Ou seja, choveu o suficiente para dois meses. Para o instituto, a principal explicação está na influência do El Niño (aquecimento das águas do Pacífico). Este fenômeno altera a circulação dos ventos na atmosfera e uma de suas consequências para o Sul do país é o aumento das chuvas, principalmente, devido ao ingresso mais significativo de umidade da Amazônia até o Sul.
No entanto, para o Simepar, o excesso de água durante o verão 2009/2010 já era previsto. Campo Mourão também se revelou como a recordista em chuvas de toda a sua região. De acordo com o órgão, a média climatológica (de 30 anos) para a cidade é de 175,2 mm, ou seja, em janeiro de 2010 choveu 85,5 % a mais que a média. Os meteorologistas ainda explicaram que, caso haja um verão novamente com presença do El Niño moderado ou forte, o clima voltará a apresentar elevada incidência de chuva.
Contudo, há um indicativo de que este fenômeno perca força até o inverno e, nestas condições, Campo Mourão dificilmente terá tanta chuva nos próximos meses. Mesmo assim a tendência é de que fevereiro, março e abril ainda serão chuvosos em relação as médias climatológicas, observou o Simepar.
Controlando a chuva
Quem mais fica atento com o excesso ou a falta de chuvas são os agricultores. E não é para menos. A produção depende quase que exclusivamente do céu. O produtor rural Gabriel Rogério Jort, 51 anos de idade, disse que, embora a água tenha caído em abundância no último mês, ela não chegou a prejudicar a soja. Somente em um domingo, em pouco menos de oito horas, choveu mais de 100mm, disse. Segundo ele, mesmo com as plantas úmidas, os curtos períodos de estiagem foram bem utilizados para a aplicação de fungicidas. Tivemos que trabalhar até de noite para garantir a produção, revelou.
Sempre preocupado, Jort acabou se transformando numa espécie de homem do tempo, tamanha a dedicação com as culturas. Em dias de chuva ele mede a quantidade de água que incide sobre a sua fazenda (Campo Bandeira), em Campo Mourão. Com a ajuda de um pluviômetro (aparelho que mede o índice de chuvas) ele vem construindo, desde 1980, um mapa com a incidência das chuvas em sua propriedade. Há 30 anos venho registrando as chuvas, mês a mês, disse. Ele explica que o sucesso da colheita é resultado direto da atenção e intuição de cada agricultor. A intuição conta muito.
Dados do controle pluviométrico registrado nos meses de janeiro na Fazenda Campo Bandeira, em Campo Mourão
1981 – 241mm
1982 – 82mm
1983 – 204mm
1985 – 63mm
1986 – 131mm
1987 – 252mm
1988 – 173mm
1989 – 497mm
1990 – 193mm
1991 – 216mm
1992 – 73mm
1993 – 410mm
1994 – 315mm
1995 – 423mm
1996 – 426mm
1997 – 314mm
1998 – 204mm
1999 – 181mm
2000 – 116mm
2001 – 277mm
2002 – 247mm
2003 – 339mm
2004 – 339mm
2005 – 350mm
2006 – 173mm
2007 – 420mm
2008 – 172mm
Por Dilmércio Daleffe, da Redação