Após graves incêndios, bombeiros apontam principais fatores de risco

As vistorias são realizadas anualmente, segundo o comandante dos bombeiros. As irregularidades mais comuns apontadas por Calegari estão nos prédios. Temos constatado que as pessoas usam as rotas de fuga dos estabelecimentos para depósitos, não há iluminação e as centrais de GLP não funcionam adequadamente. Outros colocam mercadorias na frente dos hidrantes, deixam os extintores escondidos, enfim uma série de situações irregulares que em caso de incêndio colocam em risco a vida das pessoas e atrapalha a ação de combate dos bombeiros, declara o tenente.

No domingo passado, Campo Mourão presenciou o que pode ter sido o maior incêndio já registrado no município. O Mercadão Municipal, um dos estabelecimentos comerciais mais antigos da cidade, acabou consumido pelo fogo durante a noite. Nem mesmo a ação unificada de bombeiros, populares, apoiado ainda com caminhões pipas da prefeitura da Coamo, evitou que o prédio fosse totalmente destruído. Mais de 90% da edificação foi deteriorada pelas chamas.

As causas do incêndio ainda não foram esclarecidas, portanto o comandante dos bombeiros não comenta sobre a situação do imóvel. Na verdade quando cheguei em Campo Mourão, há quatro anos, o Mercadão não tinha nenhum projeto, ou sistema preventivo adequado. Havia alguns extintores, mas os botijões de gás ficavam dentro do prédio. Além disso não havia hidrante. Na época fizemos o projeto e um termo de ajuste, quando as coisas foram regularizadas, conta. Apesar de aparentemente o sistema de segurança estar tudo em ordem, de nada adiantou para evitar a catástrofe. Calegari explica que no caso do Mercadão, o problema foi a demora em detectar o incêndio.

Como o incêndio ocorreu à noite e não havia nenhum vigia no local, as pessoas demoraram para perceber. Quando recebemos a primeira chamada era 22h32 e cinco minutos depois já chegamos no local, quando o fogo passava o teto. Infelizmente não havia muito o que fazer. O fogo se alastrou muito rápido porque as mercadorias era de material combustível. Era uma situação totalmente adversa porque o prédio estava tomado de fumaça, havia muito fogo e estava tudo escuro. Era necessário combater o incêndio, mas acima de tudo sem colocar nenhuma vida humana em risco. E felizmente ninguém saiu ferido.

O incêndio no Mercadão foi semelhante ao da Jorrovi Calçados, em termos de prejuízos e dificuldade de combate, segundo Calegari. O episódio aconteceu no dia 6 de setembro, também num domingo à noite. Foram incêndios de grandes proporções, onde o Corpo de Bombeiros não teve muito o que fazer, porque em ambos havia muito material de combustão, que faz com o que o fogo se alastre muito rapidamente.Na Jorrovi só deu para salvar os andares de cima da loja, mas grande parte do estoque foi queimado ou danificado, ressaltou.

Tenente alerta sobre as medidas de prevenção

Mesmo com as vistorias realizadas anualmente pelo Corpo de Bombeiros, a segurança desde uma simples casa a um prédio de 20 ou mais andares depende muito do cuidado das pessoas que habitam no local. O comandante do Corpo de Bombeiros, tenente Leandro Calegari repassa algumas dicas de segurança que podem evitar os incêndios ou outros incidentes. Ao sair de casa, principalmente se for passar mais de um dia fora, o correto é desligar a rede elétrica, ou desconectar os aparelhos. Também é preciso muito cuidado para não esquecer panelas no fogo ou velas acesas, orienta.

De acordo com o tenente Calegari, todas as medidas de segurança são cobradas durante as vistorias. Temos cobrado essas questões de segurança. É preciso adequar as edificações para que tudo funcione adequadamente, pois em caso de evacuação, as pessoas precisam sair em segurança.Quando verificamos alguma irregularidade, fazemos a notificação ao proprietário. Caso não seja sanado o problema emitimos o certificado de reprovação.

Por Clodoaldo Bonete, da Redação