Opinião: A sexta-feira que pode definir um histórico Brasil x Argentina

Após um hiato de dois dias, a coluna e a Copa do Mundo voltam nessa sexta-feira com o início das quartas-de-final e com a contextualização da discussão pública entre Casagrande e Thiago Leifert.

Primeiro, a treta.

Tudo começou quando Casagrande criticou parte do elenco da seleção brasileira campeã em 2002 por estarem trabalhando para a FIFA/Catar nesse mundial e não se juntarem a torcida e ao povo como ex jogadores argentinos estão fazendo. Na crítica, Casagrande ainda citava Thiago Leifert falando que ele teria tentado o prejudicar quando ambos trabalhavam na Globo, justamente pelo fato de Casão ter essa pegada mais crítica/política. Leifert respondeu o ex jogador falando que as acusações são falsas e “sem sentido algum”. Nas entrelinhas deu para perceber uma certa insinuação de que Casagrande estaria meio louco, inventando coisas (o que acaba tendo uma conotação mais pesada considerando ser pública a luta de Casagrande contra o vício em drogas). Veio a tréplica, com Casgarande citando nomes e eventos específicos que Thiago Leifert o teria prejudicado. Até agora não houve resposta. Seguiremos acompanhando.


Quanto aos jogos, foram muitas surpresas na fase de grupos, mas nas oitavas-de-final apenas a Espanha não confirmou o seu favoritismo e foi eliminada pelo Marrocos na disputa de pênaltis. O Marrocos é a primeira seleção de um país árabe a ficar entre as oito melhores do mundiais e fará seu confronto de quartas-de-final contra outro rival da península ibérica: Portugal.

Portugal atropelou a Suíça na melhor partida de uma seleção nessa Copa do Mundo, mas o que mais chamou atenção foi Cristiano Ronaldo pela primeira vez no banco no torneio mais importante de seleções. Dizem que o gajo até considerou pedir dispensa. A sua cara de poucos amigos após o fim da partida parece até confirmar essa hipótese. Um fim de carreira bastante conturbado para o melhor jogador português da história.

E se teve apenas uma surpresa, significa que grandes confrontos vêm aí.

As quartas-de-final começam com Brasil x Croácia, às 12h00.

Em 2006 e 2014 o Brasil ganhou da Croácia em jogos da fase de grupos e chega como favoritaço para o confronto de logo mais. Enquanto a seleção brasileira já conseguiu até poupar seus jogadores, os croatas chegam desgastados de um jogo tenso contra a Bélgica e de uma prorrogação contra o Japão nas oitavas.

Como informado em coluna anterior, desde 2002 o Brasil não ganha de uma seleção europeia em fases eliminatórias de Copa do Mundo. Para passar por esse incômodo jejum, Tite colocará em campo o mesmo time que ganhou da Coréia do Sul, com Danilo na esquerda, Militão na direita, Paquetá e menino Ney no meio de campo. A depender do desempenho de hoje, mesmo se Alex Sandro voltar, é provável que essa escalação continue até a última partida do Brasil.

A Croácia confirma seu status de melhor seleção de futebol de uma ex-república da antiga Iugoslávia. A Croácia, assim como algumas outras seleções dos Balcãs, é conhecida por jogar um futebol com características bem brasileiras – na resenha do Real Madrid, Modric até se intitula como jogador brasileiro – e não é incomum alguns termos utilizados no futebol daqui serem usados como por lá. A principal torcida do principal clube croata, o Hajduk Split, tem o nome de “Torcida”, conhecido por ser o primeiro grupo de ultras do futebol europeu. Hoje eles têm uma certa ligação com movimentos fascistas, mas não deixa de ser uma história singular.

Embora já tenha sido semifinalista em 98 e finalista em 2018, a verdade é que se ganhar do Brasil hoje a Croácia escreverá provavelmente o maior capítulo de sua história no futebol, mas, em contrapartida, evitará o que pode ser o maior jogo da história do futebol mundial.

É que quem passar de Brasil x Croácia enfrenta na semifinal o vencedor de Argentina x Países Baixos. E um Brasil x Argentina jogando por uma vaga em final de Copa do Mundo, amigos, na última chance de Messi vencer um mundial, não tem muita coisa maior que isso.

Os Países Baixos também podem evitar esse confronto – bem mais do que a Croácia, aliás – e com uma campanha regular até agora jogam a partida das 16h00 para superar as expectativas de seu desempenho.

A Argentina sofreu mais do que precisava contra a Austrália, mas desde que perdeu a primeira partida para a Arábia Saudita vem mostrando muita força em duelos decisivos, com Lionel Messi jogando demais. O outro Lionel da seleção argentina, o menos importante, o técnico, Lionel Scaloni, mais uma vez muda algumas peças do time, sempre para tentar encontrar a melhor maneira do Lionel mais importante mostrar todo seu repertório. E é bom aproveitar cada minuto, todo jogo agora pode ser a last dance dele.

E se tem Países Baixos x Argentina, um dos maiores clássicos de Copa do Mundo (final de 1978, quartas-de-final de 1998 e semifinal de 2014), é obrigação falar daquele lance, aquele, já descrito aqui quando confirmado o jogo entre essas seleções. Procurem no YouTube: “Netherlands – Argentina: Bergkamp Goal 1998”.

Lucas Fernando é de Ariquemes/RO. Como é santista, até os 17 anos os únicos títulos que tinha comemorado foram os da Seleção Brasileira de Futebol em 94 e 2002. Talvez isso justifique sua paixão por Copas do Mundo. A cada 4 anos para quase tudo para acompanhar os jogos, inclusive aquele Tunísia e Panamá pela última rodada do Grupo do G da Copa de 2018.