‘Panelaço’ na UTFPR

O dia ontem foi de manifestações na Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR/Campus Campo Mourão). O corpo docente já havia paralisado as atividades na terça-feira e na quarta os estudantes espalharam faixas pela universidade e fizeram um ‘panelaço’ para chamar a atenção para a previsão de baixos investimentos no orçamento geral da União em educação, principalmente no Ensino Superior.

O estudante do 8º período de engenharia de alimentos e membro do Diretório Central dos Estudantes (DCE), Rodrigo Mendonça, explicou os alunos se envolveram na luta por acreditarem que a falta de investimentos pode comprometer a qualidade do ensino. Os problemas podem ser desde a falta de um livro na biblioteca até a ausência de professores e de técnicos-administrativos. Nós temos essa consciência e é por isso que lutamos, diz.

Segundo ele, foram criadas várias unidades do Instituto Federal. E o dinheiro que o governo vai investir no próximo ano será o mesmo. Com isso o que vai acontecer é a divisão entre um maior número de instituições, o que pode levar ao sucateamento do nosso ensino, acrescenta Mendonça.

A escolha da data da paralisação não é mero acaso. No dia 31 de agosto termana o período para encaminhamento de propostas para o orçamento de 2012. Uma vez encerrado este prazo, novas negociações só poderiam ocorrer a partir do próximo ano. O atual orçamento em trâmite, uma vez aprovado, levará a uma situação de calamidade na manutenção da qualidade do Ensino, pois provocaria um estrangulamento nos recursos atualmente repassados às Universidades, diz trecho da carta aberta distribuída durante o dia.

Ainda de acordo com o texto do documento, todos sofreriam os efeitos: técnicos, docentes e alunos. Já que a falta de novos repasses provocaria uma limitação – ou até inviabilizaria – a estrutura já existente, afetando o custeio de laboratórios e material de consumo, podendo comprometer ainda o andamento de projetos de pesquisa e extensão em curso, bolsas e demais recursos que beneficiam diretamente alunos e pesquisadores.

Os professores, que encabeçaram o protesto ainda afirmam na carta que a falta de investimentos poderá levar ao colapso de um sistema que vem acumulando crises em razão do atual modelo de expansão adotado. O aumento da oferta de cursos e a abertura de novos campi tem sido realizada com base nas promessas de incremento do orçamento, o que não vem ocorrendo.

O diretor da instituição, Narci Nogueira da Silva, explicou que a reivindicação é legítima. Estamos apoiando a paralisação por entender que é um pedido válido. Alguns itens da reivindicação estão sendo vistos pelos ministros e outros mais locais estão sendo discutidos com os dois representantes da UTFPR, em Curitiba, explica. Segundo ele, os professores irão se organizar e as aulas serão repostas.

Apesar de afastar temporariamente o medo da greve, ele explicou que a decisão será tomada pelo Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior – (Andes). Como professor eu não gostaria que acontecesse novamente uma greve. Sei que todos são prejudicados, principalmente os alunos que estão no último ano. Tivemos uma greve longa em 2000 e não gostaria que se repetisse. Esperamos que não precise chegar a esse ponto, acrescenta.
    

Reposição Salarial

Os professores reivindicam ainda a reposição salarial dos últimos quatro anos. Temos convivido com uma situação na qual professores assumem uma carga horária de aulas para além daquilo que seria o ideal, isto, somada ao desânimo frente as constantes perdas salariais, corroendo os vencimentos básicos ano após ano, e a falta de materiais e equipamentos básicos em laboratórios e em salas de aula, revela trecho da carta manifesto.

Os docentes explicaram que estão exigindo um compromisso claro do governo para as políticas públicas políticas de financiamento para a Educação, incluindo o cumprimento do preceito constitucional quanto à obrigatoriedade da reposição salarialbaseado nos índices de inflação – DIEESE (salários que atualmente acumulam mais de 40% de perdas).