Horácio Amaral apostou no trigo e incentivou avanço da agricultura em Campo Mourão
Quando Horácio Amaral assumiu a Prefeitura de Campo Mourão, em 1969, o município enfrentava o esgotamento de uma de suas principais atividades econômicas. A exploração madeireira, que havia atingido o auge na década de 1960, reduziu drasticamente as florestas de araucária e começava a perder força. Ao mesmo tempo, estudos do Plano Diretor elaborado na gestão de Augustinho Vecchi apontavam baixa produtividade dos solos da região, uma avaliação que poderia desvalorizar as propriedades e desestimular investimentos no campo.
Horácio desconfiou do diagnóstico. Sem formação na área agrícola, buscou informações e especialistas para entender como terras cobertas por vegetação tão vigorosa poderiam ser consideradas pouco produtivas. A resposta da Prefeitura foi criar o Departamento de Agricultura e Pecuária e entregar sua chefia ao jovem Antônio Alvaro Massaretto. Ao convidá-lo para a função, o prefeito estabeleceu uma prioridade: “Dr. Álvaro, precisamos incentivar a cultura do trigo”.

Massaretto passou a liderar a campanha de fomento à lavoura tritícola, auxiliando agricultores e difundindo orientações sobre adubação e correção dos solos. Era uma época de baixa mecanização, em que predominavam culturas como arroz, milho e algodão e a região ainda era associada aos chamados “três S”: sapé, samambaia e saúva. Em abril de 1969, Horácio encaminhou à Câmara Municipal projeto de lei pedindo autorização para a compra de 200 sacas de sementes de trigo da “Café do Paraná”. Nos meses seguintes, foram realizadas experiências com variedades, épocas de plantio, adubação e calagem.
Os resultados ajudaram a mostrar que a produtividade poderia avançar com correção do solo e assistência técnica. Depois do trigo, a soja também começou a ganhar espaço. Com o crescimento da produção, porém, surgiu outra questão: como garantir melhores condições de comercialização aos agricultores?
Em novembro de 1969, produtores e lideranças regionais discutiram a criação de uma cooperativa. Horácio apoiou a proposta e se comprometeu a disponibilizar um terreno para o início das atividades. Em 1970, seria fundada a Coamo, que se tornaria uma das principais referências do cooperativismo agrícola da região e no Brasil.
A modernização do campo mourãoense resultou do trabalho de agricultores, técnicos, agrônomos, pesquisadores, cooperativas e órgãos públicos. A administração de Horácio Amaral, entre 1969 e 1972, participou desse processo num momento particularmente importante: o município precisava encontrar alternativas ao ciclo da madeira. O incentivo ao trigo, a assistência técnica aos produtores e o apoio à organização cooperativista ajudaram a abrir espaço para uma agricultura que, nas décadas seguintes, se tornaria uma das bases da economia de Campo Mourão.

