Após mandato na Itália, Renata Bueno mira vaga na Câmara Federal
Depois de exercer um mandato no Parlamento italiano e disputar outras duas eleições naquele país, Renata Bueno (Cidadania) volta à política eleitoral brasileira na tentativa de conquistar uma vaga na Câmara dos Deputados pelo Paraná. Em entrevista à TRIBUNA, ela atribuiu a decisão à ligação com Campo Mourão e à possibilidade de usar a experiência internacional para buscar oportunidades, investimentos e novos mercados para o Estado.
Renata apontou a educação, a saúde pública e o fortalecimento da economia como as três prioridades de sua candidatura. A proposta, segundo ela, é aproximar a formação dos jovens das exigências do mercado de trabalho, ampliar o financiamento da saúde nos municípios e apoiar o agronegócio, as cooperativas, a agroindústria e os empreendedores.
“O que eu apresento é uma combinação pouco comum: raiz no Paraná, experiência concreta na política e uma visão internacional. Conheço a realidade daqui, mas também aprendi a enxergar oportunidades além das nossas fronteiras”, afirmou. Na educação, a candidata defendeu formação técnica, acesso à tecnologia e programas de intercâmbio que também alcancem estudantes de escolas públicas e moradores de pequenos municípios. Segundo ela, o avanço da inteligência artificial e de outras tecnologias exige mudanças na preparação dos jovens. “Nascer em cidade pequena não pode significar ter menos oportunidade”, disse.
Renata mantém atividades profissionais e familiares na Itália. Questionada pelo jornal sobre como a experiência naquele país poderia produzir resultados para o Paraná, citou relações construídas com universidades, empresas, instituições e profissionais estrangeiros. A candidata afirmou que pretende utilizar esses contatos para estimular intercâmbios, acordos entre universidades, acesso a tecnologias para a agroindústria e a abertura de mercados para produtos paranaenses.
“Experiência internacional só faz sentido quando vira oportunidade aqui. Eu conheço os dois lados dessa ponte e sei como aproximá-los”, declarou. Ela também disse que o contato com o sistema de saúde italiano pode contribuir para a formulação de projetos no Paraná. A proposta é aproximar hospitais, universidades e centros de pesquisa para atrair formação, tecnologia e investimentos.
Para Campo Mourão e os demais municípios da Comcam, Renata indicou como prioridades os investimentos em infraestrutura, o fortalecimento dos consórcios municipais e a integração regional. Na avaliação da candidata, as condições das rodovias aumentam os custos do transporte e reduzem a competitividade da produção. Ela citou como exemplo o tempo de viagem entre Campo Mourão e Curitiba. “Há cerca de 40 anos, a viagem de Curitiba a Campo Mourão se fazia em aproximadamente quatro horas e meia. Hoje, muitas vezes, passa de seis. Isso não é desenvolvimento, é perda de competitividade”, avaliou.
Segundo Renata, o problema não se limita ao deslocamento de passageiros. A demora também afeta o transporte das cooperativas, encarece a agroindústria e dificulta o escoamento da produção. Ela defendeu a integração entre rodovias, ferrovias, estruturas de armazenagem e acessos aos portos. Também afirmou que pretende aproximar cooperativas paranaenses de compradores estrangeiros. “O Paraná sabe produzir. O nosso gargalo não é a lavoura, é a logística”, resumiu.
Outra proposta é ampliar a atuação conjunta dos municípios por meio dos consórcios regionais. Renata citou saúde, infraestrutura e destinação de resíduos entre os serviços que podem ser compartilhados para reduzir custos e ampliar a capacidade de atendimento. Na gestão dos resíduos sólidos, ela defendeu que projetos regionais avaliem a possibilidade de geração de energia, associando o tratamento do lixo à criação de atividades econômicas.
Na saúde, Renata propôs financiamento previsível, mais autonomia para os municípios aplicarem os recursos e o fortalecimento dos polos regionais. Segundo ela, cidades pequenas não conseguem manter sozinhas estruturas hospitalares completas. “O CEP de uma pessoa não pode definir a qualidade do atendimento que ela recebe”, afirmou.
Relação com Campo Mourão
Renata Bueno é filha do ex-prefeito de Campo Mourão e ex-deputado federal Rubens Bueno. Ela afirmou que a trajetória do pai influenciou sua formação, especialmente nos princípios relacionados à responsabilidade com os recursos públicos e ao respeito às instituições. Porém, sustentou que sua candidatura representa um projeto próprio, apoiado na carreira jurídica e na experiência política construída na Europa. “Não quero viver da história que meu pai construiu. Quero honrá-la fazendo a minha parte e mostrando, pelo meu trabalho e pelos resultados que conseguir entregar, aquilo que sou capaz de construir”, afirmou.
Renata disse que viveu uma parte importante de sua formação em Campo Mourão, onde acompanhou o pai em visitas aos bairros e construiu vínculos familiares e pessoais. Segundo ela, a relação com o município não se limita às visitas realizadas durante o período eleitoral. A candidata também foi questionada pela TRIBUNA sobre como conciliará as atividades mantidas na Itália com a presença exigida de uma representante do Paraná. Ela reconheceu que a atuação parlamentar precisa de contato direto com os municípios. “Hoje o mundo é conectado, mas representação política exige presença, e uma coisa não exclui a outra”, respondeu.
Renata afirmou que pretende manter canais permanentes com as cidades, acompanhar a aplicação dos recursos e prestar contas das ações do mandato. Não detalhou, porém, como pretende conciliar a rotina no Paraná com as atividades profissionais e familiares mantidas na Itália.
Ao ser questionada pela TRIBUNA, ela também evitou se definir como candidata de governo ou de oposição. Afirmou que, se eleita, analisará cada projeto pelo conteúdo, apoiará propostas que considerar favoráveis à população e questionará aquelas que, em sua avaliação, não atenderem ao interesse público.

