Coamo investe mais de R$ 5 bilhões em usinas de biocombustíveis e terminal portuário
O presidente executivo da Coamo, Airton Galinari, informou durante o evento “Encontro com a Imprensa”, realizado na quarta-feira (9), em Campo Mourão, que a Coamo mantém investimentos em diferentes frentes para ampliar a industrialização de grãos, a produção de biocombustíveis e sua estrutura de armazenagem e exportação. Os investimentos anunciados para três projetos somam mais de R$ 5,1 bilhões.
Entre as obras destacadas por Galinari, a jornalistas, estão uma indústria de etanol de milho no valor de R$ 1,7 bilhão; uma fábrica de biodiesel estimada em R$ 480 milhões; e a construção de um terminal portuário em Itapoá, no litoral de Santa Catarina, anunciado em R$ 3 bilhões. A cooperativa também passou a operar 15 unidades em 14 municípios do Paraná, onde ainda não estava presente, informou.
Conforme o presidente executivo, a indústria de etanol de milho é o projeto com previsão mais próxima de entrar em funcionamento. Segundo Galinari, as obras começaram no ano passado e a expectativa é iniciar a operação até março de 2027. A unidade deverá processar entre 600 mil e 650 mil toneladas de milho por ano. O volume corresponde a uma parcela das 4,5 milhões de toneladas que a Coamo espera receber nas safras de verão e inverno deste ano, a maior quantidade já registrada pela cooperativa. O investimento é de R$ 1,7 bilhão.
“Vamos receber a maior safra de milho da história da Coamo. São 4,5 milhões de toneladas, somando verão e inverno. Vamos industrializar 650 mil toneladas, ou seja, ainda existe espaço para muito mais”, afirmou Galinari. O projeto, conforme ele, foi preparado para permitir uma futura duplicação. Parte da estrutura e dos equipamentos já foi dimensionada para uma eventual ampliação da capacidade de processamento.
A indústria produzirá etanol hidratado, utilizado diretamente como combustível, e etanol anidro, misturado à gasolina. Outro produto será o DDGS, farelo obtido no processamento do milho e destinado principalmente à alimentação animal. A planta também deverá gerar energia para abastecer todas as indústrias instaladas no parque industrial da Coamo em Campo Mourão. A capacidade será de 30 megawatts. Segundo Galinari, a geração local atenderá unidades como o moinho de trigo, a indústria de margarinas e gorduras, a torrefação de café, a fiação de algodão, o esmagamento de soja e a fábrica de rações. “Todas as indústrias do parque serão movimentadas com a energia gerada ali. Vamos ser autossuficientes em energia”, disse.

A matriz utilizada na geração será abastecida com eucalipto de reflorestamento. A Coamo também avalia uma parceria para aproveitar o gás carbônico resultante do processo industrial. A proposta em estudo prevê a purificação e comercialização do CO₂ para fabricantes de bebidas e outros segmentos que utilizam o produto.
Outro investimento está no complexo industrial da Coamo em Paranaguá. A indústria de esmagamento de soja, que atualmente processa 2 mil toneladas por dia, está sendo modernizada para alcançar 2,5 mil toneladas diárias até o fim deste ano. Galinari informou que a cooperativa estuda, para uma etapa posterior, uma nova ampliação para elevar essa capacidade a 5 mil toneladas por dia até 2029. O projeto, ainda sujeito à aprovação, deverá ser levado à assembleia da Coamo no próximo ano. O aumento do processamento está ligado à implantação da fábrica de biodiesel. Conforme Galinari, os equipamentos já foram adquiridos e os projetos estão em andamento. A previsão é que a unidade comece a operar até o fim de 2027. O investimento é de aproximadamente R$ 480 milhões.
O presidente informou que, quando atingir a capacidade projetada, a fábrica poderá produzir mil toneladas de biodiesel por dia. Conforme ele, para atender integralmente essa produção com óleo de soja próprio, a cooperativa precisará ampliar o volume de esmagamento para cerca de 5 mil toneladas diárias.
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Porto
Na área de logística, a Coamo avançou no projeto de construção de um terminal portuário em Itapoá, na Baía da Babitonga, em Santa Catarina, que prevê investimentos de R$ 3 bilhões. A cooperativa obteve recentemente a licença ambiental prévia do empreendimento, após cinco anos de análises. O projeto começou em 2014, com a compra dos terrenos. Atualmente, a Coamo possui uma área de 43 hectares e aproximadamente 400 metros de frente para o mar. De acordo com Galinari, o local tem profundidade natural superior a 18 metros, condição que permite a operação de navios de grande porte sem a necessidade de dragagem junto ao terminal.
A estrutura projetada terá três berços de atracação: um para grãos, outro para fertilizantes e um terceiro para produtos líquidos e gás. A Coamo ficará responsável pela operação de grãos. Os demais deverão ser construídos e operados em parceria com outras empresas.
O investimento já tem a licença prévia liberada. O próximo passo será a obtenção da licença de instalação. A expectativa da cooperativa, disse Galinari, é concluir essa etapa dentro de um ano e meio a dois anos. “Agora que temos a licença prévia, nossa expectativa é conseguir a licença de instalação entre 2027 e meados de 2028 e, então, iniciar as obras”, ressaltou.
O cronograma apresentado prevê cerca de dois anos para a construção, com possibilidade de o terminal começar a operar em 2030. A estrutura deverá ampliar as opções da Coamo para o embarque de produtos destinados ao mercado externo.
Novas unidades
A expansão também avançou para o Norte e outras áreas do Paraná. Desde o início do ano, a Coamo adquiriu ou arrendou 15 unidades localizadas em 14 municípios onde não mantinha operações. Com isso, a cooperativa passou a atuar em uma região que inclui municípios do Norte e do Norte Pioneiro. A entrada ocorreu por meio da aquisição ou do arrendamento de estruturas pertencentes à Belagrícola, que enfrentava dificuldades.
Galinari afirmou que a cooperativa já adotou movimento semelhante em outras partes do Paraná e do Mato Grosso do Sul, incorporando estruturas existentes e ampliando posteriormente a capacidade de recebimento. “O problema não é a região, é o modelo. Temos experiência em chegar a locais onde outras empresas ou cooperativas tiveram dificuldades e fazer a operação funcionar”, declarou.

