Paraná

“Vou representar o povo”, diz professor Oriovisto sobre disputa ao Senado

(Foto: Walter Pereira/Tribuna do Interior)

Pré-candidato ao Senado da República, o empresário professor Oriovisto Guimarães (PODE), tem como principal bandeira, caso eleito, o combate à corrupção. Ele, que esteve de passagem por Campo Mourão na última semana, disse também ao responder a uma pergunta da TRIBUNA, durante coletiva de imprensa, que está entrando para a disputa para ser representante do Paraná e do povo dentro do Senado. “Não posso de forma alguma ter uma atitude que contraria os interesses do povo”, falou.

Guimarães entra para a política como uma nova opção, ou seja, nunca foi candidato a nenhum cargo eletivo. “Estou sendo [candidato] agora porque me desliguei totalmente do grupo [Positivo] e tenho muita vontade de trabalhar ainda. Quero fazer um bom trabalho no Senado”, falou. Em sua visão, o Senado tem vários aspectos que precisam ser “encarados”.

“Um deles é que o Senador é o representante do Estado. Nós tivemos em um passado recente senadores muito preocupados com questões ideológicas, visões de mundo ultrapassadas, e que brigavam com o governador impedindo que verbas federais importantes viessem para o Paraná. O Estado perdeu alguns bilhões de reais por causa destas brigas totalmente insanas e sem nenhum sentido”, observou.

Quem é Oriovisto?

Nascido em Batatais (SP), morou no interior do Paraná nas cidades de Bela Vista do Paraíso, Mandaguari e Apucarana. É filho de família de poucos recursos, viveu em casa simples e cresceu entre livros e discussões políticas. Mas sua alma inquieta e sua veia empreendedora queriam mais.

Aos 17 anos, mudou-se para Curitiba. Morou na pensão da dona Martha, na Praça Santos Andrade, e deu aula particular de matemática para ganhar a vida. Passou nos vestibulares de Engenharia e Ciências Econômicas, mas formou-se apenas em Economia, na Universidade Federal do Paraná.

Foi professor em cursinho pré-vestibular e, com amigos, fundou o Curso Positivo em Curitiba. Depois vieram as escolas de ensino médio, ensino fundamental e a Universidade Positivo, da qual foi fundador e reitor durante 10 anos. É membro titular da Academia Paranaense de Letras. Participou também da criação da Positivo Informática, que se transformou na maior fabricante brasileira de computadores.

Deixou a presidência do grupo com cerca de dez mil funcionários e mais de um milhão de alunos que utilizam o método de ensino do Positivo ao redor do Brasil e no exterior. Como empresário e empreendedor, sempre acompanhou a política e lutou contra o regime militar em 1968. Leia abaixo a entrevista completa.

Diante do alto custo da máquina pública, o que senhor propõe para o Brasil ser mais eficiente e dinâmico, se for eleito?

Primeiro ponto que quero dizer é o seguinte: eu entendo que existem duas formas de desviar o dinheiro público, uma forma é o roubo, puro e simples. Como acontece com o petróleo, como acontece em obras superfaturadas, este tipo de coisa. Mas existe outra forma de desviar o dinheiro público que é mais difícil de ser combatida, que é a má aplicação do dinheiro. A aplicação sem produtividade. Só para se ter uma ideia, o Palácio do Planalto tem mais de 3 mil serviçais, enquanto a Casa Branca [nos EUA] tem 318. O presidente dos Estados Unidos consegue conviver bem com 10% do número de funcionários que tem o nosso presidente. Nós temos mais de 100 mil cargos de confiança. Um senador tem privilégios que me parecem totalmente incabíveis, como por exemplo, um plano de saúde que acompanha ele e a família para o resto da vida. Eu não vou aceitar isso, não preciso destes cargos de confiança e não preciso desta ‘coisarada’ toda e quero ser um grande ‘chato’ naquele Senado, porque acho que temos que dar exemplo. Hoje tem um divórcio entre os políticos e a sociedade civil que é uma coisa absurda. Tem pesquisas do Datafolha que dizem que hoje 60% dos jovens brasileiros se pudessem, mudavam do Brasil. Me dói ver uma coisa dessa. Os políticos e a política tem que ser um fator de encantamento, não um fator de desespero que obriga as pessoas a querer mudar daqui. E existem várias formas de fazer política. Ser candidato é apenas uma delas. Quero combater fortemente privilégios e mau uso do dinheiro público.

