‘Represento Campo Mourão e a Comcam’, diz Zé Maurino, sobre disputa à Assembleia
Com uma trajetória construída entre a educação, o serviço público e a gestão estadual, o professor José Maurino, mais conhecido como Zé Maurino, colocou o nome à disposição do MDB como pré-candidato a deputado estadual. Natural de Araruna e com raízes em Campo Mourão, ele afirmou em entrevista à TRIBUNA que pretende disputar a eleição com foco na representação regional e na defesa de pautas ligadas à educação, inovação, desenvolvimento do interior e fortalecimento dos pequenos municípios.
“Minha candidatura representa Campo Mourão e os 25 municípios da Comcam. Não tenho dúvida nenhuma disso. Eu nasci em Araruna, cresci em Campo Mourão, tenho minhas raízes aqui e conheço de perto a realidade do nosso povo. Eu estou em Curitiba porque fui chamado para cumprir funções técnicas na capital do Estado. Mas sempre digo uma coisa: eu fui para Curitiba trabalhar e tudo o que aprendi na capital, toda experiência que acumulei, todo caminho que conheci dentro do governo, quero colocar agora a serviço da nossa região”, falou.
Professor universitário e servidor público com atuação em diferentes áreas do Governo do Paraná ao longo de mais de quatro décadas, Zé Maurino também acumula experiência em movimentos comunitários, estudantis e religiosos em Campo Mourão, além de ter integrado uma chapa majoritária em Curitiba.
Na entrevista ao jornal, o pré-candidato falou sobre sua trajetória pessoal, a ligação com a Comcam, propostas para a região e os motivos que o levaram a entrar na disputa eleitoral. Confira abaixo a entrevista na íntegra.
Tribuna do Interior – Quem é o professor José Maurino? Fale sobre sua formação e sua trajetória.
Professor José Maurino – Eu sou, antes de tudo, um homem que acredita na educação. Sou professor universitário, gestor público e dediquei 43 anos da minha vida ao serviço público no Paraná. Passei por áreas importantes do Estado, como Secretaria da Fazenda, do Trabalho, de Obras Públicas, da Família e, mais recentemente, Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior. Na prática, sempre trabalhei com um objetivo claro: criar oportunidade para quem mais precisa. Trabalhei com emprego, qualificação profissional, economia solidária, formação técnica e, mais recentemente, com projetos ligados ao ecossistema de inovação e parques tecnológicos. Eu conheço a máquina pública por dentro e sei que, quando a política é feita com seriedade, ela melhora a vida das pessoas de verdade. Soma-se a essa experiência mais de 15 anos como professor universitário em faculdades particulares de Curitiba, nas disciplinas de Políticas Públicas e Economia Política. Sou formado em Administração de Empresas/FAE, com especializações em Administração Pública/PUC, Economia do Trabalho/UFPR e Mestrado em Desenvolvimento Econômico/UFPR. Sou casado há 30 anos com a assistente social e empreendedora de roupas autorais, Celia Maria, pai de três filhos: João Manoel, de 30 anos, Dandara Luiza, de 28 anos, e Lucas Eduardo, de 14 anos.
O senhor mora em Curitiba, mas tem domicílio eleitoral em Campo Mourão. Afinal, sua candidatura representa quem?
Minha candidatura representa Campo Mourão e os 25 municípios da Comcam. Não tenho dúvida nenhuma disso. Eu nasci em Araruna, cresci em Campo Mourão, tenho minhas raízes aqui e conheço de perto a realidade do nosso povo. Eu estou em Curitiba porque fui chamado para cumprir funções técnicas na capital do Estado. Mas sempre digo uma coisa: eu fui para Curitiba trabalhar e tudo o que aprendi na capital, toda experiência que acumulei, todo caminho que conheci dentro do governo, quero colocar agora a serviço da nossa região.
O que motivou o senhor a colocar o nome como pré-candidato a deputado estadual?
A minha motivação vem da minha própria história de vida. Eu vim de uma origem simples, sei o que é dificuldade e sei, principalmente, o valor de uma oportunidade. Até os 10 anos de idade, eu ainda não tinha frequentado a escola. A minha vida começou a mudar quando recebi o acolhimento e o apoio da família Merklein, da Igreja Luterana aqui de Campo Mourão. Acreditaram em mim e me deram a oportunidade de estudar na mesma escola particular em que estudavam os filhos do pastor. Estudei por oito anos no então Instituto Santa Cruz e, por isso, digo com convicção: eu sou fruto de uma oportunidade. Sou grato por essa chance que recebi. Foi a educação que abriu os meus caminhos, mudou a minha vida e me permitiu crescer, me tornar professor, servir o Estado e construir uma trajetória de 43 anos no serviço público. A minha Vovó Dindinha dizia uma frase que marcou a minha vida: “A enxada do Zezinho será a caneta.” E foi exatamente isso que aconteceu. A educação transformou o meu destino e me deu condições de construir uma vida de trabalho, dignidade e serviço ao próximo. Quando a gente recebe uma oportunidade de verdade, nunca esquece. E é justamente por isso que hoje eu quero retribuir, ajudando outras pessoas a também terem oportunidades. Depois de tantos anos no serviço público, eu sinto que posso continuar servindo de outra forma. Quero colocar toda essa experiência a serviço da nossa região, abrir portas e ajudar a transformar a vida de quem mais precisa. Como também dizia a minha avó Dindinha: “Sempre peça licença para entrar, mas nunca deixe de entrar.” É com esse espírito, com respeito e com coragem, que eu estou pedindo licença para representar Campo Mourão e toda a nossa Comcam.

A sua ligação com Campo Mourão é antiga. Como isso pesa nesse projeto político?
Pesa muito, porque essa ligação é de verdade. Não é de campanha. E de vida. Foi em Campo Mourão e na nossa região que eu aprendi a lutar junto com o povo, a participar da comunidade e a entender os problemas reais das pessoas. Fui o presidente fundador da Associação de Moradores do Jardim Santa Cruz e da União das Associações de Moradores de Campo Mourão/UNIMAM. Participei do diretório acadêmico da antiga FACILCAM, quando lutamos e conseguimos naquela gestão a estadualização em 1987, tornando-se a Fecilcam, que hoje dá lugar à Unespar. Participei de grupos de jovens católicos que marcaram a minha formação, como o SOASEVILI, o JUNICRIS e o MOCAM, além de atuar como ministro da Eucaristia e catequista. Essa experiência me ensinou muito sobre fé, cidadania, liderança e compromisso com o próximo. Também tive a alegria de apresentar, por oito anos, o programa de rádio Juventude Construindo a Sua História, que levava reflexão e formação para muita gente da nossa região. Tudo isso fez parte da minha caminhada. Então, quando eu falo de Campo Mourão e da COMCAM, eu não falo como quem olha de fora. Eu falo como quem viveu, participou e construiu história junto.
O senhor também teve uma atuação importante no movimento comunitário e estudantil. Isso ainda influencia sua visão política?
Influencia totalmente. Eu sempre acreditei que política de verdade começa na base, ouvindo as pessoas, participando da comunidade e entendendo a vida como ela é. Participei da Pastoral da Juventude, nas associações de moradores, no movimento estudantil e em espaços de organização popular. Isso me deu uma formação muito sólida. Foi ali que aprendi que não adianta falar bonito se a pessoa não conhece a dor do bairro, a dificuldade da família, a luta do jovem, a necessidade de quem depende do serviço público. Minha visão política nasceu desse contato direto com o povo e continua sendo assim até hoje.

