Assaltos a comércio disparam em CM

O sargento do 11º BPM, José Roberto Pelisson, explicou que quem pratica não são apenas os menores de idade. Entre os que pegamos, posso dizer que mais ou menos 50% é menor, os outros, são os maiores que levam junto adolescentes. Justamente para se algo der errado, eles jogam a culpa nos menores, relata. Segundo ele, muitos se aproveitam das brechas que a legislação tem para diminuir a penalidade. São muitos recursos e benefícios que fazem com que ocorra a impunidade. Infelizmente hoje, um menor se não tiver passagens pela polícia em menos de dois dias está livre, completa.

A sensação de que não há punição preocupa os comerciantes e pode levar muitos a não registrar a ocorrência. Isso acontece sim, mas é errado. Tem de chamar a polícia e nós vamos até o local e fazemos todo o procedimento, ressalta.Foi assim que a gerente da farmácia explicou que todas as ocorrências foram tratadas. Nós chamamos a polícia sempre. Depois de tantos assaltos, ela diz já ter conhecido várias formas de atuação dos bandidos. Já tivemos o que chamam de assalto relâmpago quando eles entram, levam o que temos e depois saem rápido e tivemos alguns que foi coisa de filme mesmo. Isso quando é o malote, fecharam com o carro o rapaz que estava transportando o dinheiro. É difícil até de acreditar, enumera. O modo de operar no entanto é na maioria das vezes o mesmo: armado, usando capacete e óculos escuro.

Ela lembrou que pelo que perceberam nas vezes em que foram assaltados, a maioria dos jovens tinha envolvimento com drogas. Segundo o Sargento Pelisson, é comum que nestes assaltos eles levem qualquer coisa, mesmo que o valor seja inferior. Não sabem quanto vale quando levam em mercadoria, até porque não tem noção do valor do dinheiro. O que você faz com R$ 10,00? Para eles só serve para comprar uma pedra de crack, complementa.

Outras ocorrências

Apesar do crescimento no número de roubos ao comércio, as outras ocorrências tiveram quedas significativas neste semestre em relação ao primeiro semestre do ano passado. O número de furtos e roubos de veículos caiu mais de 55%, foram 18 em 2009, contra 8 em 2010. O número de residências que foram alvo da ação de bandidos também apresentou queda de 14,55%, foram 220 em 2009, contra 188 em 2010.

Pagamento de água e luz

Para tentar diminuir a quantidade de assaltos, muitas farmácias estão optando por não aceitar mais o recebimento de contas de água, luz e telefone. Assim foi na farmácia da gerente que prefere não se identificar. Em toda a rede, há um cartaz avisando que agora só as compras da farmácia devem movimentar dinheiro. É uma pena, pois era muito bom para os clientes, que não precisavam enfrentar filas e para nós também que muitas vezes ganhávamos um freguês dessa transação, diz.

Segundo ela, na última vez em que o malote foi roubado, o dinheiro vinha basicamente dessas contas. Não existe nenhum tipo de seguro para essa movimentação de dinheiro, se formos roubados, ainda teremos prejuízo maior, pois temos de ressarcir integralmente o valor levado, pondera. Mesmo com o cartaz exposto na entrada da loja, ela disse que todos os dias entram pessoas reclamando da decisão.

Orientações da Polícia Militar

Recentemente a Polícia Militar lançou uma cartilha contendo orientações aos comerciantes. O Sargento Pelisson destacou que a principal é que não guardem dinheiro na loja. A gente sempre orienta que eles depositem diariamente, que não mantenham dinheiro no caixa. Outra dica é que instalem câmeras de vigilância, mesmo que elas não consigam identificar o assaltante em alguns casos, a gente grava as características e o modo de operar dos assaltantes. Altura, peso, as características físicas.

Uma terceira dica é que os comerciantes tenham cuidado com a contratação de funcionários, pois muitas vezes, os assaltantes entram com informações que só o pessoal da loja conhecia. Nós orientamos que perguntem, saibam em quem estão confiando. Nós podemos inclusive ajudar. Caso tenham alguma dúvida sobre uma pessoa que bate na porta pedindo emprego, podem ligar no Batalhão e nós verificamos se tem passagem pela polícia ou se é conhecido do meio. Se a pessoa não deve, ficará feliz de ter boas referências dela. Quem não deve não teme, finaliza.  

Por Ana Carla Poliseli, da Redação