Ricardo Maia confirma pré-candidatura a deputado federal e comenta projetos
O empresário, ex-deputado estadual e ex-vereador de Maringá por dois mandatos, Ricardo Maia (MDB), confirmou à TRIBUNA sua pré-candidatura a deputado federal nas eleições de 2026. O político fez uma visita à TRIBUNA na manhã dessa quarta-feira (24). Nos últimos meses, Maia intensificou visitas a municípios da região e afirmou que pretende construir uma candidatura voltada especialmente ao interior do Paraná, com atenção para demandas ligadas à infraestrutura, educação, agronegócio, reforma política e segurança pública.
Segundo ele, a decisão de disputar uma vaga na Câmara Federal surgiu após convite do partido e também da avaliação de que as principais decisões que impactam estados e municípios passam atualmente pelo Congresso Nacional. Entre os compromissos que afirma defender está o fortalecimento da representação regional em Brasília e a atuação conjunta com lideranças eleitas por Campo Mourão e região.
Na entrevista, Maia também apresentou posicionamentos sobre temas nacionais. Entre eles, defendeu mudanças no Código Penal brasileiro, com revisão das regras relacionadas à responsabilização criminal e endurecimento das penas para determinados crimes.
Na área econômica, criticou o nível dos juros praticados no país e defendeu medidas voltadas à redução do gasto público, reforma tributária e estímulo ao crescimento econômico. Outro eixo citado pelo pré-candidato foi o fortalecimento do agronegócio, com atenção especial à ampliação do seguro rural e à criação de condições mais seguras para produtores diante das mudanças climáticas e do aumento dos custos da atividade.
Na educação, Maia afirmou defender a ampliação do ensino integral desde as etapas iniciais até o ensino superior, com maior articulação entre União, estados e municípios. Ele também defendeu mudanças no sistema político e no Judiciário, argumentando que reformas estruturais podem contribuir para reduzir desperdícios de recursos públicos e ampliar a eficiência das instituições.
Ao comentar uma eventual eleição, Ricardo Maia afirmou que pretende manter o perfil que diz ter construído ao longo da trajetória empresarial e política. “Quero ser um deputado comprometido, com seriedade, dignidade e trabalho para valer. Levar para Brasília a sensibilidade do povo brasileiro que trabalha e enfrenta dificuldades todos os dias”, afirmou. Leia abaixo a entrevista na íntegra.
Tribuna do Interior – O senhor confirmou sua pré-candidatura a deputado federal. O que motivou essa decisão e qual será o principal eixo da sua campanha?
Ricardo Maia – Olha, nós temos acompanhado aí o governador Ratinho Jr. nos últimos sete anos e meio. Andamos no Paraná todo, muito aqui na região de Campo Mourão. É uma pré-candidatura à qual o MDB nos convidou. E eu quero assumir esse compromisso de trabalhar para a população do nosso estado do Paraná. Principalmente nesse momento tão difícil da política brasileira. A gente vê que em Brasília teremos condições de realizar um grande trabalho. E as decisões do nosso país hoje são todas tomadas em Brasília. Então é para onde a gente quer ir com uma proposta forte de trabalho.
O que a Comcam pode esperar do senhor em uma eventual eleição?
Enquanto representante do governo do estado, sempre estive muito presente na região da Comcam. Ela pode esperar um trabalho muito forte da nossa parte. Eu quero somar com os demais que serão eleitos de Campo Mourão ou da região para fazermos um trabalho juntos. Vou dar um exemplo para você: nós temos questões aqui que cobraram um pedágio por quase 30 anos e não duplicaram praticamente nada de Campo Mourão a Cascavel. Nós estamos na cidade, que é polo do agro do nosso estado do Paraná. Sede da maior cooperativa da América Latina (Coamo), e as obras de infraestrutura neste quesito são mínimas. Como deputado, vamos cobrar a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) para que estas obras possam sair do papel.
Nos últimos meses, o senhor intensificou visitas aos municípios da região. O que tem ouvido da população e quais são hoje as principais demandas do interior do Paraná?
Olha, eu vejo andando por todos os municípios. A população está muito descontente com o momento Brasil. Muito descontente mesmo. Talvez não seja nem a questão de o candidato a presidente A ou o candidato a presidente B. Mas a forma como o país está hoje. Onde as pessoas de bem estão em último plano no nosso país. Aquele que trabalha e produz em último plano. Desde um operário, desde um pedreiro, desde aquele que ergue a porta de um comércio e trabalha o dia inteiro. A gente vê uma carga tributária estrondosa. Onde decide? Em Brasília. A gente vê a questão criminal, em que muitos criminosos hoje estão em liberdade, mesmo sendo réus confessos. São situações que não dá para continuar aceitando. São tantos desvios de verbas públicas. Com tanta coisa errada acontecendo, a população está desacreditada na política.
O senhor defende que o Código Penal brasileiro precisa de mudanças. Quais pontos considera ultrapassados e que tipo de alteração pretende apontar no Congresso?