Qual sua proposta no combate à corrupção?

Quero dize que fui o primeiro candidato do Brasil a assinar a aquele movimento Todos Contra a Corrupção, lançado em Curitiba. O movimento traz 70 medidas conta a corrupção, que foram elaboradas pelos melhores 200 especialistas em transparência do mundo inteiro. Não sei se precisam as 70, mas se aprovar umas 20 daquelas vai ficar impossível de ter corrupção neste País. Eu vou lutar por isso, e aquele triste episódio das 10 medidas, assinadas por milhões de brasileiros chegou lá, e alguns senadores conseguiram transformar num tiro pela culatra. Conseguiram transformar no abuso contra autoridade, que é exatamente para não deixar os promotores trabalhar eme para inibir os juízes de julgar.

O senhor é a favor de uma reforma política no Brasil?

É claro que o Brasil vive hoje uma situação política absurda. Nós temos mais de 30 partidos em vigor e mais 70 na fila para ser autorizados. Porque isso? Por uma razão muitos simples: há certo empreendedorismo político. O ‘cara’ quer ser dono do partido porque ele tem acesso a fundo partidário e porque tem acesso a horário gratuito de rádio e televisão. Isso tem que ser inibido com cláusula de barreira. Já existem algumas, temos que aumentar ainda mais. Não precisa proibir que se criem partidos, mas sim o acesso fácil ao dinheiro público e isso vou lutar para que aumente ainda mais estas barreiras. Não existem 30 caminhos ou 30 ideologias. Isso é uma piada, não existem 30 saídas para o Brasil. Eu me coloco no centro com a visão objetiva de resolver problemas, de não ficar cantando ideologias, que isso não leva a lugar nenhum que isso é coisa do século passado.

Qual sua visão sobre a reforma trabalhista aprovada no País recentemente?

Eu sou um fã da reforma trabalhista. O Brasil tinha mais de 17 mil sindicatos, é um absurdo, os Estados Unidos tem 300. Dezessete e poucos mil sindicatos para que? Sindicato dos professores, eu fui empresário da educação e o sindicato dos professores das escolas particulares tinha um dono. E a pública também tem um dono. Sempre eles têm um dono, o ‘cara’ fica lá presidente a vida inteira. Eu acredito que a reforma foi boa. Esse negócio de tirar um dia do salário de todo trabalhador para dar a sindicato na marra acabou e espero que não volte nunca e outros aperfeiçoamentos ainda que venham ser necessários.

A reforma tributária no Brasil é uma necessidade? Como o senhor vê o assunto?

É claro que um governo que está quase quebrando e tem um déficit de 270 milhões de dólares só na previdência, a primeira e mais urgente reforma eu acho é da previdência. Tem que ser feita. O fim da corrupção e a reforma da previdência para mim são absolutas prioridades. Fim da corrupção a mais absoluta de todas, porque em um lugar onde tem gente roubando tudo mais vai mal, tem que moralizar o País. Vou resumir a minha visão da reforma da previdência com uma única frase: uma única previdência para todos os brasileiros. Não pode ter duas previdências, não pode ter dois Brasil, não pode ter gente que vai lá e fica um ano ou dois e sai com uma aposentadoria de 35 mil. É o que temos, os que trabalham no setor público tem aposentadoria especial, tem estabilidade e isso eu acho que tem que mudar neste País, vamos ter que enfrentar estas questões. Uma sociedade dividida entre os que têm privilégios e os que não têm nada não e uma sociedade republicana. Está muito mais para medieval.