Projeto gratuito acolhe mulheres com depressão e em tratamento de câncer em Campo Mourão

Um projeto voluntário tem transformado a rotina de mulheres que enfrentam depressão, ansiedade e tratamento contra o câncer em Campo Mourão. No Conjunto Cohapar, a Associação Mulheres Guerreiras Paz e Luz (AMEG) oferece acolhimento gratuito e reúne cerca de 25 participantes em atividades semanais.

Coordenada por Jacqueline Cordeiro da Silva, a iniciativa reúne mulheres com diferentes histórias, incluindo casos de depressão, ansiedade, luto e doenças como o câncer. Segundo ela, o espaço tem contribuído diretamente para a melhora da qualidade de vida das participantes. “Através desse projeto, elas se sentem acolhidas e ganham confiança para seguir a vida e superar pensamentos negativos”, afirmou.

A ideia surgiu do desejo de desenvolver um trabalho social no bairro. Inicialmente, funcionava como um clube de mães, mas, mesmo após dificuldades com espaço e estrutura, foi mantido com recursos próprios e apoio da comunidade. Sem apoio do poder público, a associação segue ativa graças a doações e ao trabalho voluntário.

Jacqueline Cordeiro da Silva, coordenadora da Associação Mulheres Guerreiras Paz e Luz (AMEG)

Acolhimento dentro de casa

Com o crescimento do grupo, o espaço inicial já não comportava mais as atividades, especialmente para as participantes mais idosas. Foi então que o projeto passou a funcionar na residência de Sueli Matias da Costa Gouveia, que abriu as portas para garantir a continuidade do trabalho.

Sueli Matias da Costa Gouveia, que abriu a residência para sediar o projeto no Conjunto Cohapar

“Eu falei: ‘a gente não vai parar esse projeto, vamos continuar’. Trouxemos tudo para cá e no outro dia já tinha aula normal”, relatou. Para ela, o projeto se tornou um ponto de apoio coletivo. “É um acolhimento para as mulheres do bairro. Muitas estavam depressivas, em tratamento de doença. Aqui é uma terapia para todas nós”, afirmou.

Histórias que mostram o impacto

O efeito do projeto pode ser observado nas próprias participantes. Entre os exemplos está Maria Joana Soares Silva, mãe da coordenadora, que enfrentou problemas de saúde e encontrou no grupo um espaço de apoio.

Ela conta que já lidava com depressão e, após enfrentar um infarto e tratamento contra o câncer — com cerca de 30 sessões de quimioterapia — passou a participar ainda mais das atividades. “Estou aqui na luta. Hoje ajudo como professora, ensinando crochê e bordado para outras mulheres”, disse.

Segundo ela, o vínculo entre as participantes vai além das atividades. “Quando alguma não pode vir, fala que está faltando um pedaço dela. Se parar, muitas vão sofrer”, relatou. “Aqui é um lugar de riso, de alegria, de paz”, completou.

Maria Joana Soares Silva, participante do projeto e mãe da coordenadora

Rotina, produção e manutenção

Os encontros acontecem às segundas e sextas-feiras, com atividades como pintura em tecido, crochê, patchwork, amigurumi e bordado. Além da produção, os encontros funcionam como espaço de conversa e apoio emocional.

Para ajudar na manutenção, o grupo criou uma pequena loja, aberta de terça a quinta-feira, onde são vendidos produtos confeccionados pelas participantes. A renda é destinada à compra de materiais e despesas do projeto.

Ainda assim, a principal dificuldade é a falta de insumos. A associação precisa de barbante, linhas, tintas, panos de prato, tecidos, além de móveis e equipamentos, como máquina de costura. “Se parar, essas mulheres não vão ter esse apoio que encontram aqui”, destacou Jacqueline.

Como participar ou ajudar

O projeto está aberto para novas participantes, voluntários e doações da comunidade.

Endereço: Rua Papagaio, nº 20, Conjunto Cohapar
Atividades: segunda e sexta-feira, das 13h30 às 16h
Bazar: Rua Guarani, ao lado do nº 2250
Funcionamento: terça a quinta-feira, das 13h às 16h
Contato (WhatsApp): (44) 99749-2801