Especialistas do Integrado alertam para impactos do El Niño na saúde e nas lavouras
O fortalecimento do El Niño pode aumentar a ocorrência de ondas de calor, tempestades e chuvas intensas no Sul do Brasil, com reflexos diretos sobre a saúde da população e a produção agrícola. Professores do Centro Universitário Integrado, orientam sobre os principais riscos e as medidas de prevenção.
O fenômeno já está estabelecido no Oceano Pacífico e deve permanecer ativo pelo menos até o início de 2027. As previsões oficiais apontam alta probabilidade de um episódio muito forte entre a primavera e o verão, período em que seus efeitos podem ser mais intensos no Brasil.
O El Niño ocorre quando as águas do Oceano Pacífico Equatorial ficam mais quentes que o normal. Essa mudança interfere na circulação do ar e altera a distribuição das chuvas e das temperaturas em diferentes partes do planeta.
No Brasil, o fenômeno costuma provocar mais chuva na Região Sul e períodos de seca em áreas do Norte, Nordeste e parte do Centro-Oeste. A intensidade dos impactos, porém, também depende de outros fatores climáticos e das condições de cada região.
Calor aumenta riscos à saúde
O médico Luiz Fernando Machado, professor do curso de Medicina do Integrado, explica que o organismo precisa trabalhar mais para manter a temperatura corporal durante períodos de calor intenso. Com o aumento da transpiração, há maior perda de água e sais minerais, o que pode provocar desidratação. O coração também passa a trabalhar mais para ajudar o corpo a liberar calor.
Segundo o médico, essas condições podem elevar o risco de queda de pressão, desmaios, quedas e complicações cardiovasculares, especialmente entre pessoas que já possuem problemas cardíacos. Idosos, crianças, gestantes e pessoas com doenças crônicas estão entre os grupos mais vulneráveis. Cãibras, fraqueza, tontura, dor de cabeça e confusão mental podem indicar que o organismo está sofrendo com o calor.
A recomendação é beber água regularmente, mesmo sem sentir sede, usar roupas leves e evitar exercícios ao ar livre nos horários mais quentes do dia. Bebidas alcoólicas e o consumo excessivo de cafeína devem ser evitados por favorecerem a perda de líquidos.
O excesso de chuva e os alagamentos também podem trazer riscos à saúde. O contato com água ou lama contaminada aumenta a possibilidade de doenças como leptospirose, hepatite A e infecções intestinais. Após as tempestades, recipientes com água parada podem favorecer a reprodução do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, zika e chikungunya. Machado orienta que a população evite o contato com água de enchentes. Na limpeza de imóveis atingidos, é necessário utilizar luvas e botas e desinfetar os ambientes de maneira adequada. Calhas, quintais, vasos e recipientes devem ser verificados semanalmente para eliminar pontos de água parada.
Preocupação no campo
Na agricultura, os principais riscos para a Região Sul estão relacionados ao excesso de chuva. O solo encharcado pode impedir a entrada de máquinas, atrasar o plantio, prejudicar a colheita e favorecer doenças nas plantas. O engenheiro-agrônomo Marcelo Henrique Savoldi Picoli, coordenador do curso de Agronomia do Integrado, explica que culturas de inverno, como o trigo, estão entre as mais vulneráveis.
Chuvas frequentes também podem atrasar a semeadura das lavouras de verão e dificultar a aplicação de produtos usados no controle de pragas e doenças. Em outras regiões do país, o problema pode ser o oposto. Períodos prolongados sem chuva podem reduzir a umidade do solo e prejudicar lavouras que dependem diretamente da precipitação. Os órgãos oficiais apontam que o El Niño tende a elevar as chuvas no Sul e aumentar o risco de estiagem em áreas do Norte e Nordeste.
Picoli recomenda que os produtores mantenham o solo coberto com palhada, realizem a correção adequada da terra e adotem o plantio em diferentes períodos, reduzindo o risco de toda a lavoura ser atingida pelo mesmo evento climático. O acompanhamento das previsões também deve orientar o calendário de plantio, a aplicação de produtos e o uso de máquinas.
Nas propriedades com criação de aves e suínos, é necessário garantir o funcionamento dos sistemas de ventilação e resfriamento durante períodos de calor intenso. Fontes alternativas de energia podem reduzir o risco de perdas em caso de interrupção no fornecimento elétrico. A contratação de seguro rural também é apontada como uma forma de proteção financeira diante de possíveis danos causados por seca, excesso de chuva ou tempestades.
Segundo os professores, o acompanhamento constante das condições meteorológicas e o planejamento antecipado são as principais formas de reduzir os impactos do fenômeno sobre a população e o setor produtivo.