Olha, não dá para continuar do jeito que está. Como a gente falou, Código Criminal Penal Brasileiro. Desvio de recursos, roubo, desde um celular até um bem, até um arrombamento. E a maioria destes crimes é cometida por pessoas de 14 e 18 anos. Não queremos colocar um jovem desse num presídio atual como tem. Mas nós temos que ter uma forma forte, uma forma pesada de pena, até para servir de exemplo; assim vão pensar antes de cometer um crime. Então nós temos que ter coragem de mudar o Código Penal no nosso país. Aí vai para a questão criminal. Nunca se tirou tanta vida de pessoas como em nosso país. Como podem essas condenações moles, xoxas? Não tem cabimento. Então nós temos que alterar também. Temos que ter coragem de ter uma caneta mais dura, uma pena mais pesada. E mudando o Código Penal brasileiro, porque a nossa população, as pessoas de bem do nosso país, estão vivendo no país da impunidade.
O senhor também defende o fortalecimento do seguro rural. Como essa política poderia funcionar na prática e de que forma ajudaria cooperativas e produtores?
Olha, os produtores rurais estão sem garantia nenhuma. O mundo todo tem um seguro rural. E o mundo todo tem o juro para os produtores rurais zero. Então todo produtor rural no mundo, ele tem a garantia e o nosso não tem. O Brasil hoje é o celeiro do mundo. O Paraná é o supermercado do mundo. O país nosso está entre o maior produtor do mundo. Então nós temos que ter o seguro rural. Não tem cabimento o que vem acontecendo hoje com nosso agronegócio. Na semana passada, Brasília cortou mais recursos do seguro rural para 2026. E o clima hoje não é o mesmo de anos atrás. Hoje nós temos a dificuldade climática. Então o produtor está aí, é um verdadeiro guerreiro, acreditando no país, plantando e produzindo, mas sem uma garantia para poder produzir com tranquilidade. Hoje nosso produtor precisa de um seguro rural adequado à sua necessidade e não que seja um valor simbólico. Não tem cabimento. O mundo todo, Itália, Estados Unidos, Espanha, o juro é zero. O produtor pega proporcional aquilo que vai plantar, em seguida, produzindo a safra, colhendo, ele quita aquela dívida sem juros nenhum. Hoje nós temos casos de chegar o produtor até a 20% por safra. Quem tem um lucro de 20% numa safra para pagar só de juros? Fora a carga tributária nossa, que é estrondosa. Aí é coisa que nós temos que ter coragem de mudar.
Na área econômica, o senhor é crítico dos juros considerados abusivos. Que propostas pretende defender para ampliar o acesso ao crédito e estimular o crescimento econômico?
Olha, juros abusivos só tem um meio de baixar: é o governo federal cortar o desperdício de dinheiro público, cuidar do orçamento para que o governo não gaste mais do que arrecada. Um país em que a carga tributária passa de 30% e o governo federal está com déficit vai pegando dinheiro no mercado, o juro vai aumentando cada vez mais. Esse é um ponto importante. Outra saída é uma reforma tributária verdadeira. Nós temos tanta coisa no Brasil que só existe no nosso país. IPVA só existe no Brasil e em mais uns dois ou três países. Aí vamos para o IPTU, da mesma forma. Aí o empreendedor, o comerciante e empresário tem que pagar licença sanitária, licença de saúde e várias outras taxas que acabam tornando o negócio inviável, impedindo o crescimento econômico. Então nós temos que ter coragem de buscar soluções e discutir isso, porque eu tenho uma experiência muito grande no comércio como empreendedor. Eu já passei por várias empresas, minha família, meus irmãos, todo mundo trabalha no dia a dia. Então a gente sabe dessa dificuldade. É um modelo de Brasil que precisa mudar.
Na educação, uma das propostas defendidas é ampliar o ensino integral desde a alfabetização até o ensino superior. Como viabilizar financeiramente essa expansão?
Olha, dinheiro o nosso país tem, tanto é que só de juros hoje o Brasil paga mais do que o orçamento da saúde e da educação atual. O Paraná tem as universidades públicas, que são um exemplo do nosso país, defende a educação pública e gratuita. A educação integral nós temos que ter, que é um convênio com as prefeituras, porque as prefeituras são responsáveis no início da educação. O recurso vem para as prefeituras, o recurso existe. Todos os anos está aumentando a arrecadação e todos os anos aumentando o repasse, tanto para as prefeituras como para o Estado e logicamente a União. Então nós temos cobrar o governo federal que corte o desperdício melhorando desta forma o orçamento para investir na educação. A educação integral é um meio de nós termos um futuro melhor para a nossa gente.
O senhor defende uma reforma política. Quais mudanças considera prioritárias no atual sistema?
O sistema político hoje está dominado pelos caciques em Brasília. Nunca vi o partido político hoje com tanto recurso público, que é do povo brasileiro, e gastando esse recurso com desperdício. Locação de aviões, não só na época eleitoral, contratação de pessoas. Os partidos estão contratando hoje a torta direita durante todos os dias, durante todos os anos, não só no ano eleitoral. É um desperdício de dinheiro público. O fundo partidário eleitoral agora é de 6 bilhões, e esses caciques de Brasília têm o controle desse dinheiro. Então nós teremos que ter uma reforma política, reduzir o fundo eleitoral, para que o fundo eleitoral seja somente para material de divulgação dos candidatos. Nada mais do que isso. Nós temos partido político contratando escritórios de advocacia por uma fortuna, durante todo o ano, isso não tem cabimento. Então tem que ter reforma política, e temos que ter coragem disso aí também. E nós teremos uma leva de candidatos novos nessa eleição, que vão levar para Brasília essa discussão com coragem.
Outro ponto defendido pelo senhor é sobre a necessidade de mudanças no sistema judiciário e redução do desperdício de recursos públicos. Onde estão, na sua avaliação, os principais gargalos?
O Poder Judiciário tem que ter uma reforma, porque não dá para ter uma decisão nas mesmas comarcas, cada uma de um jeito. Aí depois você vai para a questão estadual, mesma coisa. Um dá uma liminar, outro cassa liminar. E os próprios tribunais superiores, como o STJ e o Supremo Tribunal Federal, estão invadindo em decisões que não seriam deles em todo o nosso país. Então nós precisamos de uma reforma para que nós possamos ter decisões justas, não decisão pessoal de juiz. Nós temos que ter mais o colegiado e mudar mesmo. E essa reforma é questão salarial também, questão de 16, 15 salários, questão de reclamações. Agora nós temos no Poder Judiciário, como no Ministério Público, muitos juízes da mais alta honestidade, qualidade e dedicação. A reforma é para preservar esses bons nomes que nós temos e começar a termos uma linha de decisão. O que não podemos é perder esse bom Judiciário que nós temos.
O MDB busca ampliar espaço político nas próximas eleições. Como sua pré-candidatura se insere nesse projeto partidário?
Olha, o MDB tem uma luta histórica de causas populares, causas de benefícios do cidadão. É o partido das Diretas Já, é o partido que tem tantos projetos que ficaram marcados no nosso país. Teve os governos do MDB, sempre com uma linha a favor daqueles que mais precisam. O MDB foi o maior apoiador do SUS. O MDB do Paraná está bem estruturado; nós temos aí o ex-prefeito de Curitiba, Rafael Greca, como líder maior hoje do MDB no Estado, até pela trajetória do Greca, né? Prefeito três vezes, e uma vida pública de seriedade, honestidade, dedicação. Nós temos o Álvaro Dias, ex-senador também no MDB, nós temos o presidente do partido, Sérgio Sousa, que faz um trabalho fantástico como deputado federal. Então eu vejo o MDB nessa eleição de 2026 muito promissor. Vamos fazer uma bancada tranquila de três deputados federais e uma bancada de seis deputados estaduais.
Qual a sua mensagem para o eleitor que ainda está indefinido em relação ao seu candidato nesse momento?
Olha, que participe do processo eleitoral. Ele tem que participar. Reúne a sua família, reúne seus amigos, vamos discutir a eleição, analisar cada candidato que está participando. O processo do nosso país é democrático. Aquele que vai à urna é que vai decidir. E talvez a pessoa de bem, que está totalmente desanimada com o país, com o processo político, recua. Aí outros vão levar vantagem, que talvez não seja aquilo que ele esperava. Participar no dia da votação, ir votar. Não podemos ter um recorde de abstenção no nosso país, o que é prejudicial. Não acreditar em mais ninguém não é a resposta correta. A resposta é ter fé, ter esperança e acreditar que nós temos muitos nomes bons. Em todos os âmbitos nós temos nomes bons. No Judiciário tem bastante nomes bons, no Ministério Público, na política também temos. Nós temos prefeitos honrados, nós temos vereadores honrados, nós temos exemplo de cidadania na política. Então é participar.
O que esperar de Ricardo Maia, caso seja eleito deputado federal?
Olha, a mesma pessoa serei, com a benção de Deus. Não quero ir para Brasília, ocupar uma cadeira lá e mudar totalmente, como muitos mudaram. E muito menos ficar só no discurso do oba-oba. Ser um deputado comprometido, do mesmo jeito que eu sou hoje. Com seriedade, com dignidade, com trabalho para valer. E levar para Brasília a sensibilidade, a sensibilidade desse povo brasileiro do bem, que está sofrendo muito. É o dia inteiro sofrendo, o dia inteiro angustiado e triste. Não quero ser um deputado em Brasília de conchavo, um deputado fora da realidade, mas sim um deputado que faz a diferença na vida do povo.
Além de experiência de vida, como empresário e investidor, o senhor também tem experiência política. Já foi duas vezes vereador em Maringá e deputado estadual. O senhor pretende usar essa bagagem a seu favor nessas eleições?
Sim, essa experiência é muito útil para a gente. Até para a gente não entrar lá na ilusão do poder que é Brasília. Brasília é fora da realidade. Nós temos que ir para Brasília, aproveitar essa experiência de duas vezes vereador, experiência que eu fui presidente de empresa pública, deputado estadual, sete anos e meio acompanhando o governador Ratinho Júnior em todos os municípios do estado do Paraná. Mas levar para lá essa firmeza e, ao mesmo tempo, essa experiência e essa esperança que a população tem de que a gente está assumindo esse compromisso.

