Álvaro Dias desiste da disputa pelo Senado no Paraná: “sem condições necessárias”
O ex-governador e ex-senador Álvaro Dias (MDB) anunciou nessa segunda-feira (3) que não será candidato ao Senado nas eleições de outubro. A decisão foi comunicada em uma carta aberta, na qual ele atribuiu a desistência à falta de unidade política dentro do grupo liderado pelo governador Ratinho Junior. “Compreendi que hoje não existem, dentro do grupo político liderado pelo governador, as condições necessárias para construir essa unidade que eu tanto almejei, também em torno do meu nome”, afirmou.
Dias vinha sendo apontado como um dos principais nomes da corrida pelas duas vagas ao Senado pelo Paraná. Levantamento realizado pela Genial/Quaest, divulgado recentemente, o colocava na liderança, com 20% das intenções de voto. Apesar da vantagem nas pesquisas, o ex-senador afirmou que uma candidatura não depende apenas do apoio popular, mas também das articulações partidárias. “Na política atual, prevalecem os arranjos, as composições e a vontade dos políticos”, declarou. Segundo ele, a ausência de consenso dentro da base governista inviabilizou a construção de uma candidatura de unidade.
O político também afirmou que não aceitaria ser motivo de divisão no grupo político. “Nunca coloquei um projeto pessoal acima de um projeto coletivo. Não fiz isso no passado e, por isso, também não o farei agora”, escreveu no documento. “Portanto, essa é uma decisão que talvez decepcione alguns amigos, mas que considero a mais correta diante das circunstâncias: não serei candidato”, complementou.
A desistência ocorre pouco mais de dois meses depois de Álvaro visitar Campo Mourão. Em maio, durante o lançamento de um livro sobre sua trajetória política, na sede da Comunidade dos Municípios da Região de Campo Mourão (Comcam), ele conversou com a TRIBUNA e afirmou que ainda não se considerava pré-candidato à época, embora seu nome já fosse defendido pelo MDB para a disputa. Na ocasião, o ex-senador disse que aguardaria o momento oportuno para anunciar uma decisão. Segundo ele, uma possível candidatura dependeria da viabilidade eleitoral, do apoio popular e da conclusão das articulações entre partidos e lideranças políticas. Em junho, voltou a declarar que a candidatura somente avançaria caso houvesse entendimento político capaz de sustentá-la.
Na carta, Dias afirmou que tomou a decisão com serenidade, sem ‘mágoa, ressentimento ou revolta’. “A política é feita de ciclos e é necessário reconhecer tanto o momento de avançar quanto o de recuar”, enfatizou. O ex-senador afirmou ainda que continuará participando do debate público, oferecendo sua experiência, apoiando ideias e se manifestando quando for chamado. Ele também agradeceu às pessoas que demonstraram apoio à sua candidatura e afirmou que os mandatos são passageiros, ‘mas os valores permanecem’. “Na política somos passageiros. Os mandatos passam. Mas os valores permanecem e eu não estou disposto a negociar os meus”, escreveu.
Dias encerrou a manifestação dizendo que pretende permanecer mais próximo da família, dos amigos e dos apoiadores. Ex-governador do Paraná, ele iniciou sua carreira política após ser eleito vereador de Londrina em 1968. Em 1970, concorreu ao cargo de deputado estadual, elegendo-se para a Assembleia Legislativa. Em 1974 e 1978, foi eleito e reeleito deputado federal. Em 1982, o político foi eleito senador da República. Na eleição seguinte, em 1986, foi eleito governador do Paraná. Em 1998, elegeu-se senador da República pela segunda vez, sendo reeleito em 2006 e 2014. Em 2018, candidatou-se à Presidência da República.

