Campo Mourão celebra 50 anos do Plano Nacional de Conservação dos Solos

A chuva que marcou o lançamento do Plano Nacional de Conservação dos Solos (PNCS), há exatos 50 anos, voltou a cair sobre Campo Mourão na manhã desta sexta-feira (4). Desta vez, de forma leve, enquanto autoridades políticas, engenheiros agrônomos e pioneiros da agricultura se reuniram na Praça Bento Munhoz da Rocha Neto, a Praça do Fórum, em frente ao Monumento Pró-Solo, para celebrar a data.

Realizada pela Coamo Agroindustrial Cooperativa, Associação dos Engenheiros Agrônomos de Campo Mourão (AEACM) e prefeitura, a solenidade lembrou o evento que, em 1976, colocou o município no centro das discussões nacionais sobre a conservação do solo e o futuro da agricultura no Brasil. Naquela ocasião, a chuva foi mais intensa. O aguaceiro interrompeu a cerimônia na praça e obrigou a transferência da programação para um armazém de sementes da Coamo, conforme lembrou o presidente dos Conselhos de Administração da Coamo e da Credicoamo, José Aroldo Gallassini. No local, o então ministro da Agricultura, Alysson Paolinelli, e o governador do Paraná, Jayme Canet Júnior, concluíram o lançamento do plano.

O presidente dos Conselhos de Administração da Coamo e da Credicoamo, José Aroldo Gallassini, destacou que o trabalho desenvolvido na região foi determinante para que Campo Mourão recebesse o lançamento nacional do plano

Presente nos dois momentos, Gallassini recordou que a erosão se tornou um grave problema com o avanço da mecanização agrícola. Diferentes técnicas foram testadas até que o plantio direto transformasse a realidade das lavouras. “Fizemos um trabalho muito grande de conservação do solo, com várias tentativas, desde cordões de contorno até terraços de base larga para segurar a água das chuvas. Mesmo assim, ainda enfrentávamos muitas dificuldades”, lembrou em entrevista à TRIBUNA.

Segundo Gallassini, o trabalho desenvolvido na região foi determinante para que Campo Mourão recebesse o lançamento nacional. “Quando passamos a plantar sem revolver a terra e mantendo a palhada, o sistema de produção mudou completamente. O lançamento do plano aqui foi o reconhecimento de todo o esforço realizado pelos produtores, agrônomos e entidades da região”, afirmou.

O prefeito de Campo Mourão, Douglas Fabrício, participou da solenidade. Ele destacou que o evento desta sexta resgata uma história que ajudou a construir a força econômica do município. Para ele, a conservação dos recursos naturais continua sendo indispensável à produção agrícola. “Não existe agricultura sem solo e sem água. A chuva durante esta cerimônia reforça justamente essa relação e nos lembra que produzir também significa preservar os recursos que sustentam a atividade”, resumiu.

O prefeito acrescentou que o pioneirismo iniciado há cinco décadas permanece como referência. “Campo Mourão foi protagonista de uma transformação que ultrapassou os limites do município. Celebrar os 50 anos do plano é reconhecer quem iniciou esse trabalho e reafirmar o compromisso de continuar produzindo com responsabilidade e sustentabilidade”, falou.

O presidente da AEACM, José Petruise Ferreira Júnior, destacou o trabalho de produtores, técnicos e lideranças para o lançamento do Plano Nacional de Conservação dos Solos em Campo Mourão na época

Celeiro agrícola

O atual presidente da AEACM, José Petruise Ferreira Júnior, lembrou que, nas décadas de 1950, 1960 e início dos anos 1970, a região atravessava o fim do ciclo da madeira e precisava encontrar uma forma eficiente de aproveitar terras consideradas pouco férteis e de baixo valor. “Era um solo pouco produtivo e muito afetado pela erosão. A adoção das práticas conservacionistas, acompanhada pelo plantio direto, mudou completamente essa realidade”, recordou à TRIBUNA.

Petruise destacou o trabalho de produtores, técnicos e lideranças, como José Aroldo Gallassini, Martin Kaiser, Ricardo Accioly Calderari, entre outros. “Hoje temos solos produtivos, com alta fertilidade e entre os mais valorizados do Paraná e do Brasil. A região se transformou em um verdadeiro celeiro agrícola porque compreendeu que é impossível produzir bem sem conservar bem”, falou.

A implantação do plantio direto em Campo Mourão começou na safra 1973/74, tornando o município a segunda experiência brasileira com o sistema. A técnica eliminou o revolvimento constante da terra, manteve a palhada sobre o solo e ajudou a reduzir as perdas provocadas pelas chuvas e pelos ventos.

Lançamento do Plano Nacional de Conservação dos Solos (PNCS) em 1976. Evento contou com a presença em então ministro da Agricultura, Alysson Paolinelli, e o governador do Paraná, Jayme Canet Júnior

Um dos protagonistas dessa história foi o engenheiro agrônomo Ricardo Accioly Calderari, pioneiro do plantio direto e um dos fundadores da Coamo e da AEACM. Na época do lançamento do PNCS, ele presidia a associação dos agrônomos. “O sentimento é de gratidão e reconhecimento a todos os envolvidos. As discussões do Paraná sobre conservação do solo passavam por Campo Mourão, e o lançamento do plano representou um reconhecimento muito grande do Governo Federal ao trabalho que já realizávamos”, afirmou.

Calderari lembrou que o movimento não terminou com a solenidade de 1976. A região avançou posteriormente na implantação de microbacias, no terraceamento, na adequação de estradas rurais e em outras medidas destinadas a evitar que a água das lavouras carregasse terra e sedimentos para os rios.

“O plantio direto foi a maior revolução da agricultura. Antes, o solo era arado e gradeado, e os ventos levantavam verdadeiras nuvens de poeira sobre a cidade. Hoje, a terra permanece protegida. Se essa mudança não tivesse ocorrido, as novas gerações talvez já não encontrassem o mesmo solo para produzir”, afirmou.

O prefeito de Campo Mourão, Douglas Fabrício, participou da solenidade. Ele destacou que o evento desta sexta resgata uma história que ajudou a construir a força econômica do município

Monumento Pró-Solo

O lançamento realizado em 1976 também ficou marcado pela instalação do Monumento Pró-Solo na Praça do Fórum, em referência à conservação do solo. Concebida pelos artistas paranaenses João Osório Brzezinski e Fernando Rogério Senna Calderari, a escultura reúne referências às curvas de nível, à água e aos danos provocados pela erosão.

Cinco décadas depois, o monumento permanece como símbolo de uma época em que Campo Mourão ajudou a mostrar ao país que o crescimento da agricultura precisava caminhar junto com a preservação da terra.

Autoridades

Participaram do evento: o prefeito de Campo Mourão, Douglas Fabrício; o presidente dos Conselhos de Administração da Coamo e da Credicoamo, José Aroldo Gallassini; o presidente Executivo da Coamo, Airton Galinari; o gerente regional do IDR-PR em Campo Mourão, Jairo Quadros; a vice-prefeita de Campo Mourão, Fátima Nunes Claro; o vereador Sidnei Jardim, engenheiros agrônomos; pioneiros que contribuíram para implantação do plano, entre outras lideranças.

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