Durante esse período quem procurou alguma agência para pagar, sacar, fazer depósitos, entre outras transações teve que ter muita paciência aguardando nas filas ainda maiores que em dias de trabalho normal. Numa das agências da cidade chegou a faltar dinheiro nos caixas eletrônicos. Outro ponto questionado por muitos clientes é com relação a aglomeração que contribui para a proliferação da gripe (A) H1N1.
Até esses dias, por causa da nova gripe entrava no máximo até quatro pessoas dentro do banco. Agora pode ficar esse monte de gente aglomerada? será que a gripe já acabou?, questiona o empresário Aroldo Tissot, que desistiu de fazer uma transferência de dinheiro por causa da demora na fila.
Outro que está desanimado com a greve é o professor Amani Spachinski de Oliveira. Ontem ele até desistiu de fazer um pagamento devido ao tumulto de pessoas na fila. Se for entrar na fila vou ficar mais de uns quarenta minutos, reclama. O pior de tudo isso é que a população sempre paga. É triste ter que dependermos de bancos.
Conforme Spachinski, as pessoas que precisam de serviços prestados somente pelos bancos como pagamento de aposentadorias, são as que mais sofrem. Ele comenta que estava em uma agência quando chegou uma senhora de outro município para receber aposentadoria, no entanto foi informada pelos funcionários para que voltasse somente na segunda-feira.
Num caso como esse, com certeza essa senhora depende da aposentadoria para comer. Ela veio lá de outro município e perdeu a viagem. Casos como estes precisam ser revistos, chama atenção.
Quem também não está nada contente com a situação é o empresário Sidney Cavaletti, que pelo segundo dia seguido estava tentando pagar algumas contas. Ele afirma que ficou mais de quarenta minutos aguardando na fila. Consegui resolver meus problemas parcialmente, preciso pagar uma DARF (Documento de Arrecadação Federal), mas não estou conseguindo pagá-la pelo caixa eletrônico, comenta.
O professor Luiz Francisco de Mello, que compareceu ontem a uma agência para sacar dinheiro, também está passando por transtornos com a greve dos bancários. Segundo ele, o que está acontecendo é um abuso com a população, que precisa dos serviços de banco. Os bancários têm todo direito de reivindicar melhores condições de trabalho, mas não podem prejudicar o restante do povo, critica.
Mello torce para que a grave termine o mais rápido possível. Se em dias de trabalho normal a demora para ser atendido já é muita imagine agora, frisa. A Caixa Econômica mesmo é um exemplo, a maioria dos caixas sempre está com problema e nós perdemos muito tempo com isso. Eles devem dar mais atenção para nós consumidores e clientes, reivindica.
Nova reunião discutirá fim de greve
Será realizada hoje, às 10 horas, uma nova reunião com a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) que discutirá o reajuste aos bancários. Segundo o presidente do Sindicato dos Bancários de Campo Mourão e região, Luiz Marcelo Legnani, a negociação está sendo discutida há mais de um mês. Os bancários pedem 10% de aumento e os bancos ofereceram 4,5%.
Se a proposta for mais próxima do que propusemos e os bancários chegarem a um consenso poderemos voltar ao trabalho ainda hoje, afirma Legnani. Mas sinceramente eu não espero muita coisa na reunião de amanhã (hoje). Espero que possamos resolver isso o mais rápido possível, pois estamos todos querendo voltar ao trabalho.
Legnani destaca que o percentual de reajuste apresentado pelos bancos é um desrespeito aos bancários, uma vez que eles são responsáveis pelos lucros alcançados. Esse valor representa apenas a inflação do período. Teve alguns setores que foram afetados pela crise econômica, mas os bancos não.
Por Walter Pereira, da Redação