os papéis mais negociados, mas Steinhoff avançou 8,02%.

Na bolsa de Paris, o CAC-40 caiu 0,79%, a 4.985,45 pontos. Além da queda forte da Renault, Peugeot teve baixa de 0,33%. No setor bancário, Société Générale caiu 0,20%, mas BNP Paribas subiu 0,20%.

Em Milão, o índice FTSE-MIB teve baixa de 0,29%, a 18.823,13 pontos, fechando na mínima do dia. Telecom Italia subiu 3,95%, após nomear Luigi Gubitosi como novo executivo-chefe, mas UniCredit caiu 0,64% e, no setor de energia, ENI caiu 1,21%.

O índice IBEX-35, da bolsa de Madri, terminou a jornada na mínima, em baixa de 0,56%, a 9.006,30 pontos. Santander recuou 0,40% e Banco de Sabadell cedeu 1,58%, enquanto Telefónica teve queda de 0,40%.

Na bolsa de Lisboa, o índice PSI-20 recuou 0,21%, a 4.903,59 pontos, também na mínima. (Com informações da Dow Jones Newswires)