Prefeitura rebate Sanepar e diz que cobrou solução para elevatória em 2025

Município afirma que notificou a companhia em dezembro e cobra medidas para evitar derramamento de esgoto no Rio do Campo.

A TRIBUNA esteve no local na manhã desta quinta-feira (29), após denúncias de moradores vizinhos sobre o mau cheiro. A reportagem constatou água acumulada com resíduos fecais no entorno da elevatória e escoamento em direção ao Rio do Campo

A prefeitura de Campo Mourão divulgou nota na tarde desta quinta-feira (29) contestando a explicação da sobre os alagamentos na estação elevatória de esgoto do e afirmou que já havia cobrado providências da companhia em dezembro de 2025. No documento, o município nega a atribuição do problema às obras do Parque do Lago e anuncia que adotará medidas administrativas e legais para exigir uma solução.

A manifestação ocorreu após a gerente regional da Sanepar, Araceli Eliane Pendiuk Stela, afirmar à TRIBUNA que a estrutura passou a receber água do Rio do Campo depois da obra da barragem do parque. Segundo ela, a companhia havia sido informada de que a elevatória não seria atingida pela cota de inundação.

No entanto, a prefeitura contesta essa versão. Afirma que a Sanepar conhecia a intervenção, participou das discussões e integra o Conselho Municipal de Meio Ambiente, que aprovou as obras. Conforme a nota, os serviços de desassoreamento são divulgados desde 2023, possuem licença ambiental e estão sob fiscalização do Ministério Público do Paraná. “A fragilidade da estrutura não poderia ser atribuída automaticamente às obras do Parque do Lago”, sustenta o município na nota.

Segundo a prefeitura, as secretarias municipais de Meio Ambiente e de Infraestrutura encaminharam uma contranotificação extrajudicial à Sanepar no dia 19 de dezembro de 2025. O documento respondia a uma notificação da própria companhia. Na ocasião, o município afirma ter questionado a adequação da elevatória, instalada em área sujeita a alagamentos, e exigido medidas urgentes para evitar o derramamento de efluentes no Rio do Campo.

Também foram solicitados os projetos aprovados da estação, a licença ambiental e o decreto de utilidade pública para instalação em Área de Preservação Permanente (APP). A prefeitura diz ter pedido esclarecimentos sobre a capacidade de armazenamento, o dimensionamento do sistema e os dispositivos de segurança contra transbordamento de esgoto.

De acordo com a nota municipal, a própria Sanepar havia informado, na notificação enviada à prefeitura, que chuvas de baixa intensidade já eram suficientes para provocar a submersão das bombas.

A TRIBUNA esteve no local na manhã desta quinta-feira (29), após denúncias de moradores vizinhos sobre o mau cheiro. A reportagem constatou água acumulada com resíduos fecais no entorno da elevatória e escoamento em direção ao Rio do Campo.

Na entrevista, Araceli negou risco de contaminação e informou que três bombas foram colocadas em funcionamento na estação. Segundo ela, a entrada de água do rio sobrecarrega o sistema, que bombeia esse volume junto com o esgoto para tratamento.

A gerente também anunciou a instalação de duas elevatórias e de uma nova tubulação de bombeamento. Para o longo prazo, a previsão é construir uma estação em um ponto mais alto. Não foi informado prazo para conclusão das intervenções.