Mesmo com MDB sem provisória em CM, Requião Filho defende candidato próprio
O deputado estadual, Requião Filho (MDB), esteve em Campo Mourão nesta quinta-feira (6), onde participou da posse da Associação dos Conselheiros Tutelares do Paraná. Na ocasião, o parlamentar fez uma visita ao Jornal Tribuna do Interior e comentou sobre as pretensões do partido no município e avaliou o momento político. Ele também participou de uma conversa com líderes do grupo, como o ex-prefeito Augustinho Vechi, o ex-presidente da sigla, Marcio Berbet, o pré-candidato a prefeito, Rodrigo Salvadori (Progressitas), entre outros.
Mesmo com o partido inativo, ou seja, sem provisória em Campo Mourão há cerca de um ano, Requião Filho afirmou que o ideal é que o grupo tenha candidatura própria à prefeitura e uma chapa completa de vereadores. “Conversamos com membros do MDB local para buscar compreender e entender qual será o caminho do partido em Campo Mourão nas Eleições Municipais deste ano”, afirmou.
O parlamentar reafirmou que o grupo tem que lançar uma chapa. “Queremos saber se vai ter candidatos a vereadores, prefeito ou vice-prefeito e isso tem que avançar logo porque já estamos se aproximando das convenções”, argumentou. Em outro cenário, caso não tenha candidaturas próprias, Requião Filho, afirmou que o grupo deve buscar aliança com outro partido ‘em cima de bandeiras’. Um nome provável que ele deverá apoiar é o de Rodrigo Salvadori.
“Uma aliança pragmática é impossível. Você não pode querer que um partido cristão lance um candidato para o aborto, por exemplo, aí a população não entende o que está acontecendo. Uso esta hipérbole para que fique bem claro que buscando as bandeiras e ideias poderemos construir uma aliança”, afirmou.
Requião Filho comparou partido político a um time de futebol. “Time que não joga não tem torcida, e assim é um partido, ele existe para lançar candidatos. E com as alterações das regras eleitorais com fim das coligações nas proporcionais, mudança na divisão de tempo de televisão e rádio, o partido passa a ser novamente, mesmo que ainda uma ferramenta apenas, mas uma ferramenta importante”, ressaltou, ao comentar que as pessoas estão vendo a política sob uma ótica ‘tão escura que ninguém quer entrar’. “A política deixou de ser atrativa, as pessoas não querem entrar para a política e não querem discutir política porque ela está muito polarizada”, frisou. Leia a entrevista abaixo.
O senhor foi reeleito deputado estadual, o quarto mais votado, qual avaliação deste segundo mandato até aqui?
O meu trabalho como deputado é fiscalizar. Antes demais nada, o que o deputado deve fazer? Fiscalizar o Executivo. Ver se as leis estão sendo cumpridas, e as obras acontecem ou não e se tudo isso acontece de forma transparente. Infelizmente muitos deputados acham que o mandato serve para troca de favores, troca de cargos e acabam trabalhando como despachantes e não representantes da população.
O senhor é oposição na Assembléia Legislativa do Paraná, como tem sido este trabalho?
Fui líder da oposição no primeiro mandato que foi um fato inédito, agora no segundo mandato faço parte da mesa, mas continuo fazendo parte da oposição porque acredito que o atual governo é uma continuidade do governo anterior, não vejo grandes mudanças. O nosso trabalho como oposição é fazer o contrapeso e exigir que a Assembleia Legislativa fiscalize o Governo Estadual.
Com ajuda da Assembleia Legislativa, o atual governo extinguiu a licença prêmio para novos servidores e instituiu o licença capacitação aos servidores atuais. Qual seu posicionamento sobre a medida.
Você não pode mudar a regra do jogo no meio do jogo. Se eles mudassem daqui para frente faria todo sentido, mas as pessoas que entraram com e este direito tem que ter ele respeitado.
O governo alegou na época que o objetivo era zerar o passivo das licenças-prêmio, que chega a quase R$ 3 bilhões. Estes números foram comprovados?
Este cálculo do governo nunca foi comprovado, o Governo Ratinho tem uma mania, eles criam um número na cabeça, mas não conseguem provar. São números abstratos. Isso foi uma jogada de marketing com a população porque hoje o funcionalismo público é muito mal visto pela sociedade. O funcionalismo público do Paraná ganha uma média de R$ 3mil por mês, enquanto outros poderes ganham acima de R$ 20 mil. Então vem o governador com essa imagem de político que vai acabar com privilégios e esmaga justamente quem menos tem voz, e com números absurdos.

