Advogados rebatem associação de Abdul em atentado em Campo Mourão

Os advogados Pedro Henrique Ribeiro e Fernando Campos Beraldo se manifestaram, em entrevista exclusiva à TRIBUNA, nessa terça-feira (21), para rebater a associação do nome de Abdul Karim Sate ao atentado registrado na noite de 17 de julho, em Campo Mourão, que deixou dois mortos e três feridos graves. Segundo a defesa, embora o nome do cliente tenha passado a ser relacionado ao caso por alguns veículos de comunicação (de fora da cidade), em nenhum momento a Polícia Civil o apontou como suspeito, investigado ou mandante do crime.

Abdul cumpre pena em um presídio federal de segurança máxima, em Curitiba, após condenações em processos criminais relacionados a organização criminosa e outros delitos graves. As condenações são públicas e já transitaram pelas instâncias do Judiciário.

Para Pedro Henrique Ribeiro, a associação do nome do cliente ao atentado causou surpresa, principalmente pelo histórico da relação entre Abdul e a ex-esposa, Veridiana Gaya Menin Machado Sate, apontada pela investigação como alvo dos disparos. “Infelizmente, essa fatalidade acabou atingindo a todos da cidade. Nós ficamos muito consternados e muito chocados com a situação. Quando houve a vinculação do nome do Abdul, nós ficamos muito surpresos, porque ele não tem participação nenhuma, não tem vínculo e não teria qualquer interesse em ceifar a vida da Veridiana”, afirmou.

O advogado destacou que Abdul e Veridiana foram casados por vários anos, têm uma filha de 10 anos e, apesar da separação, mantinham uma convivência ‘respeitosa por meio dos familiares’. “O Abdul tem boa relação com familiares dela. Eles estão separados há mais de quatro anos, ele está em um novo relacionamento e não teria motivo algum para um crime dessa natureza”, sustentou.

Segundo Ribeiro, Abdul já tomou conhecimento do atentado no presídio onde cumpre pena. Ele disse que, de acordo com informações repassadas por pessoas que o visitaram recentemente, a notícia o abalou emocionalmente. “Quando chegou essa informação para ele, ficou muito triste, muito chateado, porque foi um atentado contra a ex-esposa dele, com quem tem uma filha de 10 anos”, relatou. O advogado disse ainda não ter conversado pessoalmente com o cliente desde a repercussão do caso, mas afirmou que pretende tratar do assunto em momento oportuno.

Ribeiro afirmou não ter dúvidas de que Abdul Karim Sate não possui qualquer ligação com o atentado. “Tenho 100% de certeza de que ele não tem participação nenhuma nesse fato. Posso afirmar, sem sombra de dúvidas, que ele não tem vínculo nenhum com esse crime”, ressaltou. O defensor também fez questão de destacar que a Polícia Civil de Campo Mourão não vinculou o cliente ao caso. “A Polícia Civil, em momento algum, vinculou o nome do Abdul. Pelo contrário, fez um trabalho extraordinário e conseguiu identificar o autor dos disparos em tempo recorde. Por isso causa estranheza essa associação, sendo que nem a investigação nem a imprensa de Campo Mourão fizeram essa vinculação”, afirmou.

O atentado

O ataque ocorreu na noite da última sexta-feira (17), em uma conveniência localizada na Avenida Guilherme de Paula Xavier, região central de Campo Mourão. Um adolescente chegou ao local, saiu por alguns instantes e retornou usando uma balaclava, efetuando diversos disparos contra as pessoas que estavam no estabelecimento.

Duas pessoas morreram no local: Márcio Bertholdo Geraldo, de 43 anos, e Michael Zachytko Cavalcante, de 38 anos. Outras três pessoas ficaram gravemente feridas, entre elas Veridiana Gaya Menin Machado Sate, de 40 anos, além de um homem de 41 anos e uma jovem de 23 anos. Inicialmente, a Secretaria de Estado da Segurança Pública chegou a informar, de forma equivocada, a morte de Veridiana, mas posteriormente corrigiu a informação. Ela permanece internada na Santa Casa de Campo Mourão.

Com o avanço das investigações, já identificado, um adolescente de 15 anos se apresentou à Polícia Civil, acompanhado de uma advogada, confessou a autoria do crime e entregou a arma utilizada. Segundo a investigação, ele afirmou que agiu por vingança e indicou Veridiana como alvo do atentado. A Polícia Civil segue apurando o caso.