Médicos e estudantes do Integrado vão ao Pará para 5ª missão humanitária

Equipe de Campo Mourão realizará cerca de 1.200 consultas e 50 cirurgias gratuitas em comunidades ribeirinhas.

Estão previstos procedimentos como vasectomias, retiradas de hérnias e lipomas e drenagens de cistos sebáceos

Uma equipe com oito médicos e 21 estudantes de Medicina do , de Campo Mourão, embarca nesta sexta-feira (6) para o oeste do Pará, onde realizará cerca de 1.200 consultas e 50 procedimentos cirúrgicos gratuitos. Os atendimentos fazem parte da quinta edição do e serão destinados a moradores de comunidades ribeirinhas de Alenquer.

A expedição segue até 15 de novembro, com início dos atendimentos no domingo (8). O trajeto inclui viagem de ônibus até São Paulo, voo para Santarém e deslocamento de barco pelos rios da Amazônia. Cada participante pagará suas passagens e traslados.

As consultas e cirurgias serão realizadas em postos e centros de saúde locais. Estão previstos procedimentos como vasectomias, retiradas de hérnias e lipomas e drenagens de cistos sebáceos. A equipe médica terá dois ginecologistas obstetras, um urologista, um anestesista, um pediatra, um clínico geral e dois cirurgiões, sendo um proctologista e outro do aparelho digestivo.

O grupo levará cerca de 670 quilos de materiais cirúrgicos e medicamentos, entre analgésicos, anti-inflamatórios e antibióticos. Os produtos serão transportados em caixas especiais para preservar sua qualidade. Os insumos foram arrecadados em campanhas no comércio de Campo Mourão, com contribuições financeiras da comunidade e doações de amostras grátis feitas por clínicas, hospitais e médicos locais. A prefeitura de Alenquer ficará responsável pelo transporte terrestre, pela divulgação dos atendimentos, pela alimentação dos voluntários e pela estrutura das unidades públicas de saúde.

Segundo o médico urologista Eufanio Saqueti, idealizador da expedição e professor do Integrado, as dificuldades de acesso à saúde estão entre os motivos para a realização do trabalho. “Alguns moradores das comunidades atendidas nunca fizeram uma consulta médica, seja por falta de acesso aos profissionais ou pela dificuldade de deslocamento. É uma realidade completamente diferente da nossa, o que torna este trabalho fundamental”, afirmou.

A expedição segue até 15 de novembro, com início dos atendimentos no domingo (8)

Desde a primeira expedição à região Norte, em 2022, cerca de 150 integrantes da instituição, entre profissionais e estudantes, participaram das ações. Segundo os organizadores, o projeto acumula mais de 3.500 atendimentos, 700 pequenas cirurgias e a distribuição de mais de 13 mil caixas de medicamentos.

Lideranças das comunidades atendidas relatam que a continuidade das visitas contribui para o controle de doenças crônicas, o aumento da vacinação e a divulgação de orientações preventivas, além de renovar a esperança dos moradores no atendimento de saúde.

Aprendizado

Para Larissa Leoni, estudante do 11º período de Medicina e presidente do Projeto Humanika, o contato com os moradores também contribui para a formação dos futuros médicos.

“O contato com diferentes realidades nos faz compreender que a profissão vai muito além de diagnósticos e tratamentos: é sobre acolher, ouvir e enxergar o ser humano em sua totalidade. Essas vivências nos ajudam a ser profissionais mais preparados”, avaliou.

A estudante destacou que as missões exigem trabalho em equipe, capacidade de lidar com dificuldades e de avaliar os casos com os recursos disponíveis.

“Isso nos ensina que nem sempre teremos todos os recursos disponíveis, mas mesmo assim podemos oferecer cuidado, respeito e solidariedade. Já participei de outras iniciativas voluntárias e cada jornada traz aprendizados únicos”, disse.

Saqueti também apontou mudanças na postura dos estudantes após as expedições. “Ao retornarem às salas de aula, os acadêmicos demonstram um amadurecimento notável. A vivência em um contexto sociocultural distinto impulsiona o altruísmo, a responsabilidade social e a habilidade de atuar com recursos limitados sem perder a sensibilidade.”

Histórico

Conforme o histórico apresentado pela organização, o Humanika teve origem no trabalho da ONG Amazônia Canaã, que atua há cerca de 25 anos no Norte do país. A participação do grupo paranaense começou depois que Saqueti integrou uma das missões e convidou os estudantes a participar.

Ao longo dos anos, alunos e professores do Integrado realizaram mutirões em municípios e comunidades do Pará, como Prainha, Boa Vista do Cuçari, Itamucuri, Aveiro, Santa Cruz, Brasília Legal, Fordlândia e Alter do Chão.

No Paraná, as ações passaram por Campo Mourão, Barbosa Ferraz, Quinta do Sol e Nova Cantu. Em maio de 2024, os estudantes também participaram do atendimento às vítimas das enchentes no Rio Grande do Sul.

O Integrado assegura a participação dos alunos sem prejuízo à grade curricular e financia parte dos medicamentos e materiais cirúrgicos utilizados nos mutirões.

“Como médicos e futuros médicos, vamos ajudar milhares de pessoas a ter mais qualidade de vida e exercer a essência da profissão, que é cuidar do próximo. Essas ações representam uma imersão singular que transcende o aprendizado técnico”, afirmou Saqueti. As atividades do projeto podem ser acompanhadas pelo perfil @projetohumanika.

Ingresso em Medicina

O Centro Universitário Integrado oferece ingresso no curso de Medicina pela nota do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), além de processos de transferência externa, interna e para portadores de diploma superior em áreas afins. As aulas começam no primeiro semestre de 2027.