Diretor da Escola de Polícia Civil do PR visita Campo Mourão e fala sobre concurso
Resumo da notícia
- A Polícia Civil do Paraná está com concurso público aberto para cadastro de reserva nos cargos de delegado, agente de polícia judiciária e papiloscopista, com salários de até R$ 26,8 mil.
- As inscrições seguem até quarta-feira (12), e os candidatos aprovados passarão por provas, avaliações física, psicológica, investigação social e curso de formação na Escola Superior de Polícia Civil.
- Para delegado é exigido bacharelado em Direito e três anos de atividade jurídica ou policial; para agente e papiloscopista basta graduação em qualquer área.
- O diretor da Escola Superior de Polícia Civil, delegado Valderes Luiz Scalco, afirmou que o Estado pretende realizar concursos com maior frequência para reduzir o déficit de servidores na corporação.
- Atualmente, a Polícia Civil do Paraná ainda possui déficit superior a 100 delegados, mais de mil agentes e mais de 100 papiloscopistas, além de centenas de servidores próximos da aposentadoria.
O diretor da Escola Superior de Polícia Civil do Paraná, delegado Valderes Luiz Scalco, esteve em Campo Mourão na última quinta-feira (6) para divulgar o novo concurso público da instituição. Com salários iniciais de até R$ 26,8 mil, a seleção formará cadastro de reserva para os cargos de delegado, agente de polícia judiciária e papiloscopista policial.
Durante a visita, Scalco comentou sobre os requisitos para participação, as etapas do processo seletivo e detalhes sobre a formação dos futuros policiais. As inscrições podem ser feitas até as 16 horas de quarta-feira (12), no site da Fundação Getulio Vargas (FGV), organizadora do concurso. A taxa é de R$ 242,47 para delegado e de R$ 156,36 para agente ou papiloscopista.
Para o cargo de delegado, o candidato deve possuir bacharelado em Direito e comprovar três anos de atividade jurídica ou policial. Para agente e papiloscopista, é exigida graduação completa em qualquer área. Segundo Scalco, a comprovação da escolaridade será exigida apenas no momento da posse.
A remuneração inicial é de R$ 26.876,48 para delegado e de R$ 9.007,67 para agente e papiloscopista, já considerando o auxílio-alimentação. A jornada prevista é de 40 horas semanais, com possibilidade de trabalho em escalas, plantões e convocações conforme a necessidade do serviço.
O delegado é responsável, entre outras atribuições, pela condução de inquéritos, coordenação das investigações e chefia de unidades policiais. Os agentes atuam em diligências, operações, cumprimento de mandados, levantamentos investigativos e atividades cartorárias. Já os papiloscopistas trabalham na identificação humana e em procedimentos técnico-científicos utilizados nas investigações.
De acordo com o diretor, o concurso oferece igualdade de condições para homens e mulheres e não estabelece idade máxima específica para participação, além do limite constitucional para permanência no serviço público. Scalco também destacou que o teste de aptidão física terá critérios divididos por faixas etárias e não deverá ocorrer antes de março de 2027, o que amplia o período de preparação dos candidatos. “Temos, no mínimo, oito meses para o candidato treinar e atingir índices objetivos, bem tranquilos”, afirmou.
O concurso reserva 10% das vagas que forem abertas para candidatos afrodescendentes e 5% para pessoas com deficiência. O edital também prevê adaptações nas diferentes etapas da seleção, desde que sejam consideradas legais, razoáveis, proporcionais e viáveis.
Entre as etapas previstas estão prova objetiva, inspeção de saúde, teste de aptidão física, avaliação psicológica e investigação social. Para os candidatos ao cargo de delegado, o concurso também contará com provas discursiva e oral. Na investigação social, a Corregedoria-Geral da Polícia Civil analisará a vida pregressa dos candidatos. Scalco explicou que uma condenação criminal definitiva pode impedir o ingresso na instituição, mas ressaltou que a existência isolada de um inquérito ou processo não provoca, automaticamente, a eliminação.
Formação
Após a aprovação e a nomeação, os candidatos serão matriculados obrigatoriamente na Escola Superior de Polícia Civil, onde passarão por um curso de formação com 824 horas de aulas, durante aproximadamente quatro meses e meio. A preparação terá mais de 60 disciplinas, incluindo operação policial, técnicas de inteligência, investigação e treinamento de tiro. Somente após a aprovação no curso o novo servidor estará habilitado para exercer plenamente as funções. “O policial passa por uma formação complexa, para sair preparado para exercer suas funções”, destacou Scalco.
A definição da região em que cada policial trabalhará seguirá a classificação obtida durante o curso de formação. Conforme explicou o diretor, os candidatos mais bem colocados terão prioridade na escolha entre as unidades com vagas disponíveis. Assim, a permanência do aprovado em Campo Mourão ou em outra região do Estado dependerá da existência de vagas e da posição alcançada no curso.
O novo concurso também faz parte da estratégia de reposição do efetivo da Polícia Civil. Segundo Scalco, 1.714 policiais foram nomeados nos últimos anos, mas a instituição ainda enfrenta um déficit histórico, agravado pelo número de servidores próximos da aposentadoria. Em agosto de 2025, o Estado deu posse a 560 novos policiais civis, sendo 446 agentes de polícia judiciária, 79 delegados e 35 papiloscopistas aprovados na seleção anterior.
Apesar das nomeações, Scalco afirmou que a corporação ainda apresenta déficit de mais de 100 delegados, mais de mil agentes e mais de 100 papiloscopistas. Atualmente, cerca de 410 policiais já teriam preenchido os requisitos para se aposentar, enquanto outros 600 poderão alcançar essas condições nos próximos quatro anos.
De acordo com o diretor, a intenção é reduzir o intervalo entre os concursos e manter uma reposição permanente do efetivo. As últimas seleções ocorreram em 2008, 2014, 2020 e agora em 2026. “Foi feito um planejamento estratégico para que todos os anos a gente consiga formar policiais na Escola Superior e não tenha novamente um intervalo tão grande entre os concursos”, afirmou.
A seleção anterior da PCPR previa inicialmente 400 vagas, sendo 50 para delegado, 300 para investigador e 50 para papiloscopista. Posteriormente, novas convocações ampliaram o número de profissionais incorporados à corporação.

