Campo Mourão

Começa a faltar produtos em supermercados de Campo Mourão

Temendo desabastecimento, consumidores correram às compras durante a semana (Foto: Walter Pereira)

Vários supermercados de Campo Mourão já registram falta de produtos, principalmente frutas e verduras, laticínios e carnes de todos os tipos devido a greve dos caminhoneiros. Os mercados menores, que trabalham com estoques menores, são os primeiros a sentir os reflexos. A proprietária da rede de supermercado Paraná, que tem 3 lojas na cidade, Leila Maria Tonello da Luz, informou que a empresa está limitando itens por compra. “As carnes que estavam para chegar estão todas paradas em bloqueios”, afirmou.

De acordo com ela, os reflexos na loja só não estão sendo piores porque o supermercado tem seu próprio Centro de Distribuição (CD). “Só estamos vendendo o que temos no estoque”, falou. Os produtos perecíveis, como frios e hortifrútis, são os primeiros a faltar. Leila comentou, que o supermercado recebia antes da greve dos caminhoneiros, entre 50 a 110 caminhões com hortifrútis de Ceasas de Maringá, Rio Grande do Sul e Nordeste, mas desde então, não tem recebido mais os produtos. “Está tudo parado já desde sábado. A situação está muito preocupante”, alertou.

Contudo ela diz apoiar o manifesto. “Temos que ser solidários, porque do jeito que está realmente não dá mais. Estamos sofrendo muito com os custos abusivos de tudo. E o brasileiro é muito bom demais, acaba aceitando tudo e realmente não dá mais”, argumentou. A empresária ressaltou que a greve dos caminhoneiros não é somente da categoria, mas ‘da nação brasileira’. “É toda a sociedade que há muito tempo vem pagando do seu bolso a alta carga de impostos”, frisou.

A mesma situação é encontrada no supermercado Carreira. O sócio proprietário do estabelecimento, Paulo Antonio Marques Carreira falou que o gás de cozinha, por exemplo, se esgotou desde quinta-feira. “A procura foi muito grande desde o início da greve dos caminhoneiros esgotando nossos estoques”, afirmou. No supermercado já está faltando também alguns itens de hortifrúti, como verduras, legumes, batata, cebola, entre outros. “Se a greve continuar por mais alguns dias vai começar a faltar também carne, leite, entre outros produtos perecíveis”, frisou.

Apesar dos transtornos, o empresário disse que apoia a greve. Segundo ele, ‘o brasileiro está cansado de aceitar muitas condições que o governo impõe’. “São encargos abusivos todos os dias, tudo tem limite”, ressaltou. Ele disse que desde o início da greve, que começou na segunda-feira (21), o movimento de clientes no supermercado aumentou em torno de 30%. São pessoas que temendo o desabastecimento já anteciparam suas compras.

Apras

A Associação Paranaense de Supermercados (Apras) emitiu nota oficial expressando a preocupação com as consequências dos bloqueios nas rodovias para o abastecimento de gêneros básicos, notadamente o de alimentos perecíveis, tais como frutas, legumes, verduras, carne in natura e demais categorias de produtos resfriados, como laticínios. "Mesmo com o esforço do setor de supermercados para garantir o perfeito abastecimento da população, empresas filiadas à Aprasreportaram que já começam a ter seus estoques de produtos comprometidos", diz a nota.