Sargento percorre 150 quilômetros e alerta sobre urgência nas buscas por desaparecidos
Durante cinco dias e quatro noites, o sargento Paulo Henrique de Souza Rosa, comandante da Brigada Comunitária de Roncador, percorreu um trajeto de 150 quilômetros por estradas rurais da região de Campo Mourão para entender, na prática, as dificuldades enfrentadas por uma pessoa desaparecida. A experiência também serviu para reforçar um alerta, segundo o sargento: as equipes de resgate devem ser acionadas assim que o desaparecimento for percebido.
A caminhada, batizada pelo sargento como “Primeira Expedição Peabiru Roncador” começou no dia 3 de setembro. O percurso passou pelo distrito de Silviolândia, Corumbataí do Sul, pelos distritos de Paraíso do Sul (Barbosa Ferraz) e Água Fria (Iretama), além das comunidades Venda Azul, Marilu, Santo Antônio e Barriquinha.
Rosa chegou de volta a Roncador às 17 horas dessa segunda-feira (7). Todo o trajeto foi feito a pé por estradas rurais, com repouso em acampamentos. Ele saiu sem levar água ou alimentos e, em dois momentos da expedição, conseguiu percorrer cerca de 40 quilômetros em um único dia, informou.
Segundo o sargento, a proposta era realizar um estudo de caso sobre o comportamento e as limitações de uma pessoa que deixa sua residência e segue sem rumo definido. Durante o percurso, Rosa observou os efeitos do clima, da falta de alimentação, das distâncias e do contato com pessoas desconhecidas.
“Quis sentir como uma vítima sente os impactos do clima, da alimentação e das longas distâncias, além de observar como seria o contato com pessoas desconhecidas e até onde ela conseguiria chegar”, explicou Rosa. Mesmo preparado e com equipamentos, o sargento relatou ter enfrentado muito frio durante as noites. Segundo ele, a situação poderia ser fatal para uma criança, um idoso ou alguém com a saúde debilitada.

O sargento frisou que a experiência também mostrou que uma pessoa desaparecida pode percorrer uma distância considerável em poucas horas e chegar rapidamente a outra área de atendimento policial ou de resgate, o que amplia o território de buscas e torna o trabalho das equipes mais complicado a cada hora perdida.
“Não existe essa história de esperar 24 ou 48 horas para pedir ajuda. Diante da suspeita de desaparecimento, o Corpo de Bombeiros deve ser acionado imediatamente. Um dia perdido pode ser suficiente para que a pessoa chegue a outra jurisdição, dificultando ainda mais as buscas”, alertou.
O sargento lembrou que desaparecimentos podem envolver crianças, idosos com Alzheimer, pessoas em surto ou com transtornos psiquiátricos, entre outras situações. “Independentemente da causa, a orientação é comunicar o caso às autoridades sem demora”, ressaltou.
Segundo Rosa, o passar do tempo também compromete elementos importantes para a operação, como a preservação do local onde a pessoa foi vista pela última vez, marcas de deslocamento, objetos pessoais e roupas com odor que possam ser utilizadas no trabalho de cães de busca.
Ele informou que, no Paraná, ocorre em média um desaparecimento a cada uma hora e 25 minutos. Para o comandante, a rapidez da família em comunicar o caso pode fazer a diferença entre o sucesso e o fracasso de uma operação. Ao concluir os 150 quilômetros, o sargento reforçou que o primeiro passo diante de um desaparecimento é buscar ajuda imediatamente. “Quanto mais cedo as equipes forem informadas, maiores serão as chances de preservar os vestígios, delimitar a área de procura e localizar a vítima”, reforçou.

