Sisu+ abre nova chance para candidatos que ficaram fora da seleção regular
O Ministério da Educação criou uma etapa complementar do Sistema de Seleção Unificada para tentar preencher vagas que ainda ficarem disponíveis nas universidades públicas depois do processo regular. A nova fase, chamada Sisu+, passa a funcionar em 2026 e foi pensada como uma extensão do próprio Sisu, não como um vestibular separado.
A proposta é ampliar as possibilidades para candidatos que participaram do processo, mas não conseguiram ocupar uma vaga na chamada regular ou nas convocações da lista de espera. Com isso, o governo tenta enfrentar um problema antigo do ensino superior público: a existência de vagas ociosas mesmo depois de várias chamadas.
Na prática, o Sisu+ funciona como uma etapa final para reorganizar essas oportunidades e permitir que instituições públicas preencham vagas que continuaram abertas ao fim do processo principal.
Como o Sisu+ vai funcionar
O Sisu+ só será aberto depois do encerramento completo da etapa regular do Sisu. Isso significa que o candidato primeiro participa da chamada principal, acompanha a lista de espera e aguarda as convocações feitas pelas instituições. Apenas depois disso, caso ainda existam vagas disponíveis, entra a fase complementar.
As próprias instituições públicas vão definir quais vagas serão ofertadas nessa nova etapa. Para participar, elas precisam ter integrado o Sisu regular no mesmo ano e formalizar a adesão ao Sisu+ por meio de um termo adicional. Em 2026, a adesão das instituições foi prevista para ocorrer entre 4 e 29 de maio.
Para os estudantes, as inscrições do Sisu+ 2026 serão realizadas entre 15 e 19 de junho, exclusivamente pelo Portal Único de Acesso ao Ensino Superior.
Quem pode participar da nova etapa
A participação no Sisu+ é restrita a candidatos que já participaram do Sisu regular de 2026. Ou seja, a nova fase não funciona como uma porta paralela para quem ficou fora do processo principal.
O estudante poderá escolher até duas opções de curso, turno, local de oferta e instituição, em ordem de preferência. Também será possível revisar dados socioeconômicos e, quando couber, alterar a modalidade de concorrência, como ampla concorrência ou cotas, dentro das regras previstas para essa etapa.
A seleção continua sendo feita com base nas notas do Enem. Não há nova prova nem critério adicional de avaliação. O sistema considera as edições válidas do exame e calcula a melhor média ponderada conforme os pesos definidos por cada curso e instituição.
Uso de notas antigas do Enem amplia as possibilidades
Uma das principais mudanças do Sisu 2026 é o aproveitamento de notas de mais de uma edição do Enem. No caso do Sisu+, podem ser consideradas as notas de 2023, 2024 e 2025, desde que o candidato se enquadre nas regras do edital.
O próprio sistema identifica automaticamente qual edição gera a melhor média ponderada para o curso escolhido. Isso reduz a dependência de uma única prova e pode beneficiar estudantes que tiveram melhor desempenho em anos anteriores.
Ao mesmo tempo, a mudança também tende a ampliar o número de candidatos aptos a concorrer, o que pode aumentar a disputa em algumas opções. Esse efeito costuma ser mais sensível em cursos tradicionalmente procurados, especialmente nas áreas da saúde.
Medicina é o exemplo mais evidente, mas não o único. Odontologia também costuma atrair candidatos atentos a notas de corte, lista de espera e vagas remanescentes, já que pequenas diferenças na pontuação final podem definir a aprovação em uma universidade pública.
Na prática, o Sisu+ cria uma espécie de última rodada dentro do sistema, com mais flexibilidade para o candidato reorganizar suas escolhas depois de saber quais vagas ainda estão disponíveis.
Por que o MEC criou essa nova fase
A ociosidade de vagas é um desafio recorrente do Sisu. Em alguns cursos, candidatos aprovados não fazem matrícula, desistem da vaga ou migram para outra instituição. Isso obriga as universidades a realizarem sucessivas chamadas e, mesmo assim, nem sempre garante o preenchimento total das turmas.
