De um ano para cá, as calçadas com pisos podo tátil – usadas por deficientes visuais – vem se proliferando na área central de Campo Mourão. Isso representa respeito e, ao mesmo tempo, uma evolução do processo de acessibilidade às pessoas. Mas o desenvolvimento desta prática não nasceu apenas da simples conscientização popular, não. É que uma nova legislação sobre o passeio está em vigor desde fevereiro de 2010. Novas obras agora devem adequar as calçadas de acordo com o decreto. Bom para cerca de 40% da população, que necessita da tão famosa acessibilidade.
Muita gente ainda acha que o termo acessibilidade serve apenas para deficientes físicos. Mas não é bem assim. Além deles, a prática vai colaborar ainda com idosos e gestantes, que precisam de calçadas adequadas para o caminhar, sem riscos. Em Campo Mourão, segundo estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 14% da população possui alguma espécie de deficiência física.
Jaqueline Gaspar Teixeira, arquiteta municipal da secretaria de Planejamento, disse que a prefeitura tem como objetivo padronizar todo o calçamento da área central até 2014. Ela explica que muitas pessoas estão procurando informações para adequarem o passeio corretamente. De acordo com ela, devido à falta de uma fiscalização mais apropriada, algumas calçadas foram construídas erroneamente. Em um dos casos, a sinalização do piso tátil foi colocado ao contrário do que deveria. Hoje, ao invés de informar os deficientes visuais, a calçada está confundindo. O profissional à frente da obra foi negligente, disse a arquiteta.
Levantando a bandeira do respeito a acessibilidade está João Maria Ferrari. Nos últimos 10 anos, sempre à frente do Conselho Municipal de Defesa de Direitos da Pessoa com Deficiência – Comude – ele vem buscando soluções para o problema na cidade. Aposentado, Ferrari possui apenas 10% da visão, o que fez com que se tornasse um bravo guerreiro pela causa. Ele explica que, por algumas vezes, já se machucou ao cair em calçadas de Campo Mourão. Como não enxergo direito, são comuns os tropicões. Algumas vezes fui ao chão e me feri, diz. São passeios sem manutenção, cheios de buracos que acabam virando armadilha às pessoas.
Ferrari faz questão de enfatizar o desempenho do município para respeitar a população. De um ano para cá a acessibilidade quebrou barreiras. Estamos à frente de cidades como Maringá, afirma. Além disso, já foram realizados cursos de capacitação para ensinar comerciantes a lidarem com o acesso de deficientes físicos. O projeto da questão de acessibilidade da prefeitura recebe o nome de Campo Mourão para todos. O primeiro passo foi dado. Vamos continuar na luta, diz Ferrari. A arquiteta municipal fez questão de explicar que a prefeitura também fará sua parte, fisicamente dizendo. Segundo ela, até o final do ano, todo o calçamento em frente ao prédio será adequado. Aguardamos apenas uma licitação.
O que significa acessibilidade
Acessibilidade significa não apenas permitir que pessoas com deficiências ou mobilidade reduzida participem de atividades que incluem o uso de produtos, serviços e informação, mas a inclusão e extensão do uso destes por todas as parcelas presentes em uma determinada população.
Na arquitetura e no urbanismo, a acessibilidade tem sido uma preocupação constante nas últimas décadas. Atualmente estão em andamento obras e serviços de adequação do espaço urbano e dos edifícios às necessidades de inclusão de toda população. A temática associa ainda a construção de rampas e banheiros adaptadosa cadeirantes. Calçamento em áreas urbanas voltado a portadores de deficiência visual, como é o caso do piso podo tátil. Além dele, exige-se, ainda, passeios construídos de forma a atender idosos, gestantes e também deficientes físicos. Ou seja, calçadas regulares, sem obstáculos.