Dengue: infestação de larvas atinge 8,86% e deixa Campo Mourão em estado de alerta
O município de Campo Mourão iniciou 2018 com sinal de alerta vermelho para a dengue. O Departamento de Vigilância em Saúde do município divulgou nesta segunda-feira (8), que o índice de infestação do Aedes aegypti, mosquito transmissor da doença atingiu 8,86%. Foi o primeiro LIRA (Levantamento Rápido do Índice de Infestação por Aedes aegypti) do ano. É o maior índice registrado desde os últimos 3 anos, quando em 2015 os números alcançaram 6,7%, no mesmo período. A situação coloca o município em alto risco de infestação de dengue.
Ao todo os agentes de endemias trabalharam em 35 localidades da cidade. Três delas, no jardim Ipê II que inclui os bairros Maria Barleta, Acácia e Novo Centro; Santa Nilce, que abrange o jardim Conrado; e Flora que atinge o Flora I, II e Xangrilá, tiveram índices abaixo de 1%. Também três localidades apresentaram médio risco de infestação (índice de 1,01 a 4%); e 29 para alto risco, com índices acima de 4%.
Conforme o levantamento, as localidades com os maiores índices de infestação são: jardim Mário Figueiredo, que engloba o Batel: 25%; Cidade Alta (16,67%); Pio XVII, que abrange o jardim Indianópolis (16,05%); Paulino (Europa e Parque Industrial, 15%); Santa Cruz (José Richa Modelo, 14,71%); Ipe I (Damasco, Fernandes, Ipê, 13,89%); Alvorada (Bandeirantes, Piacentini, Primavera, 12,79%); Estádio Municipal (centro, 12,73%); Paulista (Flor do Campo, 12,50). As regiões do jardim Aeroporto, Araucária, Lar Paraná, Capricónio, Milton de Paula Walter, Vila Urupês, Isabel, Tropical I e II, Diamante Azul, Fortunato Perdoncini, Copacabana, Cidade Nova, Laura, e Cohapar também apresentaram altos índices que variam de 4,17% a 10%.
De acordo com os dados, 45% dos focos foram encontrados em locais que os moradores utilizam para estoque de água das chuvas, como tambores, tanques e baldes; 25% em lixos recicláveis e sucatas; 13% em pratos de plantas, e bebedouros de animais; 11% em pneus descartados irregularmente; 5% em caixas de água; e 1% em poças de águas e a plantas que acumulam água.
Os agentes visitaram 1.449 imóveis da cidade, constatando a presença de larvas em pelo menos 155 deles. De acordo com Carlos Bezerra, coordenador do Comitê Gestor da Dengue no município, a situação é preocupante. Ele pede a colaboração dos moradores no combate ao mosquito Aedes. Até o momento, Campo Mourão não registrou casos, mas com a circulação de pessoas para fora e visitantes de outras cidades no município, a tendência é ter aumento da circulação do vírus, alertou Bezerra. Segundo ele, o próximo LIRA será realizado no início de março.
O levantamento apontou ainda que 75% dos focos foram encontrados em residências; 14% terrenos baldios; 8% entre outros imóveis; e 3% em comércios. Bezerra observou que de um tempo para cá muitos moradores estão descartando lixos e sucatas em terrenos baldios, fundo de vales, e em áreas públicas, o que está contribuindo para o aumento dos índices. Isso está ficando crítico, muitos destes materiais acumulam água e é um ‘prato cheio’ para proliferação do mosquito, alertou.
O coordenador orienta aos moradores que evitem o acúmulo de lixos que possam servir de criadouros para o Aedes, vedem corretamente caixas d’água para evitar a entrada de mosquitos, façam o tratamento correto de piscinas, entre outras medidas. Até o momento desde junho de 2016 estamos sem registro de dengue em Campo Mourão, mas se a situação continuar como está corremos o risco de uma epidemia, ressaltou.
Município vai intensificar ações contra dengue e promete rigor contra reincidentes
De acordo com o coordenador do Comitê Gestor da Dengue de Campo Mourão, Carlos Bezerra, as ações contra a dengue no município são contínuas. Ele disse que o município irá intensificar as ações contra o mosquito nos próximos dias em decorrência da situação e que também moradores reincidentes serão autuados.
Vamos ampliar a partir deste mês a Hora H em caminhadas ecológicas, mutirões de limpeza, e vamos ampliar também ações na área de educação e saúde, promovendo palestras nas escolas pedindo também a mobilização dos estudantes, frisou.
Concomitantemente a estas ações, o Comitê da Dengue irá solicitar junto ao Ministério Público ações coercitivas e intensificar as autuações da Vigilância Sanitária com multas, o que poderá resultar na abertura de processo civil penal contra o responsável. Outro grave problema que está acontecendo no município é que muitos moradores estão recusando a entrada de agentes de endemias nos seus quintais, o que é um absurdo e algo inaceitável, lamentou.
Bezerra disse que o município está com uma equipe formada por 50 agentes de endemias, que tem a missão de visitar mais de 49 mil imóveis da cidade nas fiscalizações.

