Caso Isabel: investigado procurou veneno para matar animais de até 100 quilos, diz polícia
O homem investigado pela morte de Isabel Brilhador, de 65 anos, em Campo Mourão, teria procurado informações sobre veneno sob a justificativa de matar animais de aproximadamente 80 a 100 quilos em um sítio. Segundo o delegado responsável pelo caso, Luã Mota, as mensagens foram identificadas durante a investigação e integram os elementos que sustentam a hipótese de envenenamento. A causa da morte, porém, ainda depende de laudo pericial. As informações foram apresentadas à imprensa durante uma coletiva na tarde dessa terça-feira (6), acompanhada pelo delegado-chefe da 16ª Subdivisão Policial, Nilson Rodrigues da Silva.
De acordo com Mota, o investigado consultou várias pessoas sobre substâncias que poderia comprar. Afirmava que precisava eliminar animais que estariam causando transtornos em uma propriedade rural. Conforme o delegado, o sítio mencionado pelo homem não existia. Conforme o delegado, “Ele falava que precisava matar alguns bichos de aproximadamente 80, 100 quilos”, relatou o delegado.
Conforme informou Mota, a investigação também identificou conversas entre o acusado e Isabel sobre um suposto medicamento. Segundo o delegado, ele teria dito que os dois estavam com uma infecção e que ela precisaria tomar o produto para se precaver. A descrição da substância teria mudado ao longo do diálogo: inicialmente, ele falava em um medicamento em pó.
Para a Polícia Civil, essas mensagens têm relação com a hipótese investigada para a morte. O delegado ressaltou, entretanto, que a confirmação depende dos exames, cuja realização é dificultada pelo intervalo entre a morte e a localização do corpo.
Mota informou à impressa que o inquérito foi concluído. O acusado, foi indiciado por feminicídio, ocultação de cadáver, fraude processual e furto mediante fraude. Segundo o delegado, os investigadores reuniram elementos que apontam um relacionamento afetivo entre o preso e Isabel há aproximadamente dois anos. Ele tinha acesso à residência, e as conversas entre ambos indicavam uma relação de casal. Mota também mencionou a idade da vítima como circunstância considerada no indiciamento por feminicídio.
O investigado permanece preso temporariamente, mas a Polícia Civil pediu a conversão da prisão em preventiva. Na coletiva, o delegado não apontou uma linha de investigação que envolvesse outro participante no crime. A conclusão policial aponta a morte da vítima entre os dias 28 e 29 de agosto. O desaparecimento foi comunicado pela família em 5 de setembro. Nesse intervalo, segundo Mota, o homem teria utilizado o celular de Isabel para conversar com familiares e amigos, fazendo-se passar por ela.
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As mensagens, conforme informou Mota, diziam que Isabel estava doente e precisava viajar. Conforme a investigação, essas comunicações contribuíram para retardar o aviso à polícia. Entre outros elementos apresentados pelo delegado está uma fotografia encaminhada à filha de Isabel para sustentar a versão de que a mãe estava viajando e se encontrava em um sítio, em uma região de mata.
Segundo Mota, a investigação identificou que a imagem havia sido feita no celular do próprio investigado. Ele teria enviado a fotografia ao aparelho de Isabel e, depois, encaminhado à família como se a comunicação tivesse partido dela. “Ele encaminhou para o celular da vítima e da vítima ele encaminhou para a família, porque ele tinha esse controle já do celular”, afirmou. O delegado relacionou essa versão de viagem às informações que circularam no início das buscas sobre a possibilidade de Isabel estar na região de Mato Rico.
Já durante a análise das movimentações financeiras, a polícia também identificou pagamentos realizados no dia 3 de setembro, quando, conforme apontam as investigações, Isabel já estava morta. Mota informou que o investigado utilizou a conta da vítima para pagar um almoço com amigos em um restaurante na área central de Campo Mourão. Na sequência, teria abastecido o carro, enchendo o tanque em um posto de combustível.
Conforme o delegado, os pagamentos foram feitos pelo celular de Isabel. Questionado durante os interrogatórios, o homem teria apresentado quatro versões diferentes, em aproximadamente dois minutos, sobre como havia recebido o aparelho.
Uma das explicações seria que Isabel teria emprestado a ele o telefone naquela tarde e que havia devolvido por volta das 17 horas. O encontro, segundo a versão relatada pelo investigado à polícia, teria ocorrido casualmente na rua. Mota afirmou que os elementos reunidos contradizem essa narrativa. Segundo ele, por volta das 20 horas daquele mesmo dia, o celular estava na residência onde o investigado morava com a mãe.
A Polícia Civil também identificou uma transferência de R$ 74.400 da conta de Isabel para a conta bancária do acusado no dia 4 de setembro. De acordo com o delegado, a movimentação ocorreu depois da morte, sendo qualificada como furto mediante fraude.
Outro elemento apresentado durante coletiva foram mensagens enviadas pelo investigado a várias pessoas solicitando uma pá após o período em que a polícia estima que Isabel tenha sido morta. Mota disse que pessoas ouvidas confirmaram os pedidos e que as mensagens também foram identificadas no celular do homem. A ferramenta supostamente utilizada para a ocultação do corpo não foi localizada. O aparelho de Isabel também não foi encontrado.
Segundo o delegado, no dia 31 de agosto o investigado permaneceu na residência da vítima por aproximadamente uma hora e meia a duas horas. A polícia acredita que a ocultação do corpo tenha ocorrido nesse dia. A investigação encontrou limitações no levantamento de imagens de segurança. Conforme Mota, quando os agentes procuraram as gravações, parte dos equipamentos já não mantinha os registros do período, em razão do prazo de armazenamento.
O delegado também contestou uma narrativa apresentada pela defesa sobre a presença de outra pessoa na casa. Segundo ele, a testemunha indicada foi ouvida e não confirmou a versão.
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O crime
Isabel desapareceu no dia 4 de setembro. A família registrou um boletim de ocorrência no dia seguinte. Durante a apuração, familiares também relataram mudanças nas mensagens atribuídas a ela desde 28 de agosto. A Polícia Civil ouviu familiares e testemunhas, analisou imagens de câmeras e informações do celular e realizou buscas em áreas de mata, com apoio do Corpo de Bombeiros e de cães.
O investigado foi preso temporariamente no dia 10 de setembro. Segundo informações da investigação divulgadas à época, ele teria apresentado contradições nos depoimentos. No dia 15 de setembro, o corpo de Isabel foi encontrado enterrado no quintal da própria residência, no Jardim Cidade Alta, durante buscas realizadas pela polícia com auxílio de cães.

