Museu cria réplica dos Caminhos de Peabiru para ensinar história
Uma réplica dos históricos Caminhos de Peabiru passou a integrar as atividades do Museu Caminhos de Peabiru, em Peabiru, com uma proposta que une educação patrimonial, interação e valorização da história regional.
Instalada nos fundos do espaço cultural, a estrutura foi criada com caráter lúdico-pedagógico, permitindo que crianças e visitantes aprendam sobre um dos principais patrimônios históricos ligados ao Paraná por meio da experiência prática e da participação em atividades inspiradas em jogos educativos.
A dinâmica funciona como um grande jogo de tabuleiro. Os participantes lançam dados e avançam pelas etapas do percurso e, ao longo do trajeto, respondem perguntas relacionadas à história dos Caminhos de Peabiru, da cidade de Peabiru e do Paraná. Conforme os acertos e erros, avançam ou retornam casas, transformando o aprendizado em uma experiência interativa.
Segundo o historiador Arleto Rocha, idealizador do projeto, o objetivo é aproximar as novas gerações da história por meio da vivência. “Por meio dos erros e acertos das perguntas, as crianças aprendem sobre os Caminhos de Peabiru de forma imersiva e brincando”, destacou.

Os Caminhos de Peabiru são reconhecidos por pesquisadores como uma antiga rede de trilhas indígenas utilizada muito antes da chegada dos europeus ao continente. Estudos apontam que os caminhos conectavam territórios do atual litoral brasileiro ao interior da América do Sul, formando uma rota que atravessava áreas dos atuais Brasil, Paraguai, Bolívia e Peru.
Ao longo dos séculos, os trajetos foram utilizados por diferentes povos indígenas e posteriormente ficaram associados a expedições históricas que percorreram o interior do continente. Atualmente, os caminhos também são alvo de ações de preservação, pesquisa e fortalecimento do turismo histórico e cultural no Paraná.
Para Rocha, manter viva essa memória também representa uma oportunidade de fortalecer a identidade regional. “Os Caminhos de Peabiru contam parte da formação histórica desta região e ajudam a conectar as pessoas com suas origens. Além do valor histórico, esse patrimônio possui potencial para impulsionar o turismo cultural, movimentar o município e ampliar o interesse pela história local”, afirmou.
Inserida dentro das ações de Educação Patrimonial, a réplica está aberta para visitação da comunidade e também de escolas de Peabiru e de outros municípios. “A proposta do museu é transformar o conhecimento histórico em experiência prática, permitindo que estudantes conheçam de forma mais próxima um dos temas mais emblemáticos ligados à história do Paraná”, ressaltou Rocha.

Os Caminhos de Peabiru
Os Caminhos de Peabiru formam uma antiga rede de trilhas indígenas com mais de 3 mil anos, que conectava o Oceano Atlântico ao Pacífico, atravessando territórios do Brasil, Paraguai, Bolívia e Peru. No Paraná, a rota cortava o Estado de leste a oeste e teria cerca de 2 mil quilômetros, passando por regiões onde hoje existem diversos sítios arqueológicos.
Segundo registros do Governo do Paraná, os caminhos eram utilizados por povos indígenas, como Guarani, Kaingang e Xetá, para deslocamento, comunicação, comércio e também práticas de caráter espiritual. Posteriormente, a rota também foi percorrida por exploradores europeus e jesuítas.
A importância histórica da rota levou o Paraná a declarar a Rota Transcontinental Caminhos de Peabiru como patrimônio cultural, por meio da Lei Estadual nº 21.046/2022. Hoje, o Estado também trabalha a rota como eixo de turismo histórico, cultural e sustentável.
“Para Peabiru e região, esse legado representa não apenas memória histórica, mas também potencial turístico, educativo e cultural, aproximando estudantes e visitantes da formação do território paranaense e da presença dos povos originários”, acrescentou Rocha.