O Sisu+ foi criado para tentar tornar esse processo mais eficiente. Ao reunir vagas remanescentes em uma fase complementar, o sistema dá aos estudantes uma nova chance de ingresso e ajuda as instituições a reduzirem perdas de ocupação.
A medida pode ser especialmente útil em cursos com maior rotatividade ou em instituições que ainda enfrentam dificuldade para preencher todas as vagas após a lista de espera. Ainda assim, a ampliação das possibilidades também exige atenção do candidato: participar de mais uma etapa não significa, necessariamente, ter garantia de matrícula.
Enem volta a ter papel na certificação do ensino médio
Outra mudança recente envolvendo o Enem é o retorno da possibilidade de usar o exame para certificação de conclusão do ensino médio. A medida voltou a valer a partir da edição de 2025.
Para solicitar o certificado, o participante precisa ter pelo menos 18 anos na data da primeira prova, indicar esse interesse no momento da inscrição e atingir as notas mínimas exigidas. A regra prevê 450 pontos em cada uma das áreas de conhecimento e pelo menos 500 pontos na redação.
A emissão do certificado fica sob responsabilidade das instituições certificadoras habilitadas, como secretarias de Educação e institutos federais, conforme as normas do MEC.
Quando a vaga pública não vem, o planejamento muda
Para quem tenta uma vaga em universidade pública, o Sisu+ torna o processo um pouco menos definitivo. Ficar fora da chamada regular ou da lista de espera não significa, necessariamente, o fim das possibilidades naquele ano, desde que ainda existam vagas remanescentes e o candidato tenha participado do Sisu regular.
Mesmo assim, a nova etapa depende do que sobrar após o processo principal. Por isso, a oferta pode variar bastante conforme curso, turno, instituição e localidade. Em alguns casos, o estudante pode encontrar uma alternativa próxima do que desejava. Em outros, pode terminar o processo sem aprovação no curso pretendido.
Quando isso acontece, muitos candidatos passam a avaliar caminhos fora da universidade pública, como instituições privadas, bolsas, Fies, descontos institucionais ou outras formas de pagamento. Essa decisão costuma exigir ainda mais planejamento em cursos da área da saúde, que podem envolver mensalidades mais altas e gastos práticos ao longo da graduação.
Odontologia é um bom exemplo. Além da mensalidade, o estudante precisa considerar materiais, instrumentos, atividades clínicas e outras despesas que acompanham a formação. Por isso, quando a vaga pública não aparece ou a bolsa disponível não cobre todo o custo, faz sentido comparar alternativas e entender se vale a pena financiar curso de odonto dentro da realidade financeira da família.
O que muda para o candidato
O Sisu+ amplia as chances de ingresso, mas não elimina a necessidade de estratégia. O candidato precisa acompanhar o calendário, entender as regras da nova etapa e avaliar com cuidado se as vagas ofertadas fazem sentido para seu projeto acadêmico.
A principal mudança é que o processo deixa de terminar de forma tão rígida após a lista de espera. Ainda assim, a decisão continua exigindo atenção: escolher uma vaga apenas porque ela está disponível pode não ser o melhor caminho se o curso, a cidade ou a instituição não estiverem alinhados aos objetivos do estudante.
Em resumo, o Sisu+ cria uma nova oportunidade para quem ficou fora da seleção regular, mas também reforça a importância de planejamento. Para muitos candidatos, especialmente em cursos disputados, a estratégia não termina na nota do Enem. Ela continua na escolha das opções, no acompanhamento das vagas e na avaliação dos caminhos possíveis para começar a graduação.
Claro — o principal problema do texto atual é que ele ficou duplicado e a parte de Odontologia ainda entra um pouco “enxertada”. Abaixo está uma versão mais natural, com a menção à Odontologia aparecendo antes, dentro da lógica de cursos disputados da área da saúde, e o link entrando depois como consequência do planejamento financeiro. Usei o conteúdo enviado como base de edição.

