Às vezes é solicitada uma quantidade maior de leite por ter uma demanda maior e nós não temos. Então nós sabemos que é uma demanda que precisa ser sanada. Mas o mais importante é sensibilizarmos essas doadoras porque muitas vezes a mãe perde o estímulo, afirma.
Hoje, para tratamento do leite, Campo Mourão é atendido pelo Hospital Universitário Regional de Maringá. O leite é captado no município e encaminhado àquela cidade. Ana Lúcia destaca que mesmo repassando as orientações às mães de como fazer a captação corretamente, cerca de 30% do leite recolhido acaba dispensado por não ter sido ordenhado adequadamente. Muitas mães acabam armazenando em frascos sujos ou em quantidade não congelada, revela.
Estrutura limitada e poucas doações impedem instalação
De acordo com o secretário da Saúde de Campo Mourão, Paulo Davidoff, a falta de doadores não é razão exclusiva que impede a implantação do banco de leite. Segundo ele, o destino do material doado tem que ser tecnicamente adequado e cumprir o exigido pelo Ministério da Saúde. Mas para isso é preciso estrutura técnica com aparelhagem necessária.
Não existe o banco apenas porque nós não temos doadores suficientes isso é um dos fatores. Temos que ter doadores e toda uma estrutura para a preparação do leite, explica.
Suponho que recolho hoje cem litros de leite, e daí como é que vou distribuir como é que vou acondicionar como é que vou preparar e para quem vou distribuir, questiona. É toda uma sequência de procedimentos integrados.
Comcam
Conforme Ana Lúcia, para a implantação do banco de leite em Campo Mourão, todos os municípios da Comcam devem se sensibilizar e abraçar a causa. Teríamos que ter uma enfermeira responsável em cada município para orientar as mães de como doarem adequadamente.
Campanha deverá estimular doações
Ana Lúcia revela que está faltando leite materno no banco improvisado em Campo Mourão. Atualmente a única maneira utilizada para conscientizar as mães da importância da doação é o Cegonha Feliz, programa desenvolvido pelo município. Para aumentar o número de doadoras, ela afirma que a prefeitura, em parceria com a Santa Casa, irá trabalhar em conjunto.
A idéia, explica, é desenvolver uma campanha que estimule as mães a doarem. A partir do aumento da captação teremos um motivo a mais para a implantação do projeto, observa. Nós precisamos deste leite materno pasteurizado. O banco de leite atenderá toda a região da Comcam. Segundo Ana Lúcia, a secretaria de Saúde terá controle de quem são as doadoras e como são.
Vantagens
Com o banco de leite implantado em Campo Mourão o trabalho na área seria facilitado e o serviço já disponível na Santa Casa seria estabilizado. Bebês pré-maturos são os que mais precisam do leite doado.
Parceria entre Rotary e S. Casa deverá viabilizar banco de leite
A Santa Casa entregou ao Rotary Clube Campo Mourão um projeto para viabilização do banco de leite. Segundo o ginecologista, obstetra e presidente do Rotary Clube Campo Mourão, Antonio Carlos Cardoso, o projeto- elaborado para atender a necessidade de toda a região-, está em andamento. Cardoso revela que o banco de leite está orçado em torno de US$ 30 a 40 mil (cerca de R$ 70 mil).
No Rotary funciona assim. Nós achamos um clube de Rotary internacional apresentamos o projeto e se eles se interessarem dão uma contrapartida do dinheiro, normalmente 50% aí o distrito que é a governadoria do Rotary dá 40% e nosso clube entra com 10% dos valores viabilizando financeiramente o banco de leite, explica.
Cardoso frisa que manutenção ficaria sob responsabilidade do município. Colocamos em funcionamento e a entidade que recebe tem como função dar segmentos. O gasto é o mínimo possível a Santa Casa e a região vão suportar muito bem porque o caro é montar a aparelhagem.
Importância
De acordo com Cardoso o banco de leite é de extrema importância por salvar vidas. Segundo ele, uma seringa de 20 milímetros é o suficiente para salvar a vida de uma criança. O médico explica que se um bebê prematuro internado em uma UTI consumir leite materno, mesmo que não seja de sua mãe, tem praticamente 80% menos chance de ter infecções.
E ele tem um período de internação na UTI que chega a ser abreviado em até 50% então muitas vezes um copo de leite materno que é uma grande quantidade de leite poderia salvar duas ou três vidas, diz.
Cardoso ressalta que além de viabilizar o banco de leite é preciso fazer uma campanha para aumentar o número de doadores. Não adianta nada ter uma excelente estrutura se não existem doações. Hoje, das mulheres capazes de doar leite, mesmo que seja uma seringa por dia ou por semana, isso para nós já é o bastante. O médico revela que apenas de 2 a 3% do número de mulheres capazes de doar estão colaborando.
Quem pode doar
Toda mãe saudável com excesso de leite pode ser doadora. Contanto que não faça uso de alguns medicamentos restritos, não tenha doenças infectocontagiosas, principalmente hepatite e HIV. Para isso, ela precisa procurar orientação em uma unidade de Saúde mais próxima de sua casa e se informar sobre como fazer a doação. O leite deve ser retirado depois que o bebê mamar ou quando as mamas estiverem muito cheias.
Tempo de validade
O leite materno, antes da pasteurização pode ficar armazenado até por 30 dias congelado. Depois da pasteurização na maneira adequada, pode ficar guardado até por um ano.
Rede de Bancos de Leite Humano no Paraná
O Paraná conta com oito bancos de leite materno. São eles:
Curitiba – Hospital de Clínicas da UFPR e Hospital Universitário Evangélico
Ponta Grossa – Hospital da Criança Prefeito João Vargas de Oliveira
Foz do Iguaçu – Hospital Ministro Costa Cavalcanti
Cascavel – Hospital Universitário do Oeste do Paraná
Maringá – Hospital Universitário Regional de Maringá
Londrina – Hospital Universitário da Universidade Estadual de Londrina
Toledo – Hospital Bom Jesus de Toledo
Por Walter Pereira, da Redação