Altamira discute qualidade do leite

Mais de 50% do leite entregue em alguns laticínios da região estão fora dos padrões estabelecidos pela  Instrução Normativa 51 do Ministério da Agricultura e da Resolução Nº. 065/05 do Serviço de Inspeção do Paraná. Isto é o que constata o Serviço de Inspeção do Paraná/Produtos de Origem Animal, através de levantamentos técnicos do Núcleo Regional da SEAB de Campo Mourão, baseados em dados coletados nos últimos três meses oriundos de laudos de amostras examinadas pelo laboratório da APCRH, Associação de Criadores da Raça Holandesa do Paraná.

Os médicos veterinários Olimpio Giovanelli e Leyd D. Juliani, do Serviço de Inspeção de Produtos de Origem Animal da Secretaria da Agricultura, Núcleo Regional de Campo Mourão, colocaram em Altamira do Paraná, em encontro realizado para aproximadamente 150 produtores de leite, que além do CBT (Contagem Bacteriana Total) estar alta na região, também os níveis CCS (Contagem de Células Somáticas), de gordura, proteína e outros também deixam a desejar. Os técnicos avaliam que existem ainda falhas na implantação das Boas Práticas Agropecuárias, desde o manejo do gado, manejo da ordenha, da conservação e também da fabricação.

Segundo eles, a higiene é o principal fator que determina o aparecimento de doenças e o comprometimento da qualidade do leite. O encontro promovido pela SEAB Núcleo Regional de Campo Mourão em parceria com o CSA – Conselho de Sanidade Agropecuária e Emater   local, serviu de alerta para produtores rurais, carreteiros, indústrias, responsáveis técnicos para maior atenção na obtenção de um leite de qualidade, de forma a atender as normas sanitárias que passam a ser mais severas a partir de julho. O seminário sobre qualidade do leite deverá ser repetido em maio em Ubiratã e Juranda.

A situação é preocupante, ressalta o Chefe do Núcleo Regional de Campo Mourão Edson Battilani, uma vez que este produto é a matéria prima de produtos que vão a mesa do consumidor através de queijos, e outros derivados além do leite empacotado.

Batillani tranqüiliza, no entanto, que todo o leite envasado, é previamente avaliado e só vai ao mercado aprovado pelas normas estaduais do Paraná, que limita, por exemplo, a 500 mil unidades formadoras de colônia por ml. Até julho deste ano a norma limitará a 100 mil unidades por mililitro, o que poderá deixar muitos produtores fora do mercado, caso não melhorem o seu manejo sanitário.

Alguns laticínios estão recebendo notificações do Serviço de Inspeção para que seja  atendido esses parâmetros, pois existe a possibilidade de ficarem suspensas suas atividades, incluindo aqueles que fornecem somente leite de marca comercial. A qualidade deve ser a mesma do Programa Leite das Crianças. 

Ainda segundo os técnicos, é  considerado  como  obrigação dos laticínios repassarem pelo menos uma vez ao mês aos produtores que entregam leite cru, os resultados das análises que é realizado pelo laboratório da APCRH, de forma que os mesmos tomem providencias nos casos de leite fora dos padrões. Também alertam para que os produtores procurem dos médicos veterinários e zootecnistas que prestam assistência através dos laticínios, das cooperativas, das empresas de assistência técnica e através dos cursos de capacitação ofertados gratuitamente por órgãos do setor, as orientações técnicas de manejo de boas práticas que garantam a qualidade do leite.

Segundo os veterinários, os teores hoje exigidos para o leite cru, são:  caracteres de cor, sabor, odor e consistência normais ao leite, o teor de gordura mínimo deve ser de 3%,  a acidez entre 14 e 18 graus Dornic, a densidade entre 1,028 e 1,034 gramas/ml, lactose mínima de 4,3%, entre outros como por exemplo estar isento de antibióticos e resíduos de pesticidas, além é claro da contagem bacteriana total que a partir de julho não poderá ser superior a 100 mil por ml (leite individual) e a contagem de células somáticas não ultrapassando as 300 mil.

O leite que estiver fora desses padrões mínimos tem várias consequencias:  uma vez que a pasteurização não elimina antibióticos nem pesticidas e também não elimina todas as bactérias, podendo então causar danos à saúde dos consumidores que em primeira instância poderão ser  crianças lactentes, gestantes, idosos e doentes. Isso sem contar que na preparação de produtos de origem Láctea, os mesmos oferecem prejuízos à indústria devido ao menor rendimento industrial podendo também se deteriorarem mais cedo.