Bacia do Rio do Campo volta a ser contestada

No entanto, o vereador entregou nesta semana para a reportagem, um laudo técnico emitido pela Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento (SEAB), notificando o município que a falta de manutenção nas estruturas conservacionistas da estrada municipal permite que as águas pluviais escoem provocando erosão no seu leito, carregando sedimentos para os cursos d´água da microbacia, alterando a qualidade da água. O diagnóstico foi apresentado pela Sanepar.

O Rubens passou este diagnóstico porque nunca imaginou que este laudo fosse parar em minhas mãos. Como pode falar que a água é de boa qualidade se no laudo diz outra coisa, questiona Moraes. O vereador reforça que se as estradas e microbacias fossem conservadas o problema seria evitado. Não adianta os agricultores conservarem o solo se as estradas rurais estão abandonadas, critica, acrescentando que também produtos tóxicos utilizados nas lavouras podem estar sendo levados rio adentro.

De acordo com Moraes, a conservação da bacia do Rio do Campo-principal fonte líquida de Campo Mourão-, deve ser de responsabilidade da Sanepar. Ele afirma que a mata ciliar deve atingir cem metros e não trinta. A Sanepar tem que reflorestar e fazer com que não caia nada dentro do leito do Rio, cobra. Segundo o vereador, a empresa deveria ter maquinários próprios para manter as estradas próximas à bacia conservadas.

Na prática, as vias e os carreadores rurais deveriam ter caídas em seus dois lados, direcionando a água das chuvas para as próprias lavouras. Ou seja, a partir de curvas feitas na própria terra, conhecidas como bigodes, a enxurrada deixaria de correr em direção ao rio.

Sanepar

O gerente da Sanepar, Rubens Rufine voltou a afirmar que a água do Rio do Campo não está sendo contaminada pelas enxurradas. Rufine explica que a Sanepar faz uma análise da água de hora em hora. A população pode ficar tranqüila, diz. O que acontece segundo ele, é que em período de muita chuva a qualidade da água in-natura é alterada. Isso não significa que a água esteja contaminada por produtos químicos, esclarece.

Conforme o gerente, a Sanepar faz parte de um grupo técnico da microbacia do Rio do Campo e está definindo ações para mapear toda malha viária do local. Segundo ele, será feito recadastramento dos responsáveis técnicos de cada propriedade para colher informações dos receituários agronômicos que estão fazendo e agricultores serão recadastrados. Nos próximos dias, será apresentado ao prefeito um projeto de malha viária para readequar todas as estradas e carreadores rurais daquela região, isso deverá resolver o problema em pelo menos 90%, acredita.

Para Rufine, existe um modismo dos agricultores em não fazerem a conservação dos terraços. Nós vimos muitas imagens dentro da própria bacia de muita erosão já corroendo as propriedades que inexplicavelmente estão abandonando a conservação do solo, critica. Com relação a mata ciliar, Rufine comenta que não há problemas. Segundo ele, 90% da bacia do Rio do Campo está recuperada com mata ciliar. É um trabalho que vem desde 79, observa.

Resposta do município

O secretário municipal de Obras de Campo Mourão, Francisco Cardamoni, reconhece que problema existe. No entanto, alega que faltam recursos para o município. Conforme ele, a elevada incidência de chuva prejudicou os trabalhos de conservação e readequação das estradas tanto das que estão ligadas ao manancial de abastecimento de água do Rio do Campo como das demais. De acordo com Cardamoni, o município dará mais atenção para a conservação das estradas rurais.

O município de Campo Mourão através da Secretaria de Obras e Serviços públicos projetou um mapa de cadastramento de todas as estradas rurais de acordo com as mais necessitadas que estão em estado precário, as que servem ao transporte escolar que é de suma importância para o desenvolvimento do município e aquelas que o prefeito julgar mais importantes,disse Cardamoni em ofício enviado a Seab.

Por Walter Pereira, da Redação