Temporal destelha hospital e casas em Altamira e causa estragos em Engenheiro Beltrão
Um temporal destelhou parte do Hospital Municipal e cerca de 30 casas em Altamira do Paraná no final da tarde dessa terça-feira (29). A chuva, acompanhada de fortes rajadas de vento, durou cerca de 10 minutos e derrubou ainda árvores e postes. O município foi o mais atingido na região da Comcam. Em Engenheiro Beltrão, a ventania também danificou construções e afetou a rede elétrica. Equipes foram mobilizadas nos dois municípios para liberar vias e atender famílias afetadas. Não há registro de feridos.
Segundo o Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar), os núcleos de tempestade se formaram com o encontro de uma frente fria com a massa de ar quente que predominava sobre o estado. A região estava sob aviso meteorológico de temporais emitido pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), com previsão de chuva intensa, ventos fortes e possibilidade de granizo.

Em Altamira, o temporal começou por volta das 16h15. Na rodovia que liga o município a Campina da Lagoa, árvores caíram sobre a pista e bloquearam completamente os dois sentidos, formando um longo congestionamento. A maior concentração de quedas ocorreu em um trecho de aproximadamente cinco quilômetros, entre a saída da cidade e a região da Igrejinha da Água Bonita.
Na área urbana, árvores e galhos foram derrubados em diversas ruas com a força do vento. Na Rua Cantu, em frente à prefeitura, uma árvore de grande porte atingiu um veículo estacionado. Também houve queda de postes de energia.
O Hospital Municipal foi um dos prédios mais atingidos. A força do vento destruiu a cobertura da ala onde ficam o centro cirúrgico, uma sala de atendimento, consultório e recepção. Apesar dos danos, os atendimentos foram mantidos. Segundo a administração municipal, os setores de internamento, enfermagem, farmácia, copa e lavanderia não foram atingidos. Profissionais da engenharia acompanham a situação do hospital e das residências mais danificadas.
A prefeitura, o Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) e a Câmara de Vereadores também sofreram danos. Além das cerca de 30 casas destelhadas na área urbana, houve estragos na zona rural, principalmente na região da Cristalina, onde os prejuízos ainda estão sendo contabilizados.
A prefeita do município, Elza Aparecida da Silva, informou que equipes da Assistência Social visitaram 30 famílias e distribuíram lonas para proteger os imóveis. Três famílias precisaram ser acolhidas. A gestora acompanhou os trabalhos emergenciais após o temporal.
A Defesa Civil mobilizou servidores de obras e do setor rodoviário para retirar árvores e liberar as vias. A queda de postes deixou áreas sem energia elétrica e sem internet, dificultando a comunicação durante o atendimento às ocorrências. Por volta das 20h30, voltou a chover em Altamira, mas com intensidade menor.
“As equipes permaneceram de prontidão e continuam nesta quarta-feira (30) o levantamento dos estragos”, informou Elza. Segundo ela, o município deverá receber uma equipe da Defesa Civil Estadual para avaliar os danos. A gestora não descarta decretar situação de emergência devido aos danos provocados pelo temporal no município.
Já em Engenheiro Beltrão, o vendaval atingiu a área urbana e os distritos de Figueira do Oeste e Sertãozinho. Diversas árvores caíram e, em alguns pontos, atingiram a rede elétrica, danificando a fiação e interrompendo o fornecimento de energia.
No bairro Paraíso das Rosas, segundo a prefeitura, a queda de árvores comprometeu o tráfego no cruzamento das ruas Paraíba e Bahia. Fios ficaram pendurados sobre a via.
Uma creche em construção teve parte das telhas arrancadas. Em Sertãozinho, uma escola também sofreu danos na cobertura. Equipes da Secretaria de Obras foram mobilizadas para remover as árvores e desobstruir as vias. Os servidores continuam em campo para levantar os prejuízos e atender as situações emergenciais.
Conforme apurado pela TRIBUNA, outras cidades da região registraram quedas pontuais de árvores, como Terra Boa, mas sem danos de maior proporção.

No escuro
Em Campo Mourão, grande parte da cidade ficou sem energia elétrica, com interrupções em vários bairros. No Jardim Aeroporto e na região do Flórida, por exemplo, havia unidades consumidoras ainda sem fornecimento na manhã desta quarta-feira, conforme apurou a TRIBUNA. No município, apesar da falta de energia elétrica, não há registro de quedas de árvores.
A Copel divulgou no início da noite dessa terça-feira um boletim informando que trabalhava para restabelecer a energia de 173,7 mil unidades consumidoras no Paraná. O Noroeste concentrava 107,2 mil desligamentos, incluindo 6,2 mil em Engenheiro Beltrão e 6 mil em Terra Boa. O balanço reunia ocorrências dos temporais desde a noite de segunda-feira (28), que afetaram cidades de outras regiões.
Segundo a companhia, as tempestades derrubaram árvores, romperam cabos e danificaram postes e a rede elétrica. No Noroeste, segundo a Companhia, 217 equipes estavam mobilizadas e 36 postes já haviam sido substituídos.
Para esta quarta-feira, o Simepar prevê redução da intensidade das instabilidades, embora a chuva ainda deva persistir em parte do Paraná. “As instabilidades perdem força ao longo da quarta-feira. Chuvas fracas a moderadas devem persistir ao longo do dia, e algumas trovoadas isoladas não estão descartadas”, informou o meteorologista Lizandro Jacóbsen.
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