A garota que se tornou escritora

Danielly Cristina Oliveira Rodrigues pode até não saber, mas aos quinze anos começou sua carreira dois anos mais nova do que uma escritoras brasileiras considerada um prodígio em sua época, Raquel de Queiroz. Aos nove ela já tinha decidido que gostaria de publicar um livro e o projeto não era para após alguns anos, o livro já estava pronto. Raquel teve seu primeiro livro publicado somente aos 17.

Quando teve a ideia, a menina era estudante do Colégio Municipal Florestan Fernandes, então conhecido como Caic. Com o incentivo dos professores e o apoio incondicional da mãe, eles foram à luta. Mas se o caminho para escritores consagrados já não é muito fácil, para uma menina que acabara de completar 10 anos, a estrada foi bem longa. A mãe, Rosangela de Oliveira, 40 anos, considerando que aquele era um desejo importante para a filha tentou de todas as formas publicar o livro. O livro está pronto desde que ela tinha nove anos, mas para ver ele assim impresso, foi preciso correr muito atrás, conta.

Para o grande lançamento, tudo foi programado por Danielly. Da arrumação da mesa à ordem de quem iria falar, pois afinal era o seu grande dia. Aos poucos o lançamento adquire a seriedade da estudante e por alguns momentos a plateia esquece sua idade. Mas na ansiedade pela chegada das amigas e o jeito direto de comentar que a mão ficou manchada durante a arrumação, ela recorda que é pouco mais do que uma menina.

Segundo a mãe, a infância foi o período de superação. Quando ela era criança, na 2ª série, tinha muita dificuldade em ler os textos na frente da sala, medo de ser julgada pelos colegas. Foi um professor daqui do Caic que a incentivou muito. Dizia para ela que era só se apresentando que ela melhoraria, comenta. Com isso, a vergonha foi substituída pela vontade de realizar os sonhos.

No livro, em pequenos versos a visão de uma menina sobre a violência, a cidade onde mora, desejos de paz e um futuro um pouco mais colorido, mais com jeito de criança. Eu já mudei muito a forma de pensar, hoje eu vejo o que escrevi e percebo que realmente minha cabeça era outra, relata Danielly.

Um dos que incentivaram o sonho da escritora foi o professor Jozelei Donizete Faccina. É muito bom saber que uma mínima parcela de colaboração a gente pode dar. O mais gratificante é o reconhecimento de que essa conquista dela é também de todos, conta.

Além dos professores e da família, a publicação do livro teve um ‘empurrãozinho’ do assessor de imprensa e membro da Academia Mourãoense de Letras, Ilivaldo Duarte. A mãe dela sempre me procurou e dizia que o maior sonho era publicar o livro da filha. Consegui o apoio de alguns patrocinadores que acreditaram no sonho e fizemos uma surpresa no aniversário de 15 anos.

A emoção começou naquele momento. Hoje [ontem] enquanto a gente arrumava o auditório eu chorei muito. Era como se estivesse tendo novamente a minha menina. O começo dela foi aqui no Caic, conta. A jovem escritora sonha agora em ser advogada, mas as letras não saíram dos seus planos. Quero que este seja o primeiro de muitos.