Para conseguir manter os clientes, os demais acabaram diminuindo os preços também e atingindo os menores patamares do ano. Um levantamento realizado nos principais postos da cidade apontou que quem pesquisar para abastecer com álcool pode pagar até R$ 0,97. Lamento para os donos e alegria para quem gasta menos para encher o tanque.
Um dos motivos para a queda é a safra de cana de açúcar que começou em março e deve perdurar até dezembro. Theodoro Andrade, proprietário de um dos postos onde a gasolina está mais barata explicou que a tendência é que esse preço continue caindo. A distribuidora baixou os preços e consequentemente, diminuímos também. A tendência é de queda, até porque quanto mais o preço cai, mais a população abastece. O movimento aqui triplicou desde que começamos com o preço mais baixo, diz.
Segundo Andrade, não é possível afirmar até quando essa queda vai se manter. Não podemos dizer que não vai subir. Hoje mesmo, entrei no site da companhia que fornece nosso combustível e teve um aumento de meio centavo. Nas bombas não faz diferença, mas já dá para perceber que mudam de uma hora para outra e não sabemos antes. Mas não deve subir rápido, já se cogita descer para R$0,89, completa.
Concorrência
Para não perder os clientes, donos de outros postos na cidade estão baixando o preço. Aqui o motivo para a queda é a concorrência. Até porque existe uma diferença entre postos bandeirados. Muitas vezes, as marcas oferecem incentivo que seguram o prejuízo. Para os outros ‘posteiros’ independentes fica quase inviável. Estou trabalhando aqui a preço de custo. Essa mesma pressão se espalha para os outros, reclama Marinaldo José Rattes, proprietário de um dos postos que oferece o combustível mais barato.
Segundo ele, o preço ideal para cobrir os custos e trazer uma margem de lucros seria um pouco acima. O correto pelo que pagamos na compra seria revender de R$1,10 a R$1,20. Seria justo para o consumidor e para o empresário. Tenho postos em outras cidades e posso dizer que hoje, Campo Mourão tem o álcool combustível mais barato do Paraná, completa.
Rattes ressaltou que enquanto o preço for mantido na cidade ele também manterá. Não posso perder clientes pelo preço, o atendimento conta muito, mas hoje em dia as pessoas decidem mesmo pelo custo.
Se é ruim para os proprietários, os consumidores comemoram. O Policial Militar Vagner Belucci, 28 anos, que é de São Paulo e está há uma semana na cidade resolveu aproveitar a queda. Curiosamente, hoje está mais barato do que em São Paulo, no ano passado estive na cidade e me lembro que paguei bem mais caro. Quanto é assim temos de aproveitar.
Levantamentos
De acordo com o último levantamento de preços realizado pela Agência Nacional do Petróleo (ANP), realizado há uma semana, a nota fiscal apontou que em um dos postos da cidade, o combustível era comprado a R$ 0,99 e estava sendo revendido à R$1,25. Bem acima dos atuais R$ 0,97.
Em uma pesquisa rápida entre os principais postos da cidade, a reportagem constatou que os preços estavam variando entre R$ 0,97 e R$1,14.
Queda no preço mas não na qualidade
Com a queda nos preços, muita gente se preocupa que isso represente alguma adulteração ou queda na qualidade do que é oferecido. No entanto, Rattes explicou que hoje é praticamente impossível o combustível sofrer alterações. A fiscalização sobre os postos está muito intensa, e isso é bom para quem trabalha seguindo a lei. Temos o Ipem, a ANP por meio da Universidade Federal que realiza testes periódicos e, além disso, as bombas tem um mecanismo de aferição.
Ele também lembra que todo consumidor tem direitos e estes devem ser respeitados. Ele pode pedir para ver a nota de compra do combustível, pedir para aferirem a bomba na sua frente se sentir-se lesado e também o básico de não ser enganado por nenhuma propaganda que não corresponda a realidade. Resumindo, ele pode ver o que quiser, é o seu direito e ele deve exigir, completa o proprietário. (ACP)
Por Ana Carla Poliseli, da Redação