Juiz isola presos até resultado de exames

Recentemente a cadeia pública de Campo Mourão foi motivo de piada nacional, depois que os detentos organizaram uma festa de ano novo, com direito a álcool e drogas. Novamente, o local está no foco da notícia. Mas desta vez, o assunto não é engraçado e pode se transformar num grave caso de saúde pública. Na última semana, um dos 250 encarcerados teve confirmado o quadro de tuberculose. Foi medicado e já está fora. Acontece que outros 25 são suspeitos de também terem contraído a bactéria. Todos já fizeram exames e agora aguardam o resultado nos próximos sete dias. Como medida preventiva, determinada pelo juiz e corregedor da cadeia, Juliano Albino Manika, a visitação de familiares está suspensa. Não tenho informações para confirmar se a situação é mesmo grave. Vamos esperar pelos resultados dos exames, explicou o juiz.

Por ser considerada uma doença preocupante e se alastrar rapidamente pelo sistema respiratório dos humanos, levando até a morte, a justiça ordenou que além dos 25 suspeitos, a saúde municipal recolha material dos outros 225 detentos. A prevenção está sendo tão enérgica que até as audiências com presos foram adiadas no fórum. Ninguém sai da cadeia. Mas pode adentrar. Manica disse que, se o delegado chefe da 16ª Sub Divisão Policial de Campo Mourão, José Aparecido Jacovós, não encontrar outra saída, novos criminosos apreendidos esta semana terão que ficar custodiados junto aos demais. O delegado disse que existe uma ala segura aos novos presidiários. A situação acabou afetando até os advogados. Eles não poderão ter acesso aos clientes presos, pelo menos até saírem os resultados dos exames, nos próximos dias.

Outra determinação da justiça envolve os policiais locais. Todos eles terão que fazer exames de saúde evidenciando a possibilidade de estar com a bactéria. Precisamos saber quem está doente e quem está sadio, disse Manica. Ele ressalta que os familiares dos detentos devem entender os motivos da justiça em suspender as visitas por uma semana. Ainda ontem, Jacovós relatou que, uma vez confirmadas as 25 suspeitas, os presos doentes devem ser transferidos para o complexo médico penal em Curitiba. Embora não se possa confirmar o surto da doença, ainda, é possível identificar a precariedade da cadeia pública de Campo Mourão. Um local úmido e certamente propício para a propagação de doenças respiratórias. Ainda mais quando se mantém quase o triplo de indivíduos além do máximo recomendado. Ainda ontem, a reportagem da TRIBUNA descobriu que dois carcereiros fizeram os exames e tiveram reação positiva ao bacilo, mesmo não desenvolvendo a doença. Eles podem ser afastados do serviço por licença médica.

No despacho do juiz, determinou-se que a Secretaria Municipal de Saúde fizesse exames em todos os detentos da cadeia num prazo máximo de 24 horas. Mas isso não ocorreu. Através de sua assessoria, o município explicou que realizou testes em 40 pessoas, mais especificamente nos encarcerados da ala A, onde foi confirmado o único caso, além de carcereiros. Para isso, a secretaria está seguindo um protocolo conhecido como Manejo da Tuberculose, recomendado pelo próprio Ministério da Saúde. O primeiro passo já foi realizado ao isolar os detentos e colher os exames. A seguir, vão disponibilizar máscaras evitando o contágio. De acordo com as informações, os demais 225 presos só passarão por análises médicas caso se confirmem novos casos.