Vereador cobra explicações sobre demora em atendimentos na UPA em audiência pública
A demora no atendimento da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Campo Mourão voltou a ser alvo de questionamentos durante a audiência pública de prestação de contas da Secretaria Municipal de Saúde, realizada na noite dessa quinta-feira (28), na Câmara de Vereadores. A situação foi apontada pelo presidente da Comissão Permanente de Finanças e Orçamento, vereador Sidnei Jardim, diante de reclamações e denúncias recorrentes da população.
Segundo o vereador, há relatos de pacientes que aguardam várias horas para serem atendidos por um médico, mesmo após a triagem. Um dos casos citados envolveu uma pessoa que teria permanecido três horas na espera por consulta médica. Também foram relatadas situações de pacientes que chegaram à unidade pela manhã e deixaram o local somente à noite. “Há reclamações de que o médico atende um paciente em poucos minutos e depois demora mais de meia hora para chamar outra pessoa. Queremos entender o que está acontecendo porque a população tem reclamado bastante dessa situação”, afirmou Jardim durante a audiência.
A secretária municipal de Saúde, Camila Kravicz Corchak, explicou que os tempos de espera variam de acordo com a classificação de risco adotada na unidade. Segundo ela, pacientes classificados com pulseira verde, considerados casos sem urgência, podem aguardar mais tempo para atendimento.
Ela informou que a administração municipal vem acompanhando diariamente o funcionamento da UPA, especialmente nos horários de troca de plantão, e que não foram identificadas interrupções no atendimento por parte dos profissionais. De acordo com a secretária, o aumento da demanda por casos respiratórios tem sobrecarregado o serviço. Somente na última segunda-feira (25), ela disse que foram registradas mais de 600 consultas na unidade.
“Temos buscado algumas soluções para essa situação. Quanto ao tempo de atendimento de cada médica, isso é uma conduta médica preconizada pelo Conselho Regional de Medicina, então não tem como eu bater na porta do consultório do médico e dizer que ele precisa atender rápido”, comentou. “Estamos acompanhando. Se for constatada qualquer irregularidade ou comportamento inadequado por parte de algum profissional, as medidas cabíveis serão adotadas”, complementou a secretária. Ela informou ainda que a UPA, classificada como porte 2, conta atualmente com seis médicos em atividade, sendo dois dedicados à observação e emergência e quatro no atendimento da porta de entrada durante a maior parte do dia.
Como alternativa para reduzir a sobrecarga da unidade, Camila confirmou que a prefeitura segue com a reforma da futura unidade 24 horas no Lar Paraná. A expectativa é que o serviço entre em funcionamento no segundo semestre deste ano.
Números
Durante a audiência, a secretária apresentou os principais indicadores da saúde referentes ao primeiro quadrimestre de 2026. No período, foram prestados 77 mil atendimentos de urgência e emergência. “Foram quase 100 atendimentos a mais por dia nesses últimos dias”, frisou.
Foram registrados também 393 nascimentos em Campo Mourão, dos quais 338 ocorreram por cesariana e 55 por parto normal. Na área de prevenção, foram realizados 1.052 exames citopatológicos em mulheres na faixa etária de 25 a 64 anos e outros 188 exames em pacientes de diferentes idades. Também foram contabilizadas 349 mamografias na faixa prioritária de 50 a 69 anos e mais 167 fora desse grupo.
A secretária informou que a Farmácia Especial da Secretaria Municipal de Saúde atendeu 19.531 pessoas nos quatro primeiros meses do ano, com a dispensação de 2.198.915 medicamentos e 7.169 fórmulas. Já a Estratégia Saúde da Família mantém atualmente 22 equipes em atividade no município, sendo nove delas com atendimento odontológico.
Outro dado apresentado refere-se aos atendimentos especializados agendados por meio do Ciscomcam. Foram marcadas 15.767 consultas no quadrimestre, das quais 14.495 foram efetivamente realizadas. O índice de faltas ficou em 8,7%, correspondente a 1.272 pacientes que não compareceram aos atendimentos.
Durante a audiência, também foram detalhados os investimentos em andamento na estrutura da saúde. Entre as obras estão a construção do Centro Especializado em Reabilitação, com investimento de R$ 8,9 milhões; da Oficina Ortopédica, no valor de R$ 1,7 milhão; do novo Centro de Atenção Psicossocial (Caps), também com aporte de R$ 1,7 milhão; e da Unidade Básica de Saúde do Residencial Parque Arnaldo Bronzel, orçada em R$ 1,3 milhão.
No demonstrativo financeiro apresentado pela Secretaria de Saúde, foram informados R$ 102,6 milhões em recursos empenhados no período. Desse total, R$ 50 milhões já foram liquidados, R$ 48 milhões pagos e R$ 54,2 milhões permanecem inscritos em restos a pagar.
A prestação de contas foi realizada no plenário da Câmara por meio da Comissão Permanente de Finanças e Orçamento, formada pelos vereadores Sidnei Jardim, Hélio HG e Eraldo Teodoro de Oliveira. A audiência atende às exigências da Lei de Responsabilidade Fiscal, que determina a apresentação periódica dos resultados financeiros e administrativos da gestão pública.

