Meg venha cá. Emília pare de correr. Melzinha vem para dentro de casa. A primeira a impressão de que os nomes citados são de crianças ou adolescentes fazendo as tradicionais bagunças. Mas não se trata disso. Os personagens citados são cachorros. A dona da voz que os chama com tanto carinho é Sueli Petrovich Tamaso, 49 anos. Moradora de Engenheiro Beltrão, ela tem dez cachorros que são tratados como membros da família, ou até mesmo como filhos.
Se ela sai para viajar todos tem de ir junto. E para isso comprou até um carro maior, uma Blazer. Devido a profissão que exerce, o marido de Sueli fica pouco em casa e cabe a ela cuidar de todos os animais. São eles também, que fazem companhia à ela. A rotina diária, se é que podemos dizer assim por causa do trabalho que os cães dão, começa já cedo. De manhã enquanto prepara o seu café, Sueli também serve a primeira refeição do dia aos animais. A papinha de leite com pão é servida a todos.
Casada há 16 anos, Sueli define como uma frustração não poder ter tido filhos. E ela encontrou nos animais uma maneira de preencher esse vazio. Fizemos de tudo para ter filhos, mas não conseguimos. A adoção foi uma tentativa que também não deu certo. E com a idade avançando a ideia de ter filhos foi ficando, comenta.
A primeira cachorra foi a Meg, uma basset que está com 12 anos de idade. Devido a idade avançada e por ter sido acometida por um câncer, a cachorrinha está bastante debilitada e precisa de cuidados e carinho especial.
E não houve nenhum planejamento sobre a quantidade de cães que seria adotado. Sueli diz que a adoção foi acontecendo. Quando chegou em Engenheiro Beltrão, há pouco mais de quatro anos, estava com dois cachorros. E aos poucos os demais foram aparecendo na vida dela. E cada um uma história diferente, e uma curiosidade: dos dez cães, nove são fêmeas.
Uma delas é a Mel, ou Melzinha como é chamada carinhosamente pela dona. A cachorra foi encontrada abandonada dentro um saco de lixo com a boca e os pés amarrados, e ainda por cima estava prenhe. Nasceram cinco filhotes, e dois deles continuam ao lado da mãe, sendo cuidados por Sueli. Um outro cão, o único macho da família, foi deixado amarrado em uma árvore pelo antigo dono quando se mudou de uma casa vizinha a da Sueli. A casa era alugada e o proprietário do imóvel soltou o animal que continuou por perto. Primeiro uma vizinha começou a alimentá-lo e depois acabamos adotando, diz.
Sueli diz que quando adota um animal é para cuidar com carinho. Não pego só para pegar. Não faço de qualquer jeito, frisa ao comentar que a maioria deles são castrados e visitam veterinários periodicamente. A dona de casa não tem cálculos de quanto gasta por mês, mas garante que não é barato. É caro, e não precisa fazer tudo o que faço para cuidar de um animal. Cada um faz conforme a sua estrutura. Também não temos muitas condições, mas cuidar bem dos animais foi o que escolhi fazer, observa.
Integrantes da família
O amor pelos cães é de família. Sueli revela que familiares do casal moram em Ribeirão Preto e sempre que viajem para lá, os animais são levados junto. A minha mãe, trata eles como netos. E o que ela mais gosta é de fazer roupinhas para eles. Aqui em casa, cada um tem a sua. São duas gavetas cheias de roupinhas.
Os cães vivem soltos pela casa, mas na hora de dormir cada um tem a sua casinha. Porém, tem também os que preferem dormir em colchões e sofás espalhados pelo quarto e sala. Sempre fui amorosa com os animais. E aos poucos eles foram me conquistando para fazer parte da família, observa. Sueli diz ainda que o marido é outro apaixonado pelos bicinhos. No início ele gostava, mas não era aquela coisa. Aos poucos foi se acostumando com a ideia e hoje, quando pode, ajuda a cuidar. É ele que dá banho, corta as unhas e vai junto ao veterinário, comenta.
E higiene é assunto sério na casa. Sueli revela que faz limpeza pesada todos os dias dentro e fora da casa. Todos os dias limpo bem com produtos apropriados para esse tipo de serviço. Recolho todas as sujeiras deixadas por eles no quintal para que não fique com mal cheiro. Isso é necessário até mesmo para não ter reclamações de vizinhos, pondera.
Dos dez cachorros, apenas duas são de raças. Os demais são os tradicionalmente chamados de vira-latas. É uma questão de química. Quando olho para um cachorro, geralmente o que mais chama a atenção é os que estão mais doentes, magros e tristes. E hoje, olha só como eles estão. Se não tivesse cuidando deles talvez alguns já tivessem morridos ou vivendo pelas ruas, finaliza.