Corpo de Isabel estava em cova rasa em uma espécie de horta no quintal da vítima
Embora com desfecho trágico, chegou ao fim a angústia de familiares de Isabel Brilhador, de 65 anos. O corpo da mulher foi encontrado enterrado em uma cova rasa no quintal da própria residência, na manhã desta terça-feira (15), em Campo Mourão. A localização aconteceu depois que o avanço das investigações levou a Polícia Civil a concentrar as buscas no imóvel, na Rua Luiz Vieira Mourão, no Jardim Cidade Alta II.
O delegado Luã Mota, responsável pela investigação, informou à TRIBUNA que o corpo estava em uma área semelhante a uma horta, em um corredor lateral entre a casa e o muro que divide a residência de outro imóvel. O local era estreito e havia plantas sobre a terra, o que dificultava perceber qualquer alteração no terreno.
“A Polícia Civil, desde o primeiro momento em que recebeu a notícia do desaparecimento da dona Isabel, vinha investigando o caso com afinco. Hoje, após o mapeamento das investigações, conseguimos identificar que o corpo poderia estar na própria residência”, afirmou Mota em entrevista ao jornal.

Para o delegado, as condições encontradas no imóvel indicam que o crime foi premeditado. A casa estava organizada, sem sinais de arrombamento, desordem ou luta corporal. “Foi um crime completamente premeditado. A casa não tem nenhuma desordem, sinal de arrombamento ou indício de luta corporal. Foi um crime calculado”, declarou.
A família percebeu a ausência de Isabel no dia 4 de setembro e comunicou o desaparecimento à polícia no dia seguinte (5). No entanto, Mota disse que a Polícia Civil trabalha com a possibilidade de que ela tenha sido morta ainda no final de agosto. Conforme o delegado, durante os dias seguintes o investigado teria mantido contato com os familiares para retardar a comunicação do desaparecimento.
Antes de desaparecer, Isabel costumava enviar áudios, fotografias e mensagens sobre sua rotina. A partir do fim de agosto, porém, passou a responder apenas por textos curtos. Em diferentes momentos, o telefone também permaneceu fora de área. Uma das filhas tentou fazer uma chamada de vídeo após receber uma mensagem atribuída à mãe, mas não foi atendida.

Desde que o desaparecimento foi comunicado, investigadores passaram a colher depoimentos, analisar imagens de câmeras de segurança, movimentações financeiras e dados relacionados ao telefone da mulher. O delegado informou que as buscas já haviam passado pela residência. Cães farejadores estiveram no imóvel na semana passada, mas não localizaram o corpo. Segundo Mota, uma das possíveis explicações está relacionada ao tempo decorrido desde a morte.
“De acordo com informação repassada à equipe, os cães começariam a detectar o cheiro após cerca de 17 dias. Na primeira vez em que estivemos no local, havia se passado aproximadamente dez dias do período em que acreditamos que ela tenha sido morta. Esse pode ter sido um dos motivos de não termos conseguido encontrá-la”, explicou.
As buscas também foram realizadas em uma área de mata próxima à Rua Venceslau Virchow, no Residencial Parque Arnaldo Walter Bronzel. A definição do local aconteceu a partir de informações relacionadas ao telefone de Isabel. O trabalho contou com o apoio do Corpo de Bombeiros e de um cão farejador do canil de Cascavel. O animal chegou a sinalizar alguns pontos na mata e as equipes fizeram escavações, mas nenhum vestígio foi encontrado.
O delegado Nilson Rodrigues da Silva, chefe da 16ª Subdivisão Policial (SDP) de Campo Mourão, confirmou a identificação preliminar. Após os trabalhos no imóvel, o corpo foi encaminhado à Polícia Científica. “Sem dúvida nenhuma, é o corpo da dona Isabel. Agora a Polícia Científica fará o exame pericial, que vai confirmar a causa da morte, se houve esganamento ou qualquer outro tipo de ferimento. Isso somente a necropsia poderá apontar”, informou Silva. Segundo ele, as condições em que o corpo foi encontrado deverão contribuir para a realização dos exames.

Prisão e Pix de R$ 80 mil
Um homem de 31 anos foi preso temporariamente na quinta-feira (10), por possível envolvimento no caso. Ele foi localizado em uma residência na Rua Deputado Darcy Deitos, no Jardim Fortunato Perdoncini, e encaminhado à 16ª SDP. Ele tinha um relacionamento de cerca de dois anos com a vítima.
A prisão foi solicitada após a Polícia Civil identificar contradições no depoimento do investigado. De acordo com a investigação, a versão apresentada por ele divergia da cronologia dos fatos e de outros elementos reunidos durante as diligências.
A polícia também apura uma transferência via Pix de aproximadamente R$ 80 mil, feita da conta de Isabel para a conta do investigado na mesma semana do desaparecimento. O homem nega envolvimento. A defesa informou anteriormente que ele estava colaborando com a investigação e sustentou que não tinha participação no caso.
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O delegado Luã Mota acrescentou que o inquérito deverá ser concluído dentro do prazo da prisão temporária. “A expectativa é concluir o inquérito policial no prazo de 30 dias, quando termina o período da prisão temporária, pedir a conversão em prisão preventiva e encaminhar o procedimento ao Ministério Público para prosseguimento”, afirmou.
O genro de Isabel, que se identificou como Rodrigo, comentou sobre a angústia enfrentada pela família desde o desaparecimento. “Foram dias de muita angústia, tentando saber onde ela estava, se estava viva. Agora a resposta veio. Não era o que a gente queria, mas, infelizmente, aconteceu o pior. Esperamos que a Justiça seja feita. É muito difícil para a gente”, disse.

