Oxi pode já ter chegado em CM

A Polícia Militar apreendeu ontem à tarde, após denúncia anônima, cerca de 1 quilo de droga. Na verdade há suspeita que o entorpecente possa ser oxi. O produto estava escondido no meio de uma mata, na entrada de uma fazenda às margens da BR-272, saída para Goioerê, embaixo de uma carcaça de televisão.

A droga foi encaminhada a 16ª Subdivisão Policial de Campo Mourão para perícia. Somente após a perícia é que vamos confirmar se trata ou não de oxi, afirmou o coronel Geraldo Moliani, comandante do 11º Batalhão de Polícia Militar de Campo Mourão. O entorpecente estava em dois tabletes, embalado em fitas adesivas dentro de uma sacola. A polícia acredita que o dono da mercadoria voltaria ao local durante à noite para buscá-la. O resultado da perícia deverá sair nos próximos dias.

Quando a PM já retornava a Campo Mourão passou por um veículo com placas de São Paulo ocupado por dois homens suspeitos. O carro estava parado no acostamento, a cerca de 200 metros de onde foi encontrada a droga. Ao serem abordados, ambos apresentaram nervosismo e acabaram encaminhados à delegacia para prestar depoimento. Segundo informações, durante o interrogatório, eles entraram em contradições e ficaram detidos. No carro foram encontrados também R$ 7 mil em dinheiro.

Oxi

O oxi chegou ao país em meados da última década pelo Acre e pelo Amazonas, nas regiões das fronteiras com Bolívia e Colômbia. Agora, há registro de mortes no Piauí e a ameaça de que ela atinja o Sudeste. A Fundação Oswaldo Cruz já prepara um mapeamento da droga no território nacional.

O entorpecente é uma mistura de pasta-base de cocaína, querosene e cal virgem mais devastadora do que o temível crack. A droga é vendida no formato de pedra, ao valor médio de 2 reais a unidade e vem se popularizando cada vez mais.

Ao menos duas característias da droga ajudam a explicar por que ela se espalha pelo país. A primeira é seu potencial alucinógeno. Assim como o crack, o oxi pode estimular em um usuário o dobro da euforia provocada pela cocaína. A segunda razão é seu preço. O crack não é uma droga cara, mas o oxi é ainda mais barato.

O lado mais assustador do oxi talvez seja a carência de dados sobre seu alcance no território brasileiro. Quem se debruça sobre o assunto, avalia que a droga atinge todas as classes sociais. Também faltam estudos científicos sobre sua ação no ser humano. Por ora, sabe-se que, por causa da composição mais suja, formada por elementos químicos agressivos, ela afeta o organismo mais rapidamente.