Campanha contra aftosa entra na reta final e baixa comprovação preocupa na região
A vacinação contra febre aftosa encerra na região nesta sexta-feira (31) e não será prorrogada. Em plena reta final da campanha, o baixo índice de comprovação da vacina está preocupando a Agência de Defesa Agropecuária (Adapar), núcleo de Campo Mourão. Para se ter ideia, até essa terça-feira (28), apenas 54,4% do rebanho estavam com a imunização comprovada na Comcam. Em anos anteriores, nesta mesma época, o número ultrapassava 80%.
Conforme a Adapar, é possível que os produtores tenham confundindo o anúncio do fim da vacinação no Paraná já para esta etapa de maio, quando na verdade será em novembro. A retirada da vacinação é só para a campanha de novembro, a etapa de maio continua tudo igual. Talvez os produtores possam ter feito esta confusão, comentou o médico veterinário e fiscal da Adapar de Campo Mourão, Régis Canteri.
De acordo com a Adapar, cerca de 240.000 mil animais entre bovinos e bubalinos de 0 a 24 meses de idade deverão ser vacinados nesta etapa. Conforme os números, até ontem, apenas 130.560 animais haviam sido vacinados com a comprovação devidamente feita na região.
A quantidade de comprovação está bastante baixo e nos preocupa. Normalmente nas duas semanas finais da campanha o pessoal já está com 70% a 80% das comprovações feitas e hoje [ontem] estamos a três dias do final da campanha com apenas 54% comprovados, observou Canteri. Segundo ele, a previsão de chuvas para a semana é outra preocupação, já que atrapalha a imunização.
Conforme a Adapar, o índice de comprovação na regional de Campo Mourão, que envolve também os municípios de Araruna, Corumbataí do Sul, Farol, e Luiziana está ainda mais baixo: 50%. Na nossa regional estamos com pouco mais de 50% das propriedades com o rebanho vacinado e comprovado. Quem não vacinou o rebanho ainda tem que dar um jeito porque a campanha não será prorrogada, alertou Canteri.
Na regional de Campo Mourão, o índice de comprovação vacinal por município é o seguinte: Araruna (65%); Campo Mourão (44%); Corumbataí do Sul (51%); Farol (40%); e Luiziana (56%). O nosso pedido aos produtores é que não deixem de fazer a vacinação e nem a comprovação de última hora, pediu o fiscal da Adapar.
Ele lembrou que os produtores que não tenham animais em idade vacinal (até os 24 meses de idade) devem obrigatoriamente fazer a atualização do rebanho, caso contrário serão considerados refratários e estrão sujeitos à penalidade prevista em lei. Nas propriedades que tiverem só animais acima dessa faixa etária, o produtor precisa trazer atualização do rebanho durante a campanha comprovando a sua evolução, justificou.
A comprovação pode ser feita no escritório da Adapar em Campo Mourão, prefeituras dos municípios, ou ainda pela internet no site: www.adapar.pr.gov.br. A multa para quem não fizer a comprovação em propriedades com até 10 animais é de R$ 956 e a partir de 10 animais R$ 99,00 por animal.
Canteri lembrou que para esta etapa a dose da vacina mudou, sendo reduzida de 5 ml para 2 ml para todos os animais, independente do peso e tamanho. Em várias propriedades que acompanhamos a vacinação encontramos o produtor ainda em dúvida. Na hora que foi fazer aplicação, se não tivéssemos presentes iria aplicar a dose de 5 mls, falou o médico veterinário.
Durante a campanha de vacinação, o transporte de bovinos e búfalos somente será autorizado após a realização da vacinação e da comprovação, tendo que aguardar o prazo previsto para movimentação, após a aplicação da vacina, que é 15 dias para animais com uma vacinação e sete dias para animais com duas vacinações.
O transporte de animais somente deve ser realizado com a GTA – Guia de Trânsito Animal. A GTA deve ser retirada para toda movimentação de animais (entrada e saída da propriedade), mesmo quando realizada dentro do mesmo município e entre vizinhos.
Esta será a última campanha de vacinação contra aftosa no Paraná. O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) realizou em 2018 duas auditorias necessárias para o encaminhamento do pedido do Paraná a Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) para que o Estado tenha o status sanitário livre de febre aftosa sem vacinação. Os técnicos do Mapa avaliaram programas, estrutura, capacidade técnica, financeira e administrativa do serviço de veterinário oficial do Estado. O Mapa reconheceu que o Paraná tem condições do status. O Paraná possui um rebanho de 9,2 milhões de bovinos e búfalos, distribuídos em 178.885 explorações pecuárias.

